26Aug
Coluna Dominical

Week em Santa Barbara

– 26 de agosto de 2018

Luis Felipe Nascimento (*)

 Em minha primeira semana em Santa Barbara já tenho histórias para contar e quero compartilhar algumas delas, com vocês:

1a.   A mascote da “University of CaliforniaSanta Barbara” (UCSB) chama-se “Gaucho” (sem acento, assim como “California” e “Barbara”) e tem como logo a cabeça de um mascarado com um chapéu, tipo Zorro. Dizem que a tal mascote foi inspirado no filme “O Gaúcho”, de 1927, no qual um misterioso fora da lei liberta uma cidade na Argentina das garras de um general malvado. Portanto, a mascote Gaucho representa este misterioso cowboy argentino. O porquê desta escolha eu não sei. E por que não escolheram o Zorro, que é uma história californiana? Bueno, não importa! Agora imagine alguém chegando do Rio Grande do Sul, e ao entrar na universidade ver uma placa: “UCSB – Home of the Gauchos” (Universidade da California Santa Barbara – Casa dos Gauchos). Tchê, até pensei que fosse uma pegadinha, mas era verdade, mesmo. Portanto, gauchada, é só chegar que a casa é nossa!

2a.   No primeiro dia na UCSB fui encaminhado para o setor em que eu deveria preencher formulários e assinar papéis. Após preencher todos os formulários, a secretária perguntou se eu jurava. Inicialmente, não entendi a pergunta. Ela reforçou o questionamento: você jura que é verdade tudo o que foi informado nesses formulários? Respondi que sim. Aí ela pediu que eu levantasse a mão e repetisse o juramento. Eu até achei demais todos esses procedimentos com cara de tribunal, mas tive que cumprir o protocolo.

3a.   A Universidade está localizada em frente ao Pacífico e a Bren School of Environmental Science and Management, na qual estou fazendo o meu pos doc, é o primeiro prédio, de frente para o mar. Basta sentar no terraço para apreciar a praia. Me deram uma sala para trabalhar que compartilho com uma norueguesa. A primeira vez que a encontrei na sala, me apresentei e ela respondeu gentilmente, mas logo falou: hoje não posso ser sociável. A conversa encerrou aí. Duas horas depois ela se despediu desejando um bom final de semana. Aguardemos a próxima semana para ver se a conversa irá além do “hello” e “bye-bye”.

4a.   Eu curto muito as canções do Jack Johnson e o seu engajamento em defesa da sustentabilidade do Planeta.  Pois não é que o cara estudou aqui em Santa Barbara? Está na lista dos ex-alunos ilustres (https://jackjohnsonmusic.com/music ).

5a.   Falando da vida e da rotina em Santa Barbara, estou gostando muito do desafio de viver numa residência estudantil, de ter que lavar minha roupa, fazer minha comida, limpar a casa e de não ter carro. Me desloco de bicicleta, até mesmo para ir ao mercado fazer compras. Volto com a mochila cheia de comida. Fazer o que não seria “esperado”, nessa fase da minha vida, está sendo desafiador. Andar de bike, fazer caminhadas e ficar muito tempo sozinho não me entristece, pelo contrário, tenho gostado da minha companhia. Ainda bem, né!?

Não acredito que estes fatos sejam apenas coincidências: A Universidade é a casa dos Gauchos, a Bren School fica de frente para o mar, minha morada está em frente a uma reserva ecológica e distante apenas 15 minutos da praia. Ao lado de onde eu moro está a “Nacimiento Village”. O Roland, com quem estou trabalhando, é um alemão que estudou em Berlim, na mesma época em que eu estudei na Alemanha. Há quem diga que os nossos pensamentos, nossos sentimentos, a matéria física, tudo está conectado num oceano de energias.

Eu não acho que só aconteçam coisas boas para mim. Talvez eu que veja como boas as coisas que me acontecem. Em minha opinião, os acontecimentos são pegadinhas preparadas por uma força superior para tornar nossas vidas mais emocionantes e cheias de sentido. Ou eu que estaria vendo coincidência em tudo?

(*) Luis Felipe Nascimento é “aluno titular” na California University, Santa Barbara. EUA.

Contato: nascimentolf@gmail.com

 

2 thoughts on “Week em Santa Barbara

  1. Magda Brancher Gravina Reply

    Muito interessante! Boa estada e bons estudos Prof. Felipe.
    Mas … fiquei impressionada com a frase da Norueguesa! “Hoje não posso ser sociável”.
    Será que essa moda pega?

  2. Maria de Fátima Reply

    Muito boas as histórias F. Quanto à pergunta, acho que sim, alguém pode desenvolver a capacidade de ver as coisas como positivas, por serem elas não destrutivas. Li algo sobre isto esta semana. Abraço. Como sua amiga falou acima, também fiquei impressionada com o comentário. Quando estive na Austrália, um dado dia, logo que cheguei, resolvi convidar as pessoas para tomar um café, pois cafeteria era o que mais tinha lá na Universidade. Me arrependi muito, porque a organização de cada encontro tomava ares de formalidade tal que me desmotivou gradativamente. Sua colega ao menos foi sincera de início. Abraço

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