13Jan
Coluna Dominical

Vai um remedinho aí?

– 13 janeiro de 2019

Luis Felipe Nascimento (*)

Na cidade de Tupanciretã, RS, onde eu nasci, existiam apenas duas farmácias e o meu pai era o proprietário de uma delas. Os preços dos medicamentos eram tabelados e as pessoas escolhiam a farmácia em função do atendimento. O meu pai tinha fama de ter “boa mão para fazer injeção”. Quando eu era criança, quem adoecia tomava uma injeção. Frequentemente ouvíamos ameaças do tipo: “sai da chuva ou vais adoecer e tomar injeção”. Não precisava um segundo aviso! Com o passar dos anos a injeção saiu de moda, mas continuaram existindo duas ou três farmácias em cada pequena cidade. Não sei precisar em que momento e por qual razão houve um boom no crescimento do número de farmácias. Estimo que nos últimos cinco anos passamos de 2 ou 3 farmácias por bairro para 2 ou 3 por quarteirão. Obviamente que o crescimento de farmácias ocorreu porque houve o aumento do consumo de remédios per capita. O que eu não sabia é que, na mesma rede, os remédios variam de preços de uma farmácia para outra, não existe mais tabela. Que o preço é “negociável”, conforme me disse uma balconista. Que em determinado dia existe promoção de um determinado remédio. Que não existe uma farmácia que é a mais barateira, etc. Bem, vou contar para você a minha experiência no dia que fui ajudar a minha mãe a comprar os seus remédios.

Tudo começa quando o paciente vai ao médico e ele receita o remédio “X”, nome dado por determinado laboratório. Os médicos não dizem que você deve tomar o “princípio ativo tal”, e que este princípio ativo pode ser encontrado nos medicamentos X, Y, Z dos laboratórios A, B, C ou D, ou poderá ainda comprar o genérico dos mesmos laboratórios. Enfim, existem muitas alternativas para se obter o princípio ativo receitado pelo médico. O paciente pouco informado sai do médico e vai na farmácia que lhe disseram que é a mais barateira. Apresenta a receita e fica encantado com o desconto de 30% para quem tem uma carteirinha qualquer. Se não tiver a tal carteirinha, fará um cadastro e receberá o mesmo desconto. O que o cliente não sabe é que aquele medicamento está com preço menor do que a farmácia ao lado, mas os outros que ele vai comprar, estão mais caros. Além disto, de um laboratório para outro variam o número de comprimidos e os miligramas, e assim o consumidor fica confuso sobre qual medicamento é o mais barato. É muito fácil enganar um idoso ou alguém com pouca informação.

Depois de ligar para várias farmácias em Porto Alegre e de obter preços completamente distintos, sendo que em algumas o mesmo princípio ativo custava 50% do valor da farmácia ao lado, resolvi então perguntar ao Google. Resultado: Aquilo que parecia barato, ainda era o dobro do que se poderia comprar em farmácias de São Paulo. Veja o caso da Rosuvastatina Cálcica (10 mg, caixa com 30 comprimidos), um medicamento muito utilizado para redução do colesterol. Somente num site de comparação de preços de remédios encontrei, para o mesmo princípio ativo, uma variação de preço que foi de R$12,19 à R$156,61 (ver tabela em anexo). Nas farmácias de São Paulo, se a compra for superior a R$250,00 o cliente ficará livre do pagamento do frete. Me disseram que algumas vezes o genérico não atinge a mesma concentração do melhor medicamento de marca, que é considerado a referência. Este é um problema para a Anvisa resolver, mas certamente a diferença de concentração não justifica a diferença nos preços. Esta história me lembrou uma vez que fui num camelódromo em Pequim/China e o preço de uma camisa começava em $100, se o cliente dissesse que não queria, imediatamente o preço caia para $70 e iria baixando quanto maior fosse a pechincha. Saí feliz por ter comprado por $30 uma camisa que custava $100. A alegria durou pouco, pois logo adiante encontrei a mesma camisa sendo anunciada por $20, preço antes da pechincha. Assim estão os preços dos remédios hoje, não se sabe mais qual o valor real.

Falando neste assunto fui descobrindo que amigos e familiares gastam muita grana em medicamentos e nem sempre fazem este tipo de pesquisa. Pessoas na meia idade e saudáveis usam mais de uma dezena de medicamentos diariamente e gastam mensalmente mais de R$ 500,00, outros chegaram a me falar em R$ 2.000,00. Curioso é que alguns remédios são para amenizar os efeitos colaterais do outro medicamento. Um medicamento faz bem para uma coisa e causa outros males, e assim vai aumentando a lista de remédios e os custos. Não é possível que não tenha outra solução!

Então, se você usa medicamentos de uso contínuo, pesquise nos sites que comparam preços de medicamentos! Certamente você poderá reduzir seus custos. Mais do que isto, questione se você precisa de todos estes remédios. Peça uma segunda opinião, consulte um homeopata, tente evitar as causas das dores/doenças, faça alguma coisa para reduzir a quantidade de medicamentos de uso contínuo. Talvez o interesse em lhe vender o remédio seja maior do que lhe curar. Fique ligado!

Santa Bárbara News:Minha mochila foi considerada suspeita no aeroporto por que trouxe dois pacotes de polvilho e um de tapioca. Depois de muito examinarem aquele pó branco, me liberaram. Fiquei tão agradecido que me deu vontade de pedir o endereço da moça para mandar um pão de queijo para ela, mas com este povo não se brinca. Saí quietinho!

(*) Luis Felipe Nascimento é “aluno titular” na Universidade da Califórnia em Santa Bárbara.

Contato: nascimentolf@gmail.com

Princípio Ativo – Rosuvastatina Cálcica – 10mg – caixa com 30 comprimidos

Varia de R$12,19 à R$156,61

Consulta feita em 12/01/2019 no site: https://www.cliquefarma.com.br

Nome

Laboratório

Variação no Preço

Crestor (Comprimido revestido)

AstraZeneca

107,16 à 156,61

Rostatin 

Germed

Rosucor (Comprimido revestido)

Torrent

30,00 a 48,51

Rosulib (Comprimido revestido)

Sandoz

39,44 à 93,90

Rosustatin (Comprimido revestido)

Legrand

46,91 à 61,84

Rosustatin (Comprimido revestido)

Nova Química

Rosuvast (Comprimido revestido)

EMS

16,20 à 44,90

Rosuvastatina Calcica (Comprimido revestido)

Aché

12,19 à 49,64

Rosuvastatina Calcica (Comprimido revestido)

Biosintética

12,19 à 33,32

Rosuvastatina Calcica (Comprimido revestido)

Libbs

Rosuvastatina Calcica (Comprimido revestido)

Medley

19,90 `a 49,90

Rosuvastatina Calcica (Comprimido revestido)

Ranbaxy

48,52 à 48,57

Rosuvastatina Cálcica (Comprimido revestido)

EMS

16,20 à 44,90

Rosuvastatina Cálcica (Comprimido revestido)

Germed

19,90 à 49,90

Rosuvastatina Cálcica (Comprimido revestido)

Legrand

15,90 à 42,16

Rosuvastatina Cálcica (Comprimido revestido)

Nova Química

12,58 à 59,58

Rosuvastatina Cálcica (Comprimido revestido)

Sandoz

13,60 à 57,41

Rosuvastatina Cálcica (Comprimido)

Torrent

24,99 à 78,48

Rusovas (Comprimido revestido)

EMS

16,20 à 44,90

Ruvascor (Comprimido revestido)

Legrand

35,67 à 35,67

Trezor (Comprimido revestido)

Aché

32,90 à 51,74

Vivacor (Comprimido revestido)

AstraZeneca

89,25 à 116,65

Zinpass (Comprimido revestido)

Medley

31,94 à 39,81

Outros sites de comparação de preços de medicamentos:

https://www.jacotei.com.br/medicamentos.html

https://consultaremedios.com.br

http://multifarmas.com.br

https://remediobarato.com

https://catracalivre.com.br/economize/site-compara-precos-de-remedios-e-da-opcao-mais-barata-ao-consumidor/

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