07Apr
Coluna Dominical

Um olhar sobre a vida nos EUA

– 7 de abril de 2019

Luis Felipe Nascimento (*)

 

Recentemente escrevi sobre a vida da classe média americana. Houve concordâncias e discordâncias, o que é muito bom. Alguns leitores me pediram para contar mais da vida nos EUA. Embora meu olhar seja da realidade da Califórnia, alguns aspectos da cultura e do estilo de vida são comuns a outros estados. 

A relação dos pais e filhos é bem diferente da nossa. Soube da história de um menino que pediu um novo videogame para o pai, e ele disse ao filho para vender o que ele tinha e, se conseguisse a metade da grana que faltava, ele completaria o restante. Resultado, o menino passou um verão vendendo suco para a vizinhança e conseguiu a grana que precisava. Desde de criança são estimulados a trabalhar e ganhar seu próprio dinheiro. 

A diferença tecnológica entre o que existe aqui e o que a classe média brasileira consome é pequena, pois em poucos meses os lançamentos chegam ao Brasil. Mas acredito que algumas boas ideias ainda não chegaram ao Brasil. Ao lado do meu prédio existe uma lavandeira coletiva em que basta registrar o número do celular para que as máquinas de lavar e de secar roupas avisem quando terminaram o seu trabalho. Gostei do que vi numa praia em que é permitido soltar os cães para eles correrem e tomarem banho de mar. No estacionamento existe um “lava-jato para cães”, onde o próprio dono pode dar banho no seu cão e colocá-lo limpinho no carro.

Os serviços estão cada vez mais automatizados e quase não necessitando de contato pessoal. Aluguei um quarto pelo Airbnb em que me foi fornecido a senha do portão de entrada e da porta do apartamento. Num dos quartos vivem os donos e o outro é disponibilizado para hóspedes do Airbnb. Entrei no apartamento e encontrei um manual informando o que poderia fazer e o que poderia consumir da geladeira e da prateleira onde estavam os alimentos. No banheiro estava especificado qual o shampoo era dos donos e qual era dos visitantes. Os donos estavam lá, mas não os encontrei, nem foi necessário, pois tudo funcionou perfeitamente. Em algumas locadoras não se escolhe mais o carro, pode pegar qualquer um que estiver na faixa do preço pago. Ao devolver o carro, basta colocar a chave numa caixa e está tudo certo. 

Agora falando especificamente da Califórnia, eu diria que alguns estereótipos que temos sobre o comportamento dos americanos não se confirmam neste Estado. Vale lembrar que muitos movimentos internacionais de preservação da natureza e que lutam por um mundo mais justo, nasceram na Califórnia. Em Santa Bárbara o estrangeiro é bem recebido. Os brasileiros são bem quistos. Conheci pessoas amáveis. Viver na Califórnia é uma delícia, em Santa Bárbara é um privilégio, mas existem algumas contradições. A maconha é proibida nos EUA, liberada para uso medicinal na Califórnia, mas pode ser adquirida facilmente para qualquer fim. Teoricamente, a polícia pode prender quem for pego fumando maconha, mas nunca o faz. É preciso se adaptar as regras: não se pode fumar ou beber em locais públicos. 

A vida em Santa Bárbara é muito tranquila e segura, mas eu sinto saudades do Brasil. Algumas coisas me parecem estranhas, como por exemplo: Você consegue imaginar ir numa praia onde a água é gelada e que não tem barraca e nem vendedor de água de coco, milho, sorvete ou qualquer outro produto? Chego até sentir falta de alguém com o som alto tocando aquelas músicas que eu não gosto! Ou seja, ou você leva a sua cesta de pic-nic ou vais passar sede e fome. Você curtiria uma praia assim? Teria dificuldades para se adaptar a vida na Califórnia? Diga aí! 

(*) Luis Felipe Nascimento é “aluno titular” na Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara

Contato: nascimentolf@gmail.com

P.S.: Se você ainda tem aquela pochete antiga, guarde. A moda voltou, a moçada aqui tá usando pochete!

4 thoughts on “Um olhar sobre a vida nos EUA

    1. admin Post author Reply

      Trânsito, mesmo em cidades maiores, é lento e seguro. Os brasileiros demoram a criar o hábito de parar totalmente o carro ao chegar na esquina, não importando se vem ou não carros. Algumas regras são diferentes, por exemplo, mesmo com o sinal fechado, é permitido dobrar a direita, se não vier carro via que está com o sinal aberto. O que eles chamam de engarrafamentos, não se compara com os nossos. Tem muito carro, mas o trânsito flui pelas vias principais ou o Easy vai te mandar para uma via lateral. Bjs.

  1. Carmenza Reply

    Falando de ir curtir a praia em alguns lugares em USA, me lembrei quando morava em West Palm Beach, Fl, onde, pelo menos naquela época, as casas tinham sua praia privada e eu louca para ir na praia, decidi perguntar onde tinha uma praia pública e para lá me foi…qual foi minha sorpresa quando cheguei na tal praia pública… não tinha uma alma viva, era eu com eu, isso sim foi solidão!

    1. admin Post author Reply

      Oi Carmenza,
      Acho que caminhar na praia e ver pessoas e uma certa desordem faz parte da cultura do brasileiro. Mas, eu também gosto de caminhar numa praia próxima da minha casa, que é quase vazia. Aí é para refletir, para ficar em paz. Tudo tem o seu momento. Abração

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