16Apr
Coluna Dominical

Por que sempre batemos o dedo machucado?

– 17 de abril 2016

Luis Felipe Nascimento (*)

Sempre que estou com uma lesão no corpo, agravo ainda mais esta lesão com batidas acidentais. Se a lesão for no terceiro dedo do pé, aquele bem do meinho, eu levanto da cadeira e “plá”, acerto em cheio a quina de um móvel, o pé da cama ou até mesmo a porta. Azar? Não sei, mas o dedo machucado sempre dá um jeito de se enroscar em alguma coisa. Isto também acontece com você? Eu tenho uma teoria que explica isto, depois eu falo.

Veja que estas tentativas de “mutilação” não são apenas iniciativas nossas, os amigos também colaboram. Por exemplo, o meu médico diagnosticou que estou com o ombro esquerdo “congelado” em decorrência de uma lesão. Ou seja, não consigo levantar o braço esquerdo e o tendão no braço está muito dolorido. Como não é uma lesão visível, as pessoas não a percebem. Resultado, toda vez que encontro um conhecido, levo um tapa bem na parte mais dolorida do braço. Numa festa, onde reencontrei muitos amigos, foi uma tortura. Parece que eles haviam se combinado e se revezavam nas batidas.  Um amigo muito querido me abraçou, depois fechou o punho e deu vários socos em cima do meu tendão dolorido dizendo: “…e aí, como vai, quanto tempo, tudo bem contigo?” A minha resposta foi: “Estava bem, mas agora estou com muita dor!”

Tentando entender por que estas coisas acontecem, pesquisei e encontrei algumas teorias. Há quem explique este fenômeno utilizando a “Lei das Atrações”. Dizem que dedinho do pé é atraído por ponta de móveis, assim como molho de tomate tem uma “quedinha” pelas camisas brancas. Já o café preto adora a toalha branca da mesa. Se você não segurar bem firme a tampa do creme dental, ela vai pular da sua mão e vai para onde? Para o ralo da pia, é óbvio! Outros dizem que isto acontece devido a “Lei da Gravidade”. Agora me diga,  se a gravidade puxa tudo para baixo, por que então o dedo indicador sobe e fica um tempão cutucando o nariz? Existe uma atração inexplicável entre “dedo e nariz”. Portanto, a Lei da Gravidade não é suficiente para explicar este fenômeno, e a Lei das Atrações não é reconhecida pelos cientistas. Resolvi continuar  minha pesquisa.

Para eventos incertos ou desconhecidos, os cientistas recomendam o uso da “Lei das Probabilidades”. Mas, bater o dedo machucado não é uma probabilidade, é quase uma certeza. Quando o dedo tá bom, você passa um ano sem batê-lo, mas quando ele está machucado, você o bate três vezes por dia. Portanto, esta lei também não serve. Edward Murphy explicou estes fenômenos dizendo que “se alguma coisa pode dar errado, ela vai dar errado”. Foram feitos testes e não houve comprovação de que “toda partícula que voa sempre encontra um olho aberto”. A conclusão foi de o Murphy era um pessimista! Diante desta falta de explicação, desenvolvi a “Teoria do Espírito Sádico”.

Teoria do Espírito Sádico? Sim. Eu explico. Não existe azar ou pessoa desastrada. Quando estas coisas acontecem, a culpa é do “espírito sádico”que anda vagando por perto de nós. Ele convida o espírito da pessoa que se aproxima para pisar na sua unha encravada ou para bater no seu braço machucado, e até aponta o lugar exato. Quando você passa perto de um móvel, ele empurra “discretamente” o seu pé para encaixar o dedinho machucado exatamente na quina do móvel. Você não vê, mas o espírito sádico se mata rindo ao ver a sua cara de dor. Afinal, ele é um sádico!

Os espíritos sádicos preferem o Brasil aos países europeus. Aqui eles se divertem muito mais, pois os brasileiros tocam ao cumprimentar uns aos outros, e os europeus não. Por exemplo, um abraço “quebra-costelas” não faz sentido na Alemanha, mas é uma prática comum no Brasil. Pude comprovar esta teoria no dia em que o espírito sádico convenceu o meu espírito a abraçar uma amiga, que acabara de sair de uma cirurgia na coluna. Não sei por que, mas naquele dia resolvi dar um abraço apertado nela, e fiquei constangido ao ver a sua expressão de dor com  meu quebra-costelas. Juro que eu não sabia da tal cirurgia, foi tudo culpa do espírito sádico! Portanto, para não seguir as recomendações do espírito sádico, antes de você tocar em alguém, consulte a pessoa onde pode tocá-la? No meu caso, nos próximos meses, por favor bata apenas no meu braço direito. O tendão do braço esquerdo agradece.      

Obs: Se você concorda com esta teoria, recomende-a para o “Prêmio IgNobel”(paródia do Nobel), que tem por  objetivo “primeiro fazer as pessoas rirem, e depois pensarem”.

(*) Luis Felipe Nascimento é Professor na Escola de Administração da UFRGS

Contato: nascimentolf@gmail.com

10Apr
Coluna Dominical

Hoje é meu aniversário de 57 anos !

-10 de abril 2016

Luis Felipe Nascimento (*)

Hoje é meu aniversário de 57 anos. Por alguns anos pensava que este era apenas mais um dia. Pode parecer um clichê, mas agora eu realmente acredito que cada dia, e cada ano de vida, deve ser vivido como se fosse o último, pois assim tentaremos fazer o que o nos parece ser o mais importante.

Qual o melhor presente que podemos receber? Creio que é a ajuda para obter uma conquista. Toda ajuda é bem vinda, desde o “que legal, vai em frente” até o “sou parceiro para colocar a mão na massa”. Qual o presente que nós podemos nos dar? Diria que é entrar de corpo e alma em busca desta conquista. Cada um busca um tipo de conquista, para mim, uma das maiores é a de transformar ideias em ações mobilizando pessoas, que pode ser uma ação com os alunos, na produção de um livro com 188 autores, de musical ou de qualquer outra coisa.

Por falar em colocar a mão na massa, imagine o bolo mais gostoso que você gostaria de comer. O fato dele não existir, ou de não estar disponível, não impede que você sonhe com ele. Para fazer com que o bolo imaginado  vá para a forma e depois para o forno, é preciso tomar a iniciativa, contar com a ajuda de outras pessoas e conseguir os recursos necessários. Pode ser que na primeira, segunda ou na décima vez, não tenha ainda atingido o sabor que você deseja, mas ele vai sendo aprimorado. Neste processo de aprendizagem, em que você interagiu com muitas pessoas, aquela receita deixou de ser “a sua receita” e passou a ser uma produção coletiva, uma cocriação. O resultado final será muito melhor do que você imaginou.   

O Musical da Sustentabilidade – “Canta-bilidade”- que você assiste neste video, foi a receita que eu imaginei e que foi cocriado com o apoio de muitas pessoas. Mas por que alguém, que não é músico, ator ou diretor, resolve compor canções, escrever um roteiro e produzir um musical? Não é para obter fama, poder ou dinheiro! A minha motivação é a mesma de quem torna a receita imaginária num bolo gostoso: é o prazer de criar, de compartilhar, de ensinar e aprender… e de fazer tudo isto com muita alegria.

Por fim, quero agradecer a todas pessoas que interagiram comigo ao longo destes últimos 365 dias, e em especial aos que contribuiram para que o Musical Canta-bilidade pudesse estrear no dia 2 de abril no teatro Araujo Vianna. O povo que lá estava aplaudiu e dançou junto com os atores, digo, com os pesquisadores que estavam no palco. Agradeço este presente e quero compartilhá-lo como você, como se fosse uma fatia do bolo do meu aniversário. O parabens é para vocês!

Obs: Este texto está disponível  em video no meu Facebook.  Assista também o video do Musical Canta-bilidade na íntegra em https://youtu.be/elltwIFE11E

(*) Luis Felipe Nascimento é Professor na Escola de Administração da UFRGS

Contato: nascimentolf@gmail.com

09Apr
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