Luisfelipenascimento – Page 45 – Everybody 4 the World
09Apr
Recomendo

Recomendo

Capa azul (1)

“Até domingo que vem”
Download Now
Screenshot_35
Lia, mas não escrevia
Download Now
03Apr
Coluna Dominical

Português politicamente correto: vem aí a nova reforma! (reprise)

– 03 abril de 2016

Luis Felipe Nascimento (*)

Atenção: Este texto não é recomendado pelos filólogos, lexicógrafos e demais especialistas da área. O conteúdo não é verdadeiro e não é recomendado para menores de 18 anos.
Se você gosta de falar um português politicamente correto, leia este texto com atenção, pois vem aí a nova reforma do português. Por exemplo, o termo “velho”, foi substituído por “idoso”, depois por “pessoa da terceira idade”, e, hoje, o politicamente correto é dizer “pessoa na melhor idade”. Com a reforma, esta expressão receberá outra denominação.
A reforma prevê a retirada do dicionário de termos politicamente incorretos, de gírias e de palavras de baixo calão, bem como de termos utilizados de forma inadequada, como por exemplo:
▪ Degringolar – utilizado para “cair, desabar”. Mas, o seu verdadeiro sentido é “tornar-se gringo, fazer o que os gringos fazem”, tem um caráter xenófobo [RETIRADO];
▪ Judiar/Judiaria – utilizado com o sentido de “maltratar, atormentar”. No entanto, o seu verdadeiro sentido é “fazer como os judeus, que mataram Jesus Cristo” [RETIRADO].
▪ Coitado – utilizado no sentido de “infeliz, digno de dó”. O sentido correto é a “pessoa que sofreu a ação do coito” [RETIRADO];
▪ Indiada – utilizado com o sentido de “fazer um programa de índio, algo desagradável, cansativo”. O sentido verdadeiro é “fazer um programa de índio, algo desagradável, cansativo” [RETIRADO]. Ops! Esta palavra já está sendo utilizada com o sentido verdadeiro, mas denigre a imagem dos índios. Ops! Denegrir também é um termo politicamente incorreto! Ops! As civilizações pré-colombianas não deveriam ser chamadas de “índios” pois nunca habitaram a India, este termo também deveria ser retirado! Ops! Mas se “indiada” não se relaciona com as civilizações pré-colombianas, seria então politicamente incorreto? Ops! Ops! Ops!…
▪ Denegrir – utilizado no sentido de “difamar, manchar a reputação”. O sentido correto é “tornar-se negro, fazer como os negros”, no sentido pejorativo [RETIRADO].
▪ Barbeiro: utilizado para definir “motorista sem habilidade”. O sentido correto é “profissional da barbearia” [RETIRADO para definir motorista sem habilidade].
▪ Minorias – utilizado para grupos sociais, mulheres, negros, etc. Quando estas minorias (mulheres no Brasil, negros na Bahia) se tornam maioria, além de politicamente, está matematicamente incorreto! [RETIRADO para definir maiorias].
Expressões regionais com sentido discriminatório, também serão retiradas do dicionário, como por exemplo:
▪ Negrinho – termo utilizado no Rio Grande do Sul para descrever o “doce de leite condensado com chocolate” [RETIRADO];
▪ Brigadeiro – utilizado para descrever o doce de leite condensado com chocolate. Os oficiais da aeronáutica reivindicam a não utilização deste termo para a denominação do tal docinho, pois não querem mais que alguém diga: “adoro comer um brigadeiro” [RETIRADO];
▪ Cacetinho – termo utilizado no Rio Grande do Sul para descrever o pão francês, pequeno. Costuma causar constrangimento para os gaúchos em padarias de outros estados [RETIRADO];
▪ A coisa tá preta – utilizada para descrever uma “situação difícil, indesejada”. Indiretamente quer dizer que “a situação se parece com a dos negros”, no sentido pejorativo [RETIRADO].
Por fim, gírias e termos de baixo calão serão substituídos por termos científicos:
▪ Saco cheio – será substituído por “bolsa escrotal aumentada”;
▪ Puto da cara – substituído por “pederasta da face”;
▪ Pentelho (no sentido de pessoa chata) – substituído por “pelo pélvico”;
▪ Filho da Puta – será substituído por “filho de uma provedora de serviços de cunho sexual”;
▪ Empregada – será chamada de “assistente multifuncional”;
▪ Anão – doravante denominado de “pessoa verticalmente prejudicada”.
Fazendo uma simulação da aplicação das novas regras, uma conversa entre dois universitários, na saída de uma prova, ficaria assim:
▪ Como foi na prova?
Acho que me fiz sexo comigo mesmo!
▪ Eu também. Fiquei pederasta da face com este professor, ele é um pelo pélvico encravado!
Que fezes! Eu estudei prá pão francês, dos grandes, e não adiantou nada!
Bem, a reforma ainda está em debate. Qual a sua opinião? Você é favorável a atualização do português politicamente correto? Ou você está com a bolsa escrotal aumentada desta discussão?
(*) Luis Felipe Nascimento é Professor na Escola de Administração da UFRGS
Contato: nascimentolf@gmail.com

27Mar
Contato

Tá na hora de reinventar o Brasil!

– 27 de março 2016

Luis Felipe Nascimento (*)

Em março de 2016 houve grandes mobilizações pró e contra o Governo Dilma. Só o fato das pessoas saírem as ruas para protestar ou para apoiar uma causa já é algo positivo, pois uma sociedade acomodada ou medrosa não muda a realidade que está inserida. Neste período, o cidadão comum passou a discutir se, no caso em questão, deveria ou não ter sido usado a “condução coercitiva”, se foi ilegal ou não o grampo telefônico, … No passado, diziam que éramos um país onde todos se sentiam técnicos de futebol, hoje parece que somos todos juristas. Aumentamos nosso vocabulário, mas não discutimos o fundamental: O que virá depois “do impeachment” ou do “não impeachment”?
Embora as manifestações tenham objetivos aparentemente contrários, nas conversas com os manifestantes se percebe que todos querem acabar com a corrupção e a retomada do desenvolvimento econômico. Não creio que algum brasileiro, com exceção dos que estão se beneficiando dela, defenda a corrupção. A diferença está na forma de fazer isto acontecer. Os defensores do Impeachment acreditam que o caminho passa pela derrubada do PT e da Dilma. Os defensores do “Não haverá golpe”, acreditam que é preciso garantir a democracia para retomada da estabilidade. O que vai mudar se o parlamento decidir pelo sim ou pelo não ao impeachment? Numa eleição, quando existem governantes com posições ideológicas opostas, o eleitor ao escolher um candidato, ele está apoiando determinada política econômica e prioridades para algum setor da sociedade. Neste momento, o impeachment ou não impeachment também representa uma escolha entre projetos. Existem muitas perguntas que precisam ser esclarecidas: Se vencer o “não” impeachment, como será superada a atual crise de confiança? Se vencer o “sim”, quem irá assumir a Presidência? Quem vai indicar e quem vai fiscalizar os novos diretores da Petrobrás? Como evitar novos, ou a continuidade de esquemas de corrupção? Ou seja, o que vai realmente mudar?
Hoje os poderes executivo e legislativo estão com baixa popularidade, mas a manchete do jornal diz que na nossa Suprema Corte, o juiz Fulano de Tal vota sistemáticamente contra o governo, já o juiz Beltrano é um aliado fiel ao governo. E se mudar o governo, vão se inverter as posições, o juiz Fulano de Tal será um aliado fiel ao novo governo e o juiz Beltrano votará sistemáticamente contra?
Parece que esquecemos que o papel do estado é prover os serviços básicos. Que o papel do parlamento é ouvir a sociedade e decidir pelo que é melhor para o país. Que a justiça é representada por uma mulher com uma venda nos olhos, uma balança numa mão e uma espada na outra. A venda é para evitar privilégios na aplicação da justiça. A balança pesa o direito que cabe a cada parte envolvida, e a espada é para defender o que é justo. Atualmente, seja na esfera nacional, estadual ou municipal, o executivo se tornou incapaz de cumprir o seu papel. O poder legislativo está desacreditado. Sobre o judiciário pesam muitas críticas. A crise nos mostra o que nós NÃO queremos. Agora temos que construir O QUE queremos! Acredito que a democracia é a melhor forma de governo, mas é bom lembrar que existem vários modelos de democracia e que outros podem ser criados. Nos diferentes modelos, varia o papel atribuído aos representantes no executivo e legislativo. A participação do cidadão não precisa mais ser exercida apenas nas urnas a cada 4 anos.
Por outro lado, algumas ONGs estão mobilizando a comunidade, desenvolvendo projetos de educação, energias limpas, transformando bairros e projetando o futuro das cidades. Algumas empresas estão abandonando os modelos tradicionais de gestão e se reinventando. Estão cocriando, estão envolvendo todas as partes interessadas na busca da melhor solução para cada problema. Internamente estão reduzindo níveis hierárquicos, descentralizando decisões e, seus funcionários veem sentido no que fazem e se identificam com os valores da empresa. Será que algo semelhante não pode ser feito no setor público? O Brasil tem hoje mais celulares do que habitantes. Grande parte da população tem acesso à internet. A tecnologia que temos hoje permite uma participação direta do cidadão em assuntos do seu interesse. Por que não consultá-lo sobre o que é mais importante para ele, para o seu bairro ou para a sua cidade?
Por fim, da crise pode nascer algo novo, fora do modelo tradicional, mas é preciso estimular este debate. O debate não deve ser polarizado em “mais ou menos Estado”, mas na forma de gestão do Estado. Qual a melhor forma de eleger controlar as ações dos nossos representantes? Por que não o voto distrital? Por que não uma constituinte exclusiva para redesenhar o Brasil? Não tá na hora de implantarmos um Sistema Parlamentarista? E a indicação dos juízes da Suprema Corte deve continuar sendo feita pelo(a) Presidente(a) da República? Tá na hora de reinventar o Brasil!
(*) Luis Felipe Nascimento é Professor na Escola de Administração da UFRGS.
Contato: nascimentolf@gmail.com