10Apr
Coluna Dominical

Hoje é meu aniversário de 57 anos !

-10 de abril 2016

Luis Felipe Nascimento (*)

Hoje é meu aniversário de 57 anos. Por alguns anos pensava que este era apenas mais um dia. Pode parecer um clichê, mas agora eu realmente acredito que cada dia, e cada ano de vida, deve ser vivido como se fosse o último, pois assim tentaremos fazer o que o nos parece ser o mais importante.

Qual o melhor presente que podemos receber? Creio que é a ajuda para obter uma conquista. Toda ajuda é bem vinda, desde o “que legal, vai em frente” até o “sou parceiro para colocar a mão na massa”. Qual o presente que nós podemos nos dar? Diria que é entrar de corpo e alma em busca desta conquista. Cada um busca um tipo de conquista, para mim, uma das maiores é a de transformar ideias em ações mobilizando pessoas, que pode ser uma ação com os alunos, na produção de um livro com 188 autores, de musical ou de qualquer outra coisa.

Por falar em colocar a mão na massa, imagine o bolo mais gostoso que você gostaria de comer. O fato dele não existir, ou de não estar disponível, não impede que você sonhe com ele. Para fazer com que o bolo imaginado  vá para a forma e depois para o forno, é preciso tomar a iniciativa, contar com a ajuda de outras pessoas e conseguir os recursos necessários. Pode ser que na primeira, segunda ou na décima vez, não tenha ainda atingido o sabor que você deseja, mas ele vai sendo aprimorado. Neste processo de aprendizagem, em que você interagiu com muitas pessoas, aquela receita deixou de ser “a sua receita” e passou a ser uma produção coletiva, uma cocriação. O resultado final será muito melhor do que você imaginou.   

O Musical da Sustentabilidade – “Canta-bilidade”- que você assiste neste video, foi a receita que eu imaginei e que foi cocriado com o apoio de muitas pessoas. Mas por que alguém, que não é músico, ator ou diretor, resolve compor canções, escrever um roteiro e produzir um musical? Não é para obter fama, poder ou dinheiro! A minha motivação é a mesma de quem torna a receita imaginária num bolo gostoso: é o prazer de criar, de compartilhar, de ensinar e aprender… e de fazer tudo isto com muita alegria.

Por fim, quero agradecer a todas pessoas que interagiram comigo ao longo destes últimos 365 dias, e em especial aos que contribuiram para que o Musical Canta-bilidade pudesse estrear no dia 2 de abril no teatro Araujo Vianna. O povo que lá estava aplaudiu e dançou junto com os atores, digo, com os pesquisadores que estavam no palco. Agradeço este presente e quero compartilhá-lo como você, como se fosse uma fatia do bolo do meu aniversário. O parabens é para vocês!

Obs: Este texto está disponível  em video no meu Facebook.  Assista também o video do Musical Canta-bilidade na íntegra em https://youtu.be/elltwIFE11E

(*) Luis Felipe Nascimento é Professor na Escola de Administração da UFRGS

Contato: nascimentolf@gmail.com

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03Apr
Coluna Dominical

Português politicamente correto: vem aí a nova reforma! (reprise)

– 03 abril de 2016

Luis Felipe Nascimento (*)

Atenção: Este texto não é recomendado pelos filólogos, lexicógrafos e demais especialistas da área. O conteúdo não é verdadeiro e não é recomendado para menores de 18 anos.
Se você gosta de falar um português politicamente correto, leia este texto com atenção, pois vem aí a nova reforma do português. Por exemplo, o termo “velho”, foi substituído por “idoso”, depois por “pessoa da terceira idade”, e, hoje, o politicamente correto é dizer “pessoa na melhor idade”. Com a reforma, esta expressão receberá outra denominação.
A reforma prevê a retirada do dicionário de termos politicamente incorretos, de gírias e de palavras de baixo calão, bem como de termos utilizados de forma inadequada, como por exemplo:
▪ Degringolar – utilizado para “cair, desabar”. Mas, o seu verdadeiro sentido é “tornar-se gringo, fazer o que os gringos fazem”, tem um caráter xenófobo [RETIRADO];
▪ Judiar/Judiaria – utilizado com o sentido de “maltratar, atormentar”. No entanto, o seu verdadeiro sentido é “fazer como os judeus, que mataram Jesus Cristo” [RETIRADO].
▪ Coitado – utilizado no sentido de “infeliz, digno de dó”. O sentido correto é a “pessoa que sofreu a ação do coito” [RETIRADO];
▪ Indiada – utilizado com o sentido de “fazer um programa de índio, algo desagradável, cansativo”. O sentido verdadeiro é “fazer um programa de índio, algo desagradável, cansativo” [RETIRADO]. Ops! Esta palavra já está sendo utilizada com o sentido verdadeiro, mas denigre a imagem dos índios. Ops! Denegrir também é um termo politicamente incorreto! Ops! As civilizações pré-colombianas não deveriam ser chamadas de “índios” pois nunca habitaram a India, este termo também deveria ser retirado! Ops! Mas se “indiada” não se relaciona com as civilizações pré-colombianas, seria então politicamente incorreto? Ops! Ops! Ops!…
▪ Denegrir – utilizado no sentido de “difamar, manchar a reputação”. O sentido correto é “tornar-se negro, fazer como os negros”, no sentido pejorativo [RETIRADO].
▪ Barbeiro: utilizado para definir “motorista sem habilidade”. O sentido correto é “profissional da barbearia” [RETIRADO para definir motorista sem habilidade].
▪ Minorias – utilizado para grupos sociais, mulheres, negros, etc. Quando estas minorias (mulheres no Brasil, negros na Bahia) se tornam maioria, além de politicamente, está matematicamente incorreto! [RETIRADO para definir maiorias].
Expressões regionais com sentido discriminatório, também serão retiradas do dicionário, como por exemplo:
▪ Negrinho – termo utilizado no Rio Grande do Sul para descrever o “doce de leite condensado com chocolate” [RETIRADO];
▪ Brigadeiro – utilizado para descrever o doce de leite condensado com chocolate. Os oficiais da aeronáutica reivindicam a não utilização deste termo para a denominação do tal docinho, pois não querem mais que alguém diga: “adoro comer um brigadeiro” [RETIRADO];
▪ Cacetinho – termo utilizado no Rio Grande do Sul para descrever o pão francês, pequeno. Costuma causar constrangimento para os gaúchos em padarias de outros estados [RETIRADO];
▪ A coisa tá preta – utilizada para descrever uma “situação difícil, indesejada”. Indiretamente quer dizer que “a situação se parece com a dos negros”, no sentido pejorativo [RETIRADO].
Por fim, gírias e termos de baixo calão serão substituídos por termos científicos:
▪ Saco cheio – será substituído por “bolsa escrotal aumentada”;
▪ Puto da cara – substituído por “pederasta da face”;
▪ Pentelho (no sentido de pessoa chata) – substituído por “pelo pélvico”;
▪ Filho da Puta – será substituído por “filho de uma provedora de serviços de cunho sexual”;
▪ Empregada – será chamada de “assistente multifuncional”;
▪ Anão – doravante denominado de “pessoa verticalmente prejudicada”.
Fazendo uma simulação da aplicação das novas regras, uma conversa entre dois universitários, na saída de uma prova, ficaria assim:
▪ Como foi na prova?
Acho que me fiz sexo comigo mesmo!
▪ Eu também. Fiquei pederasta da face com este professor, ele é um pelo pélvico encravado!
Que fezes! Eu estudei prá pão francês, dos grandes, e não adiantou nada!
Bem, a reforma ainda está em debate. Qual a sua opinião? Você é favorável a atualização do português politicamente correto? Ou você está com a bolsa escrotal aumentada desta discussão?
(*) Luis Felipe Nascimento é Professor na Escola de Administração da UFRGS
Contato: nascimentolf@gmail.com