03Sep
Coluna Dominical

Solidariedade pontuada! 

– 3 de setembro de 2017

Luis Felipe Nascimento (*)

Ao utilizamos algum serviço via telefônico, ao final, o atendente nos pede para avaliarmos o seu serviço, o mesmo acontece em muitos outros serviços. Existe também a avaliação recíproca: no Uber entre passageiro e motorista e no AirB&B entre anfitrião e morador. No TripAdvisor, os pontos são atribuídos pelos usuários ao hotel, ao restaurante e também aos locais turísticos. Até em redes profissionais, como o LinkedIn, esse sistema é utilizado, pois uma pessoa pode avaliar as habilidades dos amigos e atestar se o fulano sabe falar inglês fluentemente ou se o beltrano é conhecedor de tais e tais temas. 

Pois observando tudo isto, perguntei a mim mesmo: – Por que não temos um aplicativo que nos permita avaliar a solidariedade das pessoas, de acordo com seus atos de bondade com o próximo? Sei que quem faz isto, não faz para ganhar uma qualificação positiva ou para atingir alguma pontuação, mas eu gostaria muito de dar nota 10 para tanta gente querida que nos apoiou nos momentos mais críticos da internação do meu irmão Luiz Henrique (Ike), que há sete dias atrás, estava bem, conversando, quando sentiu uma pequena dor no intestino e poucas horas depois, já estava numa sala de cirurgia para corrigir uma hérnia inguinal. Parecia um procedimento simples, mas então surgiram complicações que exigiram mais duas cirurgias, sendo que num certo momento o seu estado de saúde foi considerado como gravíssimo. Superada esta fase crítica, passamos a chamá-lo de Luiz Henrique re-Nascimento. Quanto valem as orações e as boas energias enviadas por tantas pessoas, que sequer o conhecem? Como quantificar a preocupação dos amigos e familiares, querendo saber do seu estado e de como poderiam ajudar? Quantos pontos deveríamos atribuir às pessoas que compartilharam um pedido de doação de sangue e que mobilizam seus contatos? Quantas estrelas se poderia dar à uma pessoa que atravessou a cidade, abrindo mão do seu trabalho ou lazer, para doar sangue? 

A bondade expressada das mais diversas formas não tem preço, já que não se pode recompensar… mas tenham a certeza que todas estas pessoas foram colocadas dentro de uma gavetinha, bem juntinhas, e vão ficar para sempre nos nossos corações. Acredito que gentileza gera gentiliza, assim como solidariedade gera solidariedade. Qualquer demonstração de amor desencadeia uma corrente que não sabemos aonde vai parar. Deixaremos ao banco de sangue do hospital, uma quantia maior do que a que foi utilizada pelo Ike, o que ajudará muitas outras pessoas. 

Depois deste período de CTI, em breve ele deverá ir para o quarto e logo poderá retornar ao convívio da família. E, se Deus quiser, tudo vai terminar bem. É difícil identificar todos que, de alguma forma, se envolveram nesta corrente, mas isto não importa, pois certamente sairão todos com a alma leve e felizes por terem contribuído. O Ike sobreviveu graças ao sangue doado, ao apoio dado e pelas orações de cada um de vocês. Cora Coralina em seu poema “Sou feita de retalhos” diz: “… são pedaços de outras gentes, que vão se tornando parte da gente também …. que me tornam mais pessoa, mais humana, mais completa”. Beijos e gratidão a todos.

(*) Luis Felipe Nascimento é Professor na Escola de Administração da UFRGS

Contato: nascimentolf@gmail.com

27Aug
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Momentos da Vida

27Aug
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Comunicação Não Violenta e a Alimentação

– 27 agosto de 2017

Dra. Silvia Bruzetti (*)

O que um Curso de Comunicação Não Violenta (CNV) tem a ver com Alimentação, com um Profissional chamado Nutricionista?

Talvez esta seja a primeira perguntar que você faça ao ler esta chamada…

Lembro-me do 1 º do dia no curso…

Havia vários profissionais:   professores, gestores, funcionários do Poder Público, psicólogas,     

coaches , mães …

E eu, era a única Nutricionista.

A princípio, senti-me diferente, em um Universo Único, agraciada pela oportunidade recebida.

Porém, aos poucos, fui percebendo que todos nós tínhamos algo em comum: falar sem ferir, sem    

julgar, sem apontar… Ter uma escuta empática e ao mesmo tempo colocando as nossas necessidades e acolhendo a necessidade do outro.

Nossa! Que grande desafio havia sido lançado a todos nós naqueles dias.

A CNV nos leva a treinar o nosso olhar para o ser humano, aplicando uma escuta empática, sem julgamento e a perceber as necessidades que levam as pessoas a   gerarem um comportamento e por consequência uma ação.

Quando somos treinados a ter esse olhar, nos tornamos mais sensíveis, mais humanos, mais atenciosos conosco e com o próximo.

Ao usarmos a CNV com o Paciente, entramos em conexão com o seu Universo e usando a escuta empática, não há julgamentos ou apontamentos. E sim, compreender a real necessidade de quem está a nossa frente, que geralmente busca o equilíbrio alimentar e não simplesmente a dieta.

O contexto da Alimentação Saudável fica mais fácil de ser apresentado, sem proibições ou restrições, trazendo a possibilidade de sugerir ao Cliente, a capacidade de empoderamento em fazer boas escolhas bem como a ingestão da quantidade adequada de acordo com as suas necessidades diárias.

Quando usamos a CNV, com todos os recursos que aprendemos, nosso trabalho técnico se torna humano e abrimos um mundo novo ao Paciente, levando-o a aprimorar as suas escolhas, eliminado a culpa, a sabotagem. É convidado a tomar consciência da sua real necessidade consumindo apenas o que precisa sem excessos ou restrições, ajudando-o então, a encontrar o seu equilíbrio na ingestão alimentar.

Infelizmente, nós, Nutricionistas, somos vistos como o Profissional que irá policiar, tirar, proibir tudo o que é gostoso e introduzir a palavra dieta, como se condenasse o indivíduo a estar em DIETA eternamente…

O Profissional Nutricionista além de um técnico em alimentação, e´ um educador que poderá usar várias ferramentas, dentre estas a CNV, para acessar o Universo tão complexo da Mente Humana e com isso conseguir o que mais deseja como resultado final do seu trabalho: o uso do Plano Alimentar Saudável sem culpa, sem medo, sem restrições pelo Indivíduo, que finalmente conseguirá perceber que a comida representa apenas uma, das muitas coisas importantes na sua vida.

(*) Dra. Silvia Bruzetti é Nutricionista – CRN3/3387

Contato: silviabruzetti@hotmail.com