Luisfelipenascimento – Page 3 – Everybody 4 the World
02Jul
Coluna Dominical

Teu bom humor é irritante!

– 1 de julho de 2018

Luis Felipe Nascimento (*)

Conheço uma pessoa que levanta às 6 da manhã, sempre bem humorada, o que irrita os que convivem com ela.  Achei o fato curioso, pois outras que conheço levantam mal-humoradas, só melhorando esse estado por volta das 10h e tem ainda as que nem depois desse horário conseguem melhorar. Agora fico pensando… Será que o humor depende das variações hormonais, do momento que a pessoa está vivendo ou da perspectiva pela qual enxerga a vida? O que torna uma pessoa bem-humorada ou mal-humorada?

Conheci recentemente uma palavra que me despertou muita curiosidade. Você sabe o significado da palavra grega eudaimonia? Esse termo, para os antigos filósofos, significava a felicidade máxima. Aristóteles dizia que a felicidade é a vida plenamente realizada, por isto não é alcançável imediata e nem definitivamente, mas um exercício cotidiano que o ser realiza durante toda a existência. Atualmente, ela é usada para significar “felicidade de longo prazo”, aquela que é vivenciada quando a pessoa está feliz de ser quem ela é,  orgulhosa do seu crescimento pessoal.

Já o hedonismo é a “felicidade de curto prazo”, é a busca pelo prazer imediato ou aquele estímulo aos nossos sentimentos e emoções que ocorrem numa festa, numa viagem ou mesmo quando encontramos amigos. Este sentimento dura pouco tempo e precisa de um ambiente amigável, pois os problemas afetam a felicidade hedonista. Portanto, hedonismo e eudaimonia possuem significados diferentes, mas são complementares.

Mas, afinal, o que tudo isso tem a ver com o bom humor? Já vamos chegar ao ponto… Perceba que as pessoas bem-humoradas muitas vezes não são ricas, bonitas, saudáveis ou cheias de sucesso, elas são pessoas comuns, como tantas outras e, por vezes, até passando por problemas. Me arrisco até a dizer que o bom humor é uma expressão de quem está feliz consigo mesma, feliz de ser quem é, por conseguinte, vive a felicidade eudaimônica. Talvez até seja uma escolha, pois embora nem tudo esteja acontecendo como ela gostaria, mesmo assim ela opta por permanecer de bom humor.

Viver uma felicidade de longo prazo não significa estar feliz o tempo todo, pois ao longo da vida todas as pessoas passam por perdas, por frustrações, por dores que lhes causam infelicidade. Umas conseguem superar estes momentos e voltam a ser felizes, outras não. As pessoas que superam a dor e vivem a “felicidade máxima possível” possuem algumas características comuns: são generosas, oferecem ajuda antes que alguém peça e sentem prazer em ajudar. Também sabem ouvir as outras e são capazes de aceitar as suas imperfeições e a dos outros. Elas se alegram com a felicidade do outro.

Sendo assim, creio que podemos dizer que as pessoas que já acordam de bem com a vida refletem exteriormente a felicidade suprema que estão vivenciando. Se elas estão de bem consigo mesmas, provavelmente isso as leve a uma harmonização com o mundo que a cerca. Mas por que as pessoas felizes irritam tanto as mal-humoradas? Ah, boa pergunta! Alguém saberia me responder?  

(*)  Luis Felipe Nascimento é Professor na Escola de Administração da UFRGS.

Contato:nascimentolf@gmail.com

24Jun
Coluna Dominical

Somos vítimas das circunstâncias?

  • – 24 de junho de 2018

Luis Felipe Nascimento (*)

Sabemos que somos resultado do encontro de um espermatozoide com um óvulo e que numa ejaculação humana são liberados de 200 a 500 milhões deles, mas apenas um único fecundará o óvulo. Os espermatozoides são como mísseis que carregam cargas genéticas diferentes. Um deles carregava uma determinada bagagem genética que resultou em mim e por isso eu existo, mas se um outro tivesse fecundado, resultaria na vida de um irmão meu. E aí ficam os questionamentos: Eu existo porque o espermatozoide com cromossomo Y que “me” carregava foi o vencedor? Ou “eu” já estava nos planos de alguma força superior? Afinal, por que a minha vida foi gerada?

Esta história fica ainda mais difícil de entender se considerarmos a dimensão geográfica, o local onde ocorre uma fecundação. Imagine uma fecundação que tenha ocorrido no útero de uma mãe que vive numa região paupérrima na África. As chances de sobrevivência desta criança e as suas perspectivas na vida certamente seriam muito diferentes das que desfrutam os nossos filhos.

Agora considere a dimensão tempo, o momento em que ocorreu esta fecundação. Imagine um casal de alemães de classe média alta que teve um filho em 1995. Aos 19 anos, provavelmente este menino já estaria na universidade e talvez tivesse vindo ao Brasil em 2014 ver a Alemanha ser campeã mundial de futebol. Provavelmente ele está tendo as mesmas oportunidades dos milhões de jovens alemães que vivem numa Alemanha rica e que oferece boa qualidade de vida à sua população. Mas, se esta mesma família tivesse vivido na primeira metade do século XX, e tivesse tido este garoto em 1920, com 19 anos ele estaria indo para a guerra e provavelmente teria o mesmo destino dos milhões de jovens daquela geração, morrer na guerra.

Na canção “Toda Forma de Amor”, Lulu Santos diz: “Eu não pedi pra nascer. Eu não nasci pra perder. Nem vou sobrar de vítima das circunstâncias…”. Eu me questiono: será mesmo que não somos vítimas das circunstâncias? Por que a carga genética, o local ou a época em que ocorreu esta fecundação influenciam tanto na vida que foi gerada? Por que isto acontece? Resolvi fazer esta pergunta para quatro pessoas inteligentes com diferentes perspectivas. Relato a seguir as manifestações delas sobre “por que isto acontece?”

– Opinião do Católico: – A fecundação e a vida são mistérios que desconhecemos e, portanto, só nos resta admirá-los e tornar esta vida a melhor possível. Tudo é fruto de criação de Deus e ele quer a nossa felicidade.

– Depoimento do Ateu: – Sim, somos vítimas das circunstâncias! Todas estas questões são o resultado de probabilidades, mero acasos. Como existem muito mais óvulos sendo fecundados em úteros de mães pobres, é provável que o próximo óvulo a ser fecundado seja de uma mãe pobre.

– Visão do Espírita: – Nós não pedimos para nascer, nós imploramos! Quando estamos apenas espíritos, sabemos da necessidade de voltar ao corpo, então planejamos nossa reencarnação (características genéticas, local, família, dificuldades a enfrentar, etc.) para cumprir as provas necessárias para nossa evolução. Portanto, nada é obra do acaso ou coincidência, tudo faz parte de um planejamento evolutivo.

– Perspectiva antroposófica: – Sim, pedimos para nascer. A geração de uma vida é algo magnífico e perfeito. Desde o encontro do óvulo com o espermatozoide, as divisões celulares, a formação dos órgãos, tecidos e o desenvolvimento deste ser, tudo é divino. Não há como não pensar este processo está ligado a algo superior, espiritual, uma obra de algum deus.

E você, já havia refletido sobre isto? Na sua opinião, entre milhões de possibilidades, você foi o bilhete premiado, pelo fato do espermatozoide que carregava o seu genoma ter sido o que fecundou o óvulo, ou isto já estava nos planos de alguma força superior? Ou você teria alguma outra explicação de por que a sua vida foi gerada?

(*) Luis Felipe Nascimento é Professor na Escola de Administração da UFRGS.

Contato: nascimentolf@gmail.com

17Jun
Coluna Dominical

Onze homens e uma Paixão

17 de junho de 2018

Luis Felipe Nascimento (*)

Onze homens e uma Paixão conta como o futebol se tornou o esporte mais popular do mundo e diz que, a cada dia, está mais difícil de continuar apaixonado pelo futebol. Esta história foi transformado num clipe com a locução de Lauro André Ribeiro. Confira o clipe de 5 minutos em  https://youtu.be/YK4IE8Q9aHc

(*) Luis Felipe Nascimento é Professor na Escola de Administração da UFRGS

Contato: nascimentolf@gmail.com