28Dec
Coluna Dominical

Desejos para 2015!

– 28 de dezembro de 2014

Luis Felipe Nascimento (*)

Ao final de cada ano as videntes fazem as previsões para o próximo ano e cada um de nós faz a sua lista de desejos. Desde que a Mãe Dináh não conseguiu prever a sua morte em 2014, muita gente anda meio descrente das videntes, mas continua com a lista de desejos. Os meus desejos para 2014 foram quase todos atendidos. Vejam só:

– Que o Sarney se aposentasse (atendido);

– Que o Inter se classificasse para a Libertadores e que o Grêmio desse o seu melhor. Resultado: Inter classificado e Grêmio foi sétimo colocado – “deu o seu melhor!” (atendido);

– Que o Brasil fosse campeão mundial usando a sua habilidade com os pés. Este pedido não foi bem “entendido”, mas foi “atendido”. Obrigado Gabriel Medina, campeão mundial no Surfe;

– Que a justiça lavasse a sujeira deste país! E veio a operação “lava-jato” (parcialmente atendido);

– Que a COP 20 – Convenção das Mudanças Climáticas – tivesse sucesso. Pintou um “clima” de esperança para a COP 21 em Paris-2015 (parcialmente atendida);

– Que os líderes mundiais fizessem alguma coisa boa pelo Mundo. Além de ajudar o San Lorenzo, o Papa Chico intermediou a aproximação dos EUA e Cuba (atendido);

Mas, para que ninguém duvide de que os meus votos foram realmente feitos na virada do ano de 2013/2014, vou divulgar na virada de 2014/2015 os meus votos para 2015:

– Fazer exercícios físicos com regularidade;

– Emagrecer mediante uma reeducação alimentar;

– Encontrar os amigos com mais frequência;

– Dedicar mais tempo ao lazer;

– Ser mais eficaz, eficiente e efetivo no trabalho;

– Fazer a minha parte para melhorar o mundo;

– Lutar contra toda forma de preconceitos;

– Ser mais solidário;

– Escutar mais os outros;

– Que os leitores da Coluna Dominical sejam muito felizes e que tenham seus desejos atendidos.

Com todo o respeito a numerologia, astrologia e todas as ciências, crenças e religiões, “2015” é o 2º (= vinte) ano da “C-o-l-u-n-a D-o-m-i-n-i-c-a-l”, que tem 15 letras. Segundo a astrologia chinesa, 2015 é o ano do carneiro, que é imaginativo e criativo. Então, sendo imaginativo, podemos concluir que 2015 é o ano para ler a Coluna Dominical e que, se os meus desejos forem atendidos, os seus também serão! Agora, se você não acredita em nada disto, veja da seguinte forma: independente das condições, as coisas poderão dar certo ou errado para você em 2015, então, por que não acreditar e batalhar para que elas deem certo? Acredite, este é o ano, você vai bombar! (veja nossa mensagem caseira – https://www.youtube.com/watch?v=GW_5xUv0iyI ).

Um Feliz 2015 para todos nós!

(*) Luis Felipe Nascimento é Professor na Escola de Administração da UFRGS

Contato: nascimentolf@gmail.com

Obs 1: Obrigado amiga Neusa Cavedon pelas dicas para esta Coluna;

Obs 2: Leia “Ano Novo – Lentilha e roupa branca?” em http://luisfelipenascimento.net/?p=1416

 

29Dec
Coluna Dominical

Ano Novo – Lentilha e roupa branca?

 

– 29 de dezembro 2013

Luis Felipe Nascimento (*)

Feliz Ano Novo! Mas por que fazemos isto no dia primeiro de janeiro? Ora, porque o ano começa no primeiro dia de janeiro! Parece óbvio, mas não é! Vocês já se perguntaram por que o ano não começa em 26 de dezembro? Acompanhem o raciocínio: Nós consideramos o nascimento de Jesus Cristo como marco zero da era cristã. Assim como nós contamos os nossos anos de vida a partir do dia do nosso nascimento, deveríamos contar os anos da era cristã a partir do nascimento de Cristo (DC), concordam? Então, por que iniciar a contagem uma semana depois da data do nascimento de Cristo?

Bem, este é só mais uma dos fatos históricos que não fazem muito sentido. Vejam por exemplo o calendário Gregoriano, que nós utilizamos hoje. Este calendário foi instituído pelo Papa Gregório XIII em 1582, em substituição ao calendário instituído por Júlio César, 46 anos antes de Cristo. No calendário Gregoriano o ano é composto por sete meses com 31 dias, 5 meses com 30 dias, fevereiro com 28 dias e, quando bissexto, com 29 dias. A “segunda”-feira é o “primeiro” dia útil da semana. Vejam só que confusão!

O calendário Gregoriano foi sendo implantado nos diferentes países ao longo dos séculos, mas ainda hoje existem povos que se orientam por outros calendários, como o calendário Budista que está no ano 2557, o hebreu entre 5773-5774, o Islâmico entre 1434-1435, entre outros.

Tudo seria mais simples se utilizássemos o calendário lunar dos Maias e dos Egípcios. Durante uma volta da Terra ao Sol, se passam 13 luas. Logo, basta dividir o ano em 13 meses iguais, todos de 28 dias, totalizando 364 dias. Sobra um dia. No calendário Maia, o ano inicia em 26 de julho e termina em 24 de julho do ano seguinte, sobrando o dia 25 de julho, como o “dia fora do tempo”, um dia para libertar-se da prisão do tempo. Os egípcios celebravam na data de 26 de julho o início do ano novo e o princípio das cheias do Rio Nilo, que traria abundância.

Em 1849 o filósofo positivista Auguste Comte propôs um calendário que também dividia o ano em 13 meses de 28 dias. Recentemente o arqueólogo americano José Arguelles conseguiu o apoio do Secretário Geral da ONU e está liderando um movimento pela reforma do nosso calendário, passando a utilizar um calendário de 13 meses. Arguelles diz que a nossa civilização esqueceu que o tempo está relacionado com os ciclos naturais e que monetizou o tempo: “tempo é dinheiro”. Se o movimento pela reforma do calendário ganhar força, é possível que os nossos netos comemorem a entrada do ano no dia 26 de julho.

Na nossa cultura, a virada de ano também é um momento de renovar esperanças. Nós incorporamos alguns rituais que visam dar sorte no ano que se inicia. Algumas pessoas utilizam roupa nova no réveillon e peças de roupas com cores relacionadas a determinados significados: branco (paz e harmonia), vermelho (força e paixão), amarelo (dinheiro e prosperidade), laranja (sucesso), azul (harmonia e paz) e verde (saúde, esperança e equilíbrio). Existe também a crença de que comer determinados alimentos trará alguns benefícios, como por exemplo: lentilha (sorte financeira); romã (fertilidade e prosperidade); uvas (prosperidade); carnes de boi, porco e cordeiro (o porco fuça para frente, o que simboliza prosperidade. Mas cuidado, aves são contraindicadas, pois elas ciscam para trás); frutas cristalizadas e secas (pêssego, figo, amêndoas, nozes, avelãs e tâmaras significam sorte e fartura). Obviamente não pode faltar a Champanhe, símbolo da comemoração, da alegria e da abundância.

Para conseguir seus desejos, há quem acredite e pratique coisas estranhas como: a meia noite do dia 31 de dezembro, colocar uma folha de louro na carteira; dar três pulos com o pé direito e beber três goles de champanhe; comer sementes de uva e romã; ou para quem quer viajar, arrastar uma mala até a porta da casa.

A virada do ano faz muitas pessoas refletirem sobre a vida. Alguns são otimistas e dizem que será “mais um ano de vida”. Já os pessimistas dizem que será “menos um ano de vida”, como se tivessem uma data estabelecida para morrer. Poucas são as pessoas que consideram que o “ano novo” será a colheita do que foi plantado no “ano velho”.

Assim como o Natal, o Ano Novo tem um significado especial, é o início de um novo ciclo. A vida funciona em ciclos. Depois do dia vem a noite; depois do inverno vem o verão; depois da juventude vem a velhice… e o tempo não pára, mas a nossa relação com ele pode ser diferente no próximo ano. A cada ciclo que se completa, podemos aprimorar as nossas vidas, sermos pessoas melhores e mais felizes. Que as crenças populares da folha de loro na carteira, de usar roupa branca e comer lentilha, não sejam mais do que brincadeiras. Que as nossas verdadeiras crenças e nossas energias sejam para encher de sentido as palavras que mencionaremos na virada: “paz”, “harmonia”, “saúde”, “felicidade”!

Um feliz Ano Novo para TODOS nós.

(*) Luis Felipe Nascimento é professor na Escola de Administração da UFRGS.

Contato: nascimentolf@gmail.com

Três coisas que não podem faltar no Natal !

22Dec
Coluna Dominical

Três coisas que não podem faltar no Natal !

– 22 de dezembro 2013:

Luis Felipe Nascimento (*)

O que não pode faltar num Natal? Para as crianças, certamente são os presentes e o Papai Noel. E para os adultos, quais seriam os itens fundamentais para fazer um bom Natal? Vocês já se perguntaram: por que o Natal é diferente de qualquer outro feriado? Na noite de Natal quase não tem assaltos, reduz o número de acidentes, são poucas as brigas e, desconfio que até o número de mortes naturais diminuam (morrem os bêbados e os deprimidos, os que estavam sozinhos, sem amigos e família). O Natal é um momento mágico, algo de diferente acontece nos nossos corações! Neste dia nos tornamos pessoas diferentes.

Nós, que somos tão críticos com as evidências científicas: questionamos se o homem foi ou não a Lua; se o cigarro causa ou não câncer; se o Planeta está ou não aquecendo; etc, etc. Somos críticos com tantas coisas, mas aceitamos a história oficial do Natal, que diz que José e Maria estavam fugindo do recenseamento que estava sendo feito por Herodes na Galiléia e, que na noite de 24 de dezembro, pernoitaram nas imediações de Belém, num presépio (local onde se recolhe o gado), quando nasceu Jesus, filho da virgem Maria e do Espírito Santo. Este dia marcou o início da nossa era, o ano zero da era cristã. Quando nos referimos a um determinado ano, estamos fazendo uma referência a “x” anos após o nascimento de Jesus. Praticamente todos os dias reconhecemos e validamos a história oficial do nascimento de Jesus.

Analisando o que dizem os evangelistas, historiadores e o próprio Papa, percebe-se que nada disto é verdade. Segundo Lucas e Mateus, Jesus teria nascido durante o reinado de Herodes, portanto ele teria nascido entre os anos 6 e 4 a.C (antes dele mesmo). Os historiadores dizem que Jesus nasceu na Galiléia, mas que os evangelistas afirmam que foi em Belém para relacionar o nascimento de Jesus com à profecia de Miqueias, que dizia que o messias esperado pelos judeus nasceria em Belém. O equívoco não foi só do lugar e do ano. Segundo os historiadores, a noite de 24 de dezembro foi escolhida para se contrapor à principal festa pagã dos romanos (Sol Invencível) data em que celebravam o solstício de inverno (a noite mais longa do ano). Como a história do nascimento de Jesus em 24 de dezembro “implacou”, no ano 354, os romanos resolveram pegar uma carona e cristianizaram a sua festa chamando-a de “Natalis Solis Invicti” (nascimento do sol invencível).

O Papa Bento XVI em seu livro “Jesus de Nazaré” afirma que no local onde Jesus nasceu não haviam animais, e que esta ideia teria sido criada pelos hebreus no século VII. Portanto, o burro e a vaca foram retirados do presépio, vão ter que sair da foto. Se os historiadores e o Papa estiverem certos, a história oficial do Natal é construção feita pelo homem, muitos anos depois do nascimento de Jesus. Quanto a existência de Jesus, mesmo os mais críticos historiadores concordam que ele existiu e dizem que, negar a sua existência seria como negar a existência dos reis e imperadores da época. Quanto aos poderes a ele atribuídos, bem isto ficam por conta da religião e da fé de cada um.

Não contentes com estas construções históricas do Natal, criamos a figura do Papai Noel, que mora no Polo Norte (versão americana) ou na Lapônica – Finlândia (versão européia). Originalmente, o São Nicolau (Papai Noel europeu) vestia os trajes de bispo, na cor castanha e, no dia 6 de dezembro (dia de São Nicolau) distribuía presentes para as crianças. Mais tarde o comércio criou a tradição de, no dia 24 de dezembro, imitar os três Reis Magos (que Bento XVI diz não serem reis e sim sábios), e dar presente para as pessoas que amamos. Se as datas fossem levadas a sério, a entrega dos presentes deveria ser no dia 6 de janeiro (Dia de Reis), dia em que os Magos do Oriente entregaram os presentes. Ora, dar presentes no dia 6 e 24 de dezembro e no dia 6 de janeiro, levaria as famílias a falência. Então foi unificado para o dia em que Jesus nasceu. Agora imagine chegar alguém na sua casa, vestido de bispo, com um saco de presentes nas costas! Não teria graça nenhuma. As crianças ficariam com medo. Precisava de mais charme, mais cores, mais fantasia. Em 1931 a Coca-Cola Company, numa ação de responsabilidade social, vestiu o Papai Noel de vermelho (por coincidência, a sua cor). Se a Pepsi-Cola tivesse tido esta ideia, hoje o Papai Noel vestiria uma tunica vermelha, calça azul e um cinturão branco. Há quem diga que, no início do século passado, existiam diferentes formas de Papai Noel, vestindo diversas cores, entre elas o vermelho. Portanto a Coca-Cola teria apenas padronizado e difundida esta imagem que temos hoje. Dizem também que a lenda do trenó puxado pelas renas voadoras vem dos povos xamânicos, da Sibéria. O termo “Papai Noel” não é uma tradução de outras línguas. Em diferentes países, ele possui nomes distintos: Santa Claus (EUA e Canadá), Nikolaus ou Weihnachtsmann (Alemanha), Viejito Pascuero (Chile), etc. Independente do nome, das roupas e das lendas, nas últimas décadas passamos a nos emocionar com este dia tão especial, que faz parar o mundo.

O Mundo? Digo, o mundo ocidental. Em 1993, eu e minha esposa passamos o Natal em Istambul/Turquia. No dia 24 de dezembro não havia em Istambul nenhum sinal de Natal nas lojas, nas ruas e ninguém sabia o que era Natal. No hostel em que estavamos hospedados, foi feita uma festa para os ocidentais, que mais parecia a uma comemoração de final de copa do mundo do que uma festa de Natal. Bebemos, comemos, cantamos, mas ninguém deu presente para ninguém e não estavamos com os nossos amigos e familiares, então, para mim, aquilo não era Natal.

Por isto, não importa se a história oficial é ou não uma construção histórica, se foi ou não a Coca-Cola que vestiu de vermelho o Papai Noel, se você acredita ou não em Deus, celebre na noite de 24 de dezembro o seu Natal. Para ter um Feliz Natal, você precisa de apenas três coisas: “presente” (qualquer coisa num pacotinho enfeitado), “comida” (não precisa ser aquela ceia maravilhosa) e “amigos/familiares” (seja uma pessoa ou toda a família). Em nenhum outro dia do ano, as pessoas comem juntas, se abraçam e dão presentes umas para as outras. Só na noite de Natal. Este sentimento pode ser sintetizado numa única palavra: “fraternidade”. Neste dia nos sentimos irmãos, somos capazes de acolher um mendigo, de cumprimentar um adversário e de seremos fraternos. Um Feliz Natal e um abraço fraterno para todos vocês.

(*) Luis Felipe Nascimento é professor na Escola de Administração da UFRGS.

Contato: nascimentolf@gmail.com