19Aug
Coluna Dominical

O melhor da viagem é o viajante

– 19 de agosto de 2018

Luis Felipe Nascimento (*)

Adoro Chicago, amo o Rio de Janeiro, Paris é linda, Buenos Aires é encantadora, Florença é romântica, Gramado é um charme… são os comentários de alguns viajantes a respeito desses lugares. Outros passaram por estas mesmas cidades e só tem reclamações, seja porque estava calor ou frio, porque o voo atrasou, por causa dos preços, e assim por diante…

Acredito que todas as cidades, regiões e países possuem seus problemas e seus encantos, mas o que nos leva a gostar ou não de um determinado roteiro é o que estamos sentindo naquele momento, é o olhar que estamos tendo para com o mundo. Um casal apaixonado certamente gostará de estar em Las Vegas e, uma lua de mel em Gramado, certamente será inesquecível, não interessando se fez muito calor numa ou muito frio na outra. 

Se a viagem, para ser boa ou ruim, dependerá do nosso estado de espírito, então podemos até arriscar a dizer que o lugar não é o principal! Imagine se o encontro dos apaixonados ocorresse em Cubatão, talvez esse lugar fosse eternizado em suas memórias. Mesmo que os lugares sejam lindos, famosos, encantadores, o que fará com que gostemos ou não será o que estamos levando dentro de nós. 

Agora faça um exercício e busque em suas memórias, qual a cidade/local que você visitou e que mais gostou. Agora tente lembrar de como estava o seu estado de espírito nesta viagem. Com quem você estava? O que fez sentir com que te sentisses tão bem naquele lugar?  Então, confirmou o que citei antes?

Viajar, para muitas pessoas, é um prazer. Dentre as coisas que os turistas apreciam estão a compra de lembranças típicas dos locais visitados e experimentar a culinária local. Nas minhas viagens, eu costumava fazer muitas fotos e depois organizava álbuns ou apresentações de slides para a família e amigos. Certa vez, viajando com o meu sogro, ele me disse: “vai faltar gente para ver tanta foto”. Percebi que, por mais bela que fosse a foto, nunca conseguiria transmitir a sensação que tive ao estar naquele determinado local. Mostrar as centenas de fotos e slides se transformava numa tortura para quem assistia. Nas últimas viagens quase não fiz fotos, preferi viver sensações, momentos que se tornassem inesquecíveis para mim. Pedalar por um parque se tornou mais importante do que subir no ponto mais alto da cidade. Passei a fazer poucas fotos, mas ainda acho legal compartilhar algumas fotos e vídeos e faço isto no sentido de estimular que outras pessoas venham a conhecer estes lugares. 

Concordo com quem disse que os que amam a vida e que estão felizes, conseguem fazer dos pequenos momentos, eventos especiais. Deitar na grama, molhar os pés na praia, andar de roda gigante, curtir um por de sol são momentos que podem se tornar inesquecíveis. Então, se você não estiver bem com você ou com os seus acompanhantes, transfira a viagem, pois provavelmente ela não será legal. Poucas pessoas, ao planejar uma viagem, lembram deste detalhe. Na sua próxima viagem, inicie o planejamento arrumando primeiro o seu espírito e depois a mala. Se for convidar alguém para ir com você, que seja alguém que leve muito bom humor e energia positiva na bagagem. Reflita sobre isso e transforme seu próximo roteiro, numa viagem inesquecível!

(*) Luis Felipe Nascimento é “aluno titular” da Universidade da Califórnia Santa Barbara

Contato: nascimentolf@gmail.com

4 thoughts on “O melhor da viagem é o viajante

  1. Magda Brancher Gravina Reply

    Ótimo e verdadeiro texto professor!
    Lembrei da nossa viagem com a turma do Mestrado para Mostardas, lembrei do ônibus da “Trans Gilson” e da pá sob o banco do motorista, usada mais tarde para “desatolar” o ônibus.
    Foi uma viagem com alguns percalços, inclusive quanto ao hotel (lembras?) mas foi uma viagem linda, que ficará para sempre na minha memória. Estava feliz e ao lado de pessoas muito queridas.

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