24Feb
Coluna Dominical

Mapas não me ensinam a viajar

– 24 de fevereiro de 2019

Luís Felipe Nascimento (*)
Patrícia Tometich (**)

Algumas pessoas gostam de viajar e outras não. As que gostam, possuem diferentes motivações e objetivos para realizar suas viagens, tais como: conhecer culturas, histórias, pessoas; buscar novos horizontes, alternativas de vida, conhecimento específico; fazer compras, postar fotos nas redes sociais, etc. As motivações e objetivos podem variar, mas a viagem sempre nos torna diferentes do que éramos.
Por muitos anos usamos mapas impressos em enormes folhas coloridas para nos orientarmos em locais desconhecidos. Hoje, parece quase impossível dirigir pelas ruas de uma cidade ou por estradas desconhecidas utilizando um mapa de papel, pois eles não informam o sentido das ruas, a velocidade máxima das vias, nem se elas estão ou não congestionadas. Naqueles tempos, não sabíamos se haveria engarrafamento a alguns quilômetros a frente, onde estariam os radares e a polícia, se teria ou não buracos na pista, mas mesmo com poucas informações conseguíamos chegar ao destino desejado.
Recentemente passamos a usar o Waze, que é um aplicativo que orienta os motoristas a encontrar o melhor caminho para chegar até o destino desejado. Por exemplo, se você solicitar a melhor rota para ir da sua casa ao seu local de trabalho, ele irá lhe informar o caminho mais rápido, evitando as vias mais congestionadas. Você poderá utilizá-lo dentro da cidade ou para ir a outras cidades. O Waze mostra um mapa com o nome das ruas, indica onde você está e ainda fala com você lhe informando onde dobrar e a que distância você está do local onde deverá tomar outro caminho. Tudo isto sem lhe cobrar nada!
Além de facilitar as nossas vidas, o Waze nos trata de forma educada e pacienciosa. Se errarmos o caminho por não termos dobrado onde ele nos indicou, ele não ficará brabo e nem terá reações do tipo: “Eu te avisei, não quis dobrar ali, agora te vira!”, “Errou de novo! Mas tu és burro mesmo, hein!”, ou ainda “Você precisa prestar mais atenção enquanto dirige! É a última que eu vou te mostrar o caminho!”, “Você não me escuta? Por que eu ainda tento te ajudar?!” Tampouco nos fará voltar ao ponto em que erramos, ele simplesmente reprogramará o caminho do ponto onde estivermos, como quem diz: não importa o que aconteceu no passado, erros são parte da jornada, vamos resolver isto olhando para a frente!
Viajar ficou mais fácil. Seguindo a analogia da viagem com a vida, poderíamos pensar numa espécie de Waze que nos ajudasse a reprogramar nossos caminhos em alguns momentos difíceis das nossas vidas. Cada vez que cometêssemos um erro ou que algo de ruim acontecesse em nossas vidas, buscaríamos o melhor caminho para seguirmos em frente, sem ficarmos nos culpando ou lamentando o tempo perdido. Saberíamos que a rota escolhida poderia mudar ao longo do trajeto, bem como o tempo estimado para atingir o destino, pois na vida, assim como no trânsito, podem ocorrer desvios no percurso. Não existem certezas em relação ao futuro. Algumas vezes deixaríamos as vias rápidas e seguras para tomar um caminho secundário, mais cheio de curvas, com pista única, pois confiaríamos que ele seria melhor do que o caminho engarrafado que a multidão escolheu.
Ter um Waze orientando nossas vidas fazia todo o sentido até ouvirmos a canção “Si no oigo a mi corazon” de Pedro Aznar (https://www.youtube.com/watch?v=OqNL9JG_36Q). Conversando sobre esta canção, nos demos conta que a vida não segue os caminhos mais rápidos e menos engarrafados. Reprogramar o caminho e ter paciência são coisas importantes, mas o caminho a ser seguido dependerá das nossas intenções e das nossas vibrações. Como isto acontece? Confie, o universo se encarregará de resolver.

(*) Luís Felipe Nascimento é “aluno titular” na Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara
Contato: nascimentolf@gmail.com

(**) Patricia Tometich é Professora na FURG, campus São Lourenço do Sul
Contato: ptometich@gmail.com

4 thoughts on “Mapas não me ensinam a viajar

  1. Maria Reply

    Muito lindo.👏👏👏👏ouvi certa vez, um Lama budista identificar o GPS como compassivo. Mas, a parte que mais gostei foi a última.🤩

    1. admin Post author Reply

      Que legal. Estas comparações nos ajudam a entender melhor o nosso cotidiano, acho que são válidas e nos levam a boas reflexões. Obrigado pelo comentário.

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