07Oct
Coluna Dominical

Erupções da Vida

7 de outubro de 2018

Luís Felipe Nascimento (*)

Andei pesquisando sobre os vulcões e percebi que muitas vezes nos comportamos como vulcões em erupção. Os vulcões são as válvulas de escape da lava (magma). Tudo começa quando as placas tectônicas entram em conflito e se chocam uma com as outras aumentando assim a temperatura e a pressão no interior da terra. A lava que habita o interior da Terra, fica indignada com estes choques e rompe um ponto fraco na crosta terrestre para aliviar aquela tensão. Quando ocorre a erupção são ejetados, junto com a lava, gases, poeira e aerossóis, considerados poluentes ao meio ambiente. O que pouca gente sabe é que as erupções são benéficas para a natureza, pois na base dos vulcões estão as terras mais férteis do Planeta, ricas em minerais. No início da história do Planeta, graças às erupções vulcânicas, o oxigênio se formou na atmosfera. 

E nós, humanos, também temos nossas “placas tectônicas”, que quando se chocam, aumentam as angústias. A sociedade e os nossos relacionamentos nos transformam em quem não somos. Aumentam os nossos conflitos.  Assim como a lava, a angústia busca uma fenda para uma possível erupção, mas se depara com outros sentimentos: o “medo” de que lá fora seja pior e a “esperança” de diminuir essa pressão, ao sair.

As erupções humanas jogam para fora uma lava composta de sentimentos reprimidos, rancores, dores, afetos e amores que não se realizaram na forma desejada, e que, após expelidos, demoram algum tempo para se sedimentar, mas depois se tornam um solo fértil para o surgimento de novas relações, de novos jeitos de estar no mundo. A região atingida pela erupção de um vulcão nunca mais será a mesma. Da mesma forma, a pessoa que “entrar em erupção”, se transformará em outra, até então desconhecida.

Ilhas e arquipélagos como Fernando de Noronha, Havaí, Japão e Islândia são resultados de erupções vulcânicas. Foi a instabilidade das placas tectônicas que gerou esses lugares maravilhosos. Os nossos “abalos sísmicos” também podem resultar em experiências surpreendentemente belas ou em nuvens de cinza e fumaça capazes de tapar o nosso sol. Enfim, nas erupções da vida podemos nos remoldar do pó que restou ou seremos remoldados pela lava que escorre dos desejos dos outros.  

(*) Luís Felipe Nascimento é “aluno titular” na Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara. 

Contato: nascimentolf@gmail.com 

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