17Feb
Coluna Dominical

E por quê não???

 

– 17 de fevereiro de 2019

Jussara Porto (*)

Aí que medo!! Não dá para fugir… Tenho que escutar os sinais e ver o que está se apresentando, prestar atenção, entrar, mergulhar, enfrentar e tomar uma atitude!!!

E o sinal é para escrever…todos os ventos sopram me dizendo para escrever!!

Hoje fui convidada para escrever neste blog. A primeira reação foi negar. Por quê o não vem sempre primeiro? Logo depois veio a curiosidade e fui ver o que já tinham postado. Depois o medo da exposição, da análise, da crítica… e com a imensidão dos assuntos, com tudo em aberto, eu podendo escrever sobre qualquer coisa veio o pânico e naturalmente o bloqueio total!

Passado tudo isso, a primeira etapa vencida, estou eu aqui novamente, corajosamente tentando escrever!!

Pensei em escrever sobre o trabalho que desenvolvo na Gráfica da UFRGS, me dei conta que realmente tem muita coisa para falar, debater…mas daí veio, mas sobre o quê realmente eu quero falar?? Busquei mais informações no blog, e fui me encorajando, a Cristiane não é a Martha Medeiros, mas deu os seus recados; dei boas risadas com as cabeças de alho do tio Ari, recomendo o texto e duvido quem não tenha um parente assim!! Sobre os presentes do José Mauro, quero todos!!!! Maria Tereza, que vontade de usar um shortinho também!!!!!! Deliciei-me lendo todos os artigos, confesso que procuro no Facebook leituras assim para ler e me divertir, e acabo de encontrar tudo isso aqui, neste blog. Crônicas sem grandes pretensões, mas com pessoas sendo elas mesmas, com pessoas se expressando, se mostrando…

Me senti encorajada por todos eles, já me sentindo, confesso, confidente, ouvinte, enfim, velha amiga dessas pessoas que colocaram um pouquinho da sua alma no papel, ops, na tela. E com este vínculo me sinto aberta para escrever…

Pois então, vamos lá, tenho que escrever! Ai, mais um bloqueio, uma coisa é tu sair escrevendo após ler as crônicas, outra, é tu recomeçar em outro dia, com a cara e a coragem.

Mas como eu acredito que tudo deve fluir que eu devo ouvir minha intuição, o que está me ocorrendo agora para escrever é…

O que me faz acordar de manhã? O que me motiva a levantar pela manhã? E vêm logo os projetos, as ideias que me envolvem e me tiram da cama… mas eu penso também no que me imobiliza e me prega na cama, não me deixando levantar, e vejo que são as mesmas coisas: os projetos, as ideias… que não saem do papel! Ambíguo isso tudo que escrevi, né?

Vamos dar uma paradinha aqui. Sou de gêmeos, essa ambiguidade é uma constante na minha vida, alias, é uma das únicas certezas que tenho, sou irremediavelmente ambígua! Isso faz com que uma hora eu queira, outra não; uma hora acredito em mim, outra me acho completamente inútil; tenho coragem, outra me acovarde completamente. Essa sou eu, e assim vou indo!

Mas a questão hoje é, como resolver todas estas questões, como acreditar em mim, como vencer a timidez, como agir, como fazer parcerias, e fazer acontecer? Fazer as ideias criarem alma? Virarem atitude?

As dificuldades, as limitações, os bloqueios são muito pessoais. Vencer essa inércia é um desafio somente meu. Impossível ser criativa sem ação, boas ideias só se tornam brilhantes quando saem do papel. Eu luto comigo mesma para parar de me boicotar e agir … e esse é o meu desafio diário, sair das nuvens e andar em solo firme, que nem sempre é o mais seguro, mas com certeza é o que mais me realiza.

E andar em terra firme e realizar cada sonho é como receber uma benção. A gratificação é tão grande que me enche de alegria e me energiza para as próximas ideias que borbulham sempre na minha cabeça.

Talvez escrever seja uma promessa de realização, afinal eu estou me comprometendo não só comigo, mas também com as pessoas que estão lendo. Mas o que é mesmo que eu me comprometi? Que palavra forte essa, comprometer, às vezes eu elejo a palavra do dia, a que não me sai da cabeça… comprometer, essa é boa, é de se pensar, comprometer, comprar uma ideia e se meter nela, se envolver, fazer.

Bom, saindo das nuvens então, comprometer-me com o que mesmo? A tá, lembrei, meus projetos, minhas ideias que eu acho que deveria começar a realizar após terminar este artigo.

Pronto, não quero mais terminar este artigo. Ação é muito compromisso… como é bom o mundo das ideias, dos sonhos…

Meia hora parada, pensando, tem que ter uma saída, ter sonhos é maravilhoso, realiza-los não pode ser tão difícil.

Olho para trás, percorro a minha trajetória e vejo que eu sou uma pessoa realizada, ui, outra palavrinha “demasiado fuerte”, realizada, puxa vida, se eu estou dizendo que sou realizada é porque realizei!! Meu Deus, eu realizei sim! E é maravilhoso constatar isso, dá uma alegria olhar para trás e se sentir realizada, eu fiz coisas que me gratificaram, me realizaram.  Quantas memórias me vêm na cabeça, tanto na minha vida pessoal, quanto na minha vida profissional. Vejo que fiz tudo no meu tempo, eu acho! Não sei qual é a ordem se agisse diferente, mas como foram se desenvolvendo, um episódio atrás do outro, dentro do meu tempo possível, sem adiantar, talvez atrasando um pouquinho, mas fazendo lentamente, fazendo. Abrindo barreiras e fazendo. Buscando a melhor maneira, às vezes intuitivamente, mas indo, sem forçar a barra, com jeitinho, não o jeitinho brasileiro, que eu acho imoral, mas com dignidade, opa, outra palavra, essa, eu acho que vale a crônica, dignidade. Será que não é isso que a gente busca, uma vida digna?

Outra parada aqui, me permitam mais uma vez me deliciar com esta palavra… olhem a viagem, busca de uma vida digna, quantas interpretações…

Tenho certeza que as indicações para que eu escrevesse era para chegar aqui. O que eu busco? O que me faz acordar, o que me faz levantar de manhã? E a resposta veio: Busco uma vida digna, inteira, intensa, de arrepiar, de sonhos realizados…

E assim novamente, olhando para trás, vendo que fiz o que todos fizeram, que casei, tive filhos, trabalhei, eu ainda posso disser que tive uma vida digna, que eu me orgulho de mim!

E aqui fecha o ciclo do artigo, precisava parar e ver que eu consegui realizar para passar para outra etapa e continuar realizando, para ter as respostas para as minhas questões, para ter coragem de continuar, para me dar conta que a vida é realizar e que o medo é natural, afinal tudo o que não sabemos bem como será, dá uma certa insegurança, mas posso disser que, olhando para trás, e vendo que foi fácil, posso me atrever a imaginar que no mínimo vai ser bom este resto de caminhada. Resto não, tudo o que vem pela frente!!

Me sentir realizada, só me faz ter mais sonhos…e tenho muitos, que maravilha, tenho muitas ideias, muitos planos, huruuuuu, que delicia é viver, ter oportunidade de ser, de fazer.

Bom, mãos a obra, me olho e vejo que saí inteira deste artigo e viva, mais viva do que entrei!!

Acho que eu paro por aqui, me sentindo digna, inteira.

Acho que escrevi até sobre sustentabilidade, porque eu me ouvi, percebi o que estava conspirando, me conectei com o universo e só fiz o que estava se apresentando…e foi bom, arrepiei, me senti viva!!!  (detalhe, quando as coisas realmente me tocam, quando vai na alma, eu arrepio!).

(*) Jussara Porto trabalha na UFRGS

Contato:  jussara.porto@ufrgs.br

One thought on “E por quê não???

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