12May
Coluna Dominical

Dia das mães ou dia do amor maternal?

– 13 de maio de 2018

Luis Felipe Nascimento (*)

Na antiguidade os gregos e romanos já comemoravam o dia das mães, mas foi em 1858, nos EUA, que Ann Jarvis estabeleceu o dia das mães como forma de chamar a atenção do mundo para a mortalidade infantil. Ann teve 12 filhos e só 4 chegaram à idade adulta. Essa data também foi considerada o dia das mulheres lutarem pela paz e de chorar pelos soldados mortos. O dia das mães chegou ao Brasil em 1918, através da Associação Cristão de Moços de Porto Alegre (ACM-RS) e em 1932 Getúlio Vargas oficializou a data para o segundo domingo de maio. E, atualmente, o “Dia das Mães” é a segunda data mais importante para o comércio, pois nos remete a dar presentes para as mães.

Refletindo sobre o significado da data, penso que seria o dia de referenciarmos o amor maternal, que é uma das maiores expressões de entrega e de desprendimento que um ser humano pode experimentar. Alguém que é capaz de multiplicar suas forças para defender aquele que considera seu filho ou de arrancar pedaços do seu corpo ou da sua alma para completar esta criatura que pariu ou que adotou como filho. Assim como para Ann, que perdeu oito filhos, a morte de um filho ainda pequeno é como se o universo se apagasse, pois para ela pode não existir nada maior ou pior do que essa dor.

A geração de uma vida pode ser resultado de um ato de amor, de um descuido ou até de uma situação indesejada. Assim como algumas mães criam seus filhos com todo o amor, outras os abandonam à própria sorte e isso só confirma que ser mãe biológica não desenvolve automaticamente o amor maternal. O estereótipo da mãe abnegada, que “padece no paraíso”, está em extinção, mas o amor maternal continua sendo diferenciado, sendo um amor eterno.  

Será que a mãe que tem muitos filhos cuida de todos da mesma forma? Ela dirá que sim, mas na prática, não! Ela não dividirá os seus cuidados com tanta igualdade como faz quando reparte uma pizza entre os filhos, porque ela sempre dará mais atenção ao filho mais necessitado naquele determinado momento. Ela será capaz de deixar onze filhos para socorrer o décimo segundo, ou seja, aquele que está mais precisando de seus cuidados.

A felicidade da mãe depende da felicidade dos filhos, mas este imenso amor poderá ser egoísta ou muito exigente. Será egoísta quando a mãe fizer sempre o que o filho gosta, pois é tentador agradar um filho, mesmo sabendo que não é o melhor para ele. O difícil é o amor exigente, aquele em que a mãe é capaz de mandar prender o filho ou de interná-lo para que ele se livre da dependência química. Sua dor é imensa, mas ela o faz por amor.

E quando os filhos crescem, o que acontece com este amor? Algumas ficam tristes e passam pela conhecida “síndrome do ninho vazio”. Mas se eles ficam ou voltam depois de adultos para a casa da mãe, nem sempre é bom para elas. A mãe que “só” cuidou dos filhos, também precisa cuidar de si e muitas vezes, só aos 50 ou 60 anos é que elas percebem que possuem desejos e direitos.

Por tudo isto, o dia das mães deveria ser chamado de “dia do amor maternal”, pois o que se celebra neste dia, não é o ato de parir ou de adotar um filho, mas o amor que se constrói ao cuidar, ao se sentir responsável pela sobrevivência daquele ser indefeso, seja ele um filho biológico, adotado, um cão, um gato ou qualquer outro ser vido que a pessoa cuida e que terá por ele amor eterno, um amor maternal.

P.S. Como dica de presente para esse dia: dê sua presença para ela, dê suas palavras afetuosas. Hoje, dê apenas coisas que o dinheiro não pode comprar… Simples assim. 

(*) Luis Felipe Nascimento é Professor na Escola de Administração da UFRGS.

Contato: nascimentolf@gmail.com

 

 

 

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