01Apr
Coluna Dominical

De quem eu não gosto

– 1 de abril 2018

Luis Felipe Nascimento (*)

Eu não gosto de quem não gosta de muita gente, mas respeito o seu direito de não gostar. Me sinto desconfortável diante de certos comportamentos, mas como diz Mario Sérgio Cortella[1], a gente não precisa gostar de todas as pessoas, mas deve respeitá-las e, que conviver com quem não gostamos, é muito bom para o nosso crescimento. Para Cortella, se o adversário é fraco, nos tornamos mais fracos, assim como, se o concorrente é burro, emburrecemos. O oponente é que nos faz inovar, crescer, transformar… 

E você, já identificou de quem você não gosta? E seria capaz de identificar as razões pelas quais não gosta desta pessoa ou deste grupo de pessoas? Por favor, interrompa aqui a leitura deste texto e anote em algum lugar as respostas destas duas perguntas. Mas, continuando…

A jornalista Mariana Atencio[2] da NBC News diz que a sociedade divide as pessoas entre “nós” e “eles”, sendo que “eles” são os que são diferentes de “nós”. Para Mariana, conviver com os diferentes nos dá uma sensibilidade única e a capacidade de “calçarmos os seus sapatos”, ou seja, de nos colocarmos no lugar deles, que é a empatia. Sabemos que quando adicionamos um sentimento piedoso à empatia, ela se torna compaixão. Quando agimos com compaixão, o ódio, a intolerância e os preconceitos tendem a sumir e passamos a ser todos, apenas “nós”. Nos considerarmos como “normais”, não nos define, pois são as nossas diferenças e nossas imperfeições que nos fazem ser únicos e especiais.

Agora falando do “não gosto” de forma mais ampla, podemos identificar, mundialmente falando, conflitos entre religiões, a respeito de migrações, pela disputa de territórios, pelo desejo de independência… e, no Brasil, quais seriam os principais conflitos internos? Direita versus esquerda? Conservadores versus progressistas? Ruralistas versus ambientalistas? E quais seriam os preconceitos da atualidade? Aparentemente, em nossa nação não tem conflitos raciais e religiosos, mas na prática, sabemos que eles estão escondidos debaixo do tapete. Você já se questionou sobre estas questões? Se tivesse que votar, de que lado você estaria?

Nós passamos de sociedades tribais para nações, construímos uma sociedade globalizada, mas parece que não perdemos a vontade de viver “em tribos”, de conviver só com os iguais e de ler apenas as notícias que nos agradam. O contato com as diferenças, com os que não gostamos, exige maturidade e diálogo. Vejo o futuro com sociedades multiculturais descentralizadas, nas quais iremos valorizar as diferenças e aprender a coexistir com quem pensa diferente.

Agora leia o que você escreveu após o primeiro parágrafo. As razões que fazem você não gostar das pessoas ou dos grupos que listou, fazem sentido? A Páscoa é um momento que estimula revermos nossas atitudes, um período de perdão e de buscarmos ser mais tolerantes e compreensivos com as pessoas das quais não gostamos. Que tenhamos isso como meta não só nesse período, mas para todos dias do ano. Desejo uma Feliz Páscoa para você!

 (*) Luis Felipe Nascimento é Professor na Escola de Administração da UFRGS

Contato: nascimentolf@gmail.com  

[1] Mario Sergio Cortella  – Você não tem que gostar das pessoas, você tem que respeitar –

https://www.youtube.com/watch?v=ftK_uAbAM0w

[2] Mariana Atencio  – What makes you special?

https://www.youtube.com/watch?v=MY5SatbZMAo

 

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