08Dec
Coluna Dominical

Congresso de “Felicidade”???

– 3 de dezembro de 2017

Luis Felipe Nascimento (*) 

Nos dias 25 e 26 de novembro participei do II Congresso Internacional de Felicidade, em Curitiba, PR. Ao contrário do que muitos imaginam, este congresso não era para quem está infeliz e ou querendo a receita para estar feliz. O Congresso tratou de temas como saúde, educação, empreendedorismo, exercícios físicos, amor, compaixão e também de conexões cósmicas. Teve palestra para todos os gostos, portanto, não trago aqui a receita da felicidade, mas compartilho alguns flashes das mensagens deixadas pelos palestrantes. Por exemplo, o Sri Prem Baba disse que para a pessoa ser feliz é necessário o autoconhecimento, pois a felicidade está dentro de nós (e talvez você até pense: “Ir até Curitiba para ouvir isto?”). Disse ainda que a pessoa se torna o que ela pensa, que as emoções ruins drenam as nossas energias, enquanto que as boas recarregam nossas baterias (ditas assim, soltas, parecem mensagens batidas, mas no contexto da palestra, fizeram muito sentido). Ouvir suas palavras, com a mente aberta, é como um bom cozinheiro ouvir um Chef falar de uma receita que ele já conhece, mas que, mesmo assim, ele vai aprender para poder melhorar seu modo de fazer a mesma receita.

Na palestra sobre educação, José Pacheco disse que ser professor é ter esperança no futuro, mesmo que os alunos se decepcionem com o presente e citou Gandhi: “Felicidade é quando a pessoa faz o diz e diz o que pensa”. O empreendedor Ricardo Dória mostrou que não precisa ter alto Quociente de Inteligência (QI), que pessoas consideradas comuns podem fazer coisas fantásticas e que as pessoas que praticam o bem, deixam um grande legado. Quando uma pessoa ajuda a outra, ela está depositando na sua conta do legado, não importando se o outro lhe será grato ou não. E mesmo não sabendo quando precisará sacar desta conta, nem mesmo se precisará, coisas boas irão lhe acontecer.

Uma das palestras que mais gostei foi a do Jorge Trevisol, que falou da espiritualidade e vida cotidiana. Ele disse que, se o seu cachorro reconhece o ronco do motor do seu carro, se faz festa quando lhe vê, se sabe quando você está triste e lhe consola, então, ele não é um cachorro, é um anjo! Referindo-se à família, lembrou que nós podemos ser o pai que gostaríamos de ter, que as crianças são presentes de Deus e que nós melhoramos a cada dia. Despediu-se pedindo desculpas pela palestra, pois se ela ocorresse no próximo ano, certamente seria bem melhor.

A Monja Coen é uma simpatia e irradia paz. Ela lembrou que um Congresso que reúne mais de duas mil pessoas pensando em ser feliz e desejando felicidade para toda a humanidade deveria ser manchete em todos os jornais, no entanto, despertou pouco interesse da mídia. Salientou que a felicidade é quando a pessoa pode usar a vida para o seu bem e consegue ver o que tem de bom no mundo. Quem conhece a si mesmo, não se deixa ofender por ninguém e nem ofende e, por fim, lembrou que as marcas nos nossos rostos não são sinais de velhice, mas registros do que vivemos.

A nutricionista Camila Mercali disse que os alimentos que ingerimos interferem diretamente em como nos sentimos. A deficiência de zinco torna as pessoas depressivas. Quem diz que não consegue parar/reduzir o consumo de determinado alimento ou bebida, tem sua vida comandada por este alimento ou bebida. É muito bom quando conseguimos equilibrar corpo, espírito e mente, pois quando mudamos por dentro, mudamos por fora!

Marcio Atalla, que falou sobre estilo de vida, disse que a nossa saúde depende dos seguintes fatores: 50% do nosso estilo de vida (o que fazemos na maior parte dos nossos dias); 20% do meio ambiente; 20% é a influência genética e apenas 10% depende da assistência médica que recebemos. No final da década de 90, cerca de 40% das pessoas caminhavam 10 mil passos por dia e hoje, 56% da população brasileira está acima do peso e caminha, no máximo, 2,2 mil passos. O que faz a diferença é o que fazemos todos os dias.

Augusto Cury disse que quase todos nós somos cineastas, pois conseguimos transformar cenas comuns em filmes de terror, já que  quando o homem não tem problemas, ele os cria. Se não fizermos uma faxina em nossos pensamentos, nos tornaremos carrascos de nós mesmos e que precisamos ter um caso de amor conosco.

Além das reflexões provocadas pelas palestras, me impressionou o fato das pessoas saírem para almoçar e deixarem bolsas, casacos e malas nas cadeiras, sem ninguém para cuidar e, nesse clima, até eu me arrisquei a deixar o celular carregando numa tomada longe dos meus olhos, por duas horas. A atmosfera era tão boa que não se podia imaginar que alguém iria furtar alguma coisa. O povo que estava lá, não eram suecos ou japoneses, era gente de todo o Brasil, de um Brasil que é honesto e que acredita na bondade humana. Talvez por isto é que estejam felizes e queiram espalhar felicidade pelo mundo afora. E aí? Que tal nos juntarmos a este povo?

(*) Luis Felipe Nascimento é Professor da Escola de Administração da UFRGS.

Contato: nascimentolf@gmail.com  

 

2 thoughts on “Congresso de “Felicidade”???

  1. Vanessa Aires Reply

    Tudo muito interessante, mas a única coisa real foi o fato de poder deixar pertences sozinhos em um lugar cheio de estranhos. Isso foi mesmo o mais surpreendente!

  2. Maria Lima Toivanen Reply

    Impressionante a experiência de estar em um lugar onde todas as pessoas são de “boa vontade”. Obrigada por compartilhá-la,

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