Category: Coluna Dominical

09Feb
Coluna Dominical

Será o fim da escrita e da leitura?

– 10 de fevereiro de 2019

Luis Felipe Nascimento (*)

Nós já nos acostumamos com previsões que não se concretizam, lembras das previsões de que no ano 2000 os carros iriam voar e que o homem iria se alimentar apenas com pílulas? Sempre desconfio das previsões, principalmente das catastróficas. Mas, tenho que confessar que há quinze anos atrás eu assisti um vídeo que mostrava uma casa automatizada e tudo funcionava por comando de voz. Imaginei que aquela previsão só iria se concretizar na casa dos meus netos. Pois não é que passados apenas 15 anos isto já se tornou realidade! Ainda não se popularizou no Brasil, mas já se pode comprar nos EUA equipamentos por 20 dólares (cerca de 80 reais) que obedecem nossas ordens e realizam tarefas dentro de casa. Ao acordar, basta você dizer “bom dia Alexa” (dispositivo de reconhecimento de voz desenvolvido pela Amazon), “toque minhas músicas preferidas no banheiro” e você poderá tomar seu banho ouvindo tais músicas. Se vais a um happy hour depois do trabalho, pergunte para a Alexa qual será a temperatura neste horário e escolha a roupa mais adequada. Enquanto toma café, pergunte como está o trânsito e quantos minutos irá demorar neste dia para chegar ao trabalho. Quando voltar para casa, ligue e peça para ela acionar o ar condicionado de modo que a casa esteja na temperatura desejada quando você entrar. Tudo isto está disponível, não é mais coisa de casa do futuro. 

No celular, basta você chamar o “Siri” para dar ordens ao seu iPhone, ou dizer “Ok Google” para fazer a pergunta que desejar ao Google. Ao parear o celular com o sistema de som do carro, você pode receber as mensagens de texto do WhatsApp, que serão lidas pelo carro. Ele dirá: “fulano está esperando você em tal local, queres responder?”. Você poderá falar o horário que chegará neste local e o sistema irá transformar o áudio da sua voz em mensagem de texto e enviará para o fulano. Ou seja, nestes carros ninguém mais será multado por usar o celular enquanto dirige. Carros de luxo? Que nada! São carros que podem ser alugados por menos de 50 dólares por dia. 

Em pouco tempo não mais teremos aparelhos de controle remoto nas nossas casas e iremos afastar nossos dedos das telas. Faremos tudo por comando de voz. Inicialmente será um privilégio da classe média e depois chegará a toda a população, como aconteceu com o celular. Quais seriam as consequências destas inovações? Teremos mais conforto, ganharemos tempo, etc. Será que teremos “efeitos colaterais”? Compare a sua rotina dos dias de hoje com a de 15 anos atrás e perceba que hoje você usa muito menos o lápis e a caneta e muito mais os teclados, concordas? Se não precisamos mais do lápis e da caneta, para que aprender a escrever a letra cursiva? Desde 2011 alguns estados americanos tornaram facultativo às escolas ensinarem a escrita cursiva. E os livros impressos, por quanto tempo ainda serão comercializados? As nossas maiores livrarias estão fechando. Os dados mostram que não é o livro digital que está substituindo o livro impresso, mas sim os audiolivros. Segundo a Audio Publishers Association a venda de audiobooks cresceu 22.7% em 2017, e informa que 54% dos ouvintes possuem menos de 45 anos. (https://www.publishersweekly.com/pw/by-topic/industry-news/audio-books/article/77303-audiobook-revenue-jumped-22-7-in-2018.html). Ou seja, estamos trocando os olhos pelos ouvidos para acessar os conteúdos dos livros. Agora imagine daqui a 15 anos, quando a quase totalidade das informações e dos livros estarão disponíveis em áudio e vídeo. Qual será a necessidade de uma criança aprender a ler e a escrever? 

Mesmo sendo um otimista em relação ao futuro da humanidade, me assusta imaginar que nas próximas décadas poderá haver uma concentração de conhecimento. Como isto poderia ocorrer? Algumas poucas pessoas com muito conhecimento irão desenvolver as tecnologias para uma massa de consumidores destas tecnologias que não saberão mais ler e escrever. Será um retorno as nossas origens, quando o homem aprendeu a se comunicar com a voz e não havia ainda desenvolvido a escrita? Ou será um avanço, uma vez que não precisando mais da escrita, não teremos mais tendinites, dores na coluna e outras dores relacionadas ao ler, escrever e digitar? As crianças deixarão de usar partes do cérebro que hoje utilizam para ler e escrever, mas irão desenvolver suas capacidades intelectuais de outras formas, que não imaginamos hoje? Será mesmo que a escrita e a leitura irão desaparecer? O que você acha disto tudo?  

(*) Luis Felipe Nascimento é “aluno titular” na Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara.

Contato:nascimentolf@gmail.com

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