Category: Coluna Dominical

14Oct
Coluna Dominical

O que temos em comum com alguns dos que estão do outro lado?

– 14 de outubro 2018

Luis Felipe Nascimento (*)

Eu sou colorado e adoro meus amigos gremistas. Sou heterossexual e me relaciono muito bem com os meus amigos gays. Gosto de Chico Buarque, Roger Waters… e respeito quem não gosta da posição política deles. Tenho fé e admiro quem se proclama ateu. Da mesma forma, neste segundo turno, apoio Haddad e respeito quem apoia Bolsonaro, ou que não vai votar em nenhum dos dois. Eu defendo a preservação da natureza e os acordos internacionais para reduzir a poluição. Bolsonaro diz que, se eleito, pode retirar o Brasil do acordo de Paris, assinado por 195 países. Eu não teria como votar nele e no General Mourão, pois eles propõem o oposto do que eu penso em muitas áreas. Mas, se você se identifica com o que eles propõem, vote neles. Agora, se você não gosta de nenhum dos dois, deixe eu lhe dar uma dica: escolha o que mais se aproxima dos seus princípios. Não votar é deixar para os outros decidirem por você. Lembro de uma eleição em que os candidatos eram muito ruins e o Macaco Tião recebeu os votos de protesto. Resultado, o pior candidato foi o eleito. Sim! Temos opiniões divergentes e visões de mundo diferentes, mas temos algumas coisas em comum que nos fez amigos, ou que faz você ler este texto. A biodiversidade da vida se fortalece quando convivemos com as diferenças. Eu não quero que ninguém omita ou mude suas opiniões para ser meu amigo, da mesma forma que, se alguém não me aceitar como eu sou, talvez não queira ser meu amigo.

Analisando os argumentos dos eleitores dos dois lados, percebi que parte dos eleitores de Bolsonaro temem que o Haddad e seus apoiadores transformem o Brasil numa Venezuela e instalem uma ditadura de esquerda. No outro lado, parte dos eleitores de Haddad temem que Bolsonaro e seus apoiadores transformem o Brasil numa ditadura de direita. Para quem acha que não temos risco de ditadura, vale lembrar que o percentual de brasileiros que acreditam que a democracia é sempre o melhor sistema de governo caiu de 77% em 2010 para 56% em 2018, menos de 20% estão satisfeitos com a democracia e quase a metade da população aceitaria um golpe, em certas circunstâncias (Como morrem as democracias – Steven Levitsky) . Quem flerta com sistemas ditatoriais acredita que seria a forma de acabar com a corrupção e promover o desenvolvimento. Porém, desconhece que em todas as ditaduras existe corrupção e que, é raro o país com ditadura que consegue ter um desenvolvimento econômico comparado com o desenvolvimento das democracias.

As ditaduras modernas foram implantadas por governantes legitimamente eleitos: Chaves (Venezuela), Puttin (Rússia), Daniel Ortega (Nicarágua), Erdogan (Turquia), etc. Se boa parte dos eleitores dos dois candidatos temem ditaduras, temos aqui um ponto de interesse comum. Por que não unir os que defendem a democracia?
Como fazer isto? Primeiro, identificar quem dos que estão do outro lado, defendem a democracia. Estes devem ser vistos como potenciais aliados contra qualquer tentativa do governo eleito em restringir os direitos e os valores democráticos. Segundo, fiscalizar e cobrar dos parlamentares recém eleitos a defesa da democracia. Terceiro, usar formas democráticas, inteligentes e criativas para pressionar os setores da sociedade que se manifestarem favoráveis às medidas antidemocráticas. A polarização permitiu identificar as diferenças, agora é a hora de encontrar as semelhanças. O que temos em comum? Quem está interessado em salvar a democracia e o que podemos fazer juntos?

(*) Luis Felipe Nascimento é “aluno titular” na Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara.

Contato: nascimentolf@gmail.com

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