08Jul
Coluna Dominical

A energia do futebol no jogo da vida

– 8 de julho 2018

Luis Felipe Nascimento (*)

Entre as tantas mensagens que recebi depois da desclassificação do Brasil na Copa, a que mais me chamou a atenção foi a do Pedro Santos, que eu não sei quem é, na qual ele inicia assim: – “Sabe essa energia que você coloca para ver o Brasil ganhar? Essa vibração positiva? Experimente direcioná-la também para sua vida cotidiana!”. Depois ele ainda complementa dizendo que ao assistirmos um jogo, temos a esperança de que a próxima bola vai entrar e, até o último minuto, acreditamos que será possível reverter a situação adversa. Por fim questiona: – Por que não fazemos o mesmo nas nossas vidas? Quando sofremos “uma falta”, nos enchemos de raiva e somos tomados por pensamentos negativos, dignos de levar um cartão vermelho. Algumas vezes na vida, o jogo pode estar no início, e nós já estamos entregando os pontos.

Seguindo a analogia proposta pelo Pedro, podemos comparar cada minuto do jogo com um ano das nossas vidas. Temos 90 anos de “vida regulamentar” e talvez mais alguns de acréscimos. Nos primeiros minutos do jogo da vida, estamos reconhecendo o campo e observando como os outros jogam e, aos poucos, vamos entrando no ritmo do jogo e a partir daí podemos até ter o domínio da partida. Mas o gol, o sucesso, não depende só das nossas habilidades. No futebol, assim como na vida, nem sempre os melhores vencem e nem sempre o craque é o mais importante para o time. Perder a partida é uma chance para analisar os erros, reavaliar a tática usada no jogo para vir mais forte na próxima competição. Perceba que os que ganham uma copa, tendem a ser eliminados na fase de grupo da próxima competição. Vencer depende do quanto se aprendeu com as derrotas.

Quando nosso time do coração ou a seleção brasileira vai mal, ficamos chateados, xingamos jogadores, técnicos, dirigentes, mas não mudamos de time. A derrota do Brasil não vai levar nenhum brasileiro a ser torcedor da Argentina. Nós assimilamos a dor, vivemos o luto e logo voltamos a ter esperanças. E por que nem sempre fazemos o mesmo na vida? Por que jogamos a toalha dizendo que “tal coisa não tem jeito”, “isto nunca vai mudar”, “eu não sirvo para isto”, “tô muito velho para…” e tantas outras expressões que nos desestimulam a continuar no jogo. Parece que na vida, esquecemos que o jogo só termina quando o grande juiz apitar. Se podemos viver 90 anos ou mais, por que estamos desistindo de nossos planos aos 50, 60, 70 ou aos 80 anos? Existe uma longa lista de pessoas que iniciaram uma carreira de sucesso após os 50 anos: Starbucks, Sopas Campbell, IBM, MacDonalds, Coca-cola, são alguns exemplos de empresas que foram criadas por pessoas com mais de 50 anos. Nem todos são Mark Zuckerberg (com 19 anos iniciou o Facebook), Bill Gates (com 20 anos iniciou a Microsoft) ou Steve Jobs (com 21 anos iniciou a Apple). Aproveitando os minutos finais do jogo da vida, aos 82 anos Yuichiro Miura escalou o Everest e, já nos descontos, aos 97 anos, a mineira Charmes Rolim se formou em Direito.

Não precisamos deixar de gostar de futebol, mas podemos por a mesma energia e esperança no jogo da vida. Quando estivermos perdendo, por que não acreditar que ainda dá tempo de virar este jogo? Em vez de ouvirmos aquele chato que dizia “vai que é tua, Taffarel”, vamos ouvir a nossa voz interior que diz: “não vamos desistir, nós vamos conseguir!”. E depois? É só correr para o abraço, pois seja uma pequena conquista ou uma grande vitória, todas merecem ser comemoradas. Abrace as pessoas que você ama e celebre com elas. Esta energia positiva vai se espalhar como a ola nas arquibancadas da vida…

(*) Luis Felipe Nascimento é Professor na Escola de Administração da UFRGS.

Contato:nascimentolf@gmail.com

One thought on “A energia do futebol no jogo da vida

  1. paxuca Reply

    siiim. sabe professor … recentemente deixei de atuar em um campo de mercado e saí de uma derrota na vida… mas tenho noção que minha experiência serviu como aprendizagem do fracasso. aprendi o que não fazer e como não fazer. hehehe… parece estranho, mas qdo vi que a “partida acabou” pra mim…de fato assimilei o tempo despendido não como fracasso puramente… mas como a experiência do fracasso, e nisso parece que a minha energia mental (o tal magnetismo) voltou a construir jogadas alternativas… passei a enxergar melhor o time em campo para esta nova partida que inicia e hoje ratifico neste comentário o que dizes na tua escrita! o olhar amplo voltado para o horizonte me faz melhor hoje de que ontem! a leitura sobre campo e as jogadas está aprimorada! a jogadora está aquecendo… bora jogar que a bola ainda tá rolando!!! 😉😐

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