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28Oct
Coluna Dominical

Mobilidade do presente aqui, do futuro aí

– 28 de outubro de 2018

Luis Felipe Nascimento (*)

O tempo gasto nos nossos deslocamentos dentro das cidades vem aumentando e preocupando a todos nós. Em cidades como São Paulo, é comum alguém gastar 4 horas do seu dia para ir ao trabalho e voltar. Quanto mais túneis, viadutos e duplicação de vias, mais carros aparecem nas ruas que até parece um problema sem solução. Quero compartilhar com vocês uma novidade nos Estados Unidos em termos de alternativa de transporte: o velho patinete de brinquedo, ressurgiu como um veículo elétrico para uso compartilhado, chamados de “electric scooters”, para nós o patinete elétrico ou “e-patinete”.

Numa manhã, quando fui pegar minha bicicleta no estacionamento ao lado da minha casa, encontrei 2 patinetes estacionados, sem nenhum cadeado. Achei que eram das crianças dos vizinhos. Quando me dirigi em direção a Universidade, fui encontrando bicicletas e patinetes paradas no meio das calcadas e junto aos estacionamentos de bicicletas. Parei para olhar e verifiquei que eram elétricos, para uso compartilhado e com uma trava que é liberada quando o pagamento é realizado. Sabem qual foi a primeira coisa que veio a cabeça? Isto não daria certo no Brasil, pois iriam roubar tudo no primeiro dia. Fui então pesquisar para saber como que isto funciona.

A Empresa Bird (https://www.bird.co) foi fundada em setembro de 2017 aqui pertinho, em Santa Mônica, e já é considerada um fenômeno, sendo a startup que mais rápido conseguiu valer 1 bilhão de dólares, e em 8 meses já valia 2 bilhões. Hoje atua em mais de 100 cidades em 6 países, na maior parte delas, de forma ilegal. Assim como o Uber, é polêmica, costuma colocar o produto nas ruas das cidades, criar o problema, para depois tentar resolver. Em muitas cidades não existem leis para o tal patinete elétrico que as pessoas possam pegar e largar em qualquer lugar da cidade.

Será que isto só irá funciona nos EUA e Europa? Não! A Bird já está atuando na Cidade do México e anunciou que vai entrar no Brasil muito em breve. Provavelmente nossas câmaras de vereadores irão discutir por longo período se é legal ou não ter “e-patinetes” nas nossas cidades. A Bird é apenas uma das empresas nesta invasão de patinetes que está ocorrendo nas cidades americanas. Em Santa Bárbara atua outra gigante do setor, a Lime (www.li.me), criada em São Francisco. Além da Bird e da Lime, as mais conhecidas são a Skip, Scoot e Spin. É a economia compartilhada disruptiva aprontando mais uma!

Como funciona? Muito parecido com o Uber. Basta fazer um cadastro onde é exigido, além do número do cartão de crédito, uma foto da carteira de motorista. Depois é baixar o aplicativo para saber onde está o patinete mais próximo de você. Com o celular direcionado para o QR Code, libera a trava e com duas patinadas ele aciona o motor e você pode atingir a velocidade de até 25 km/h, aos custos de um dólar para liberar e depois mais 15 centavos por minuto, ou seja, para uma distância de 3 km, vai demorar uns 10 min e custar cerca de 3 dólares (https://www.youtube.com/watch?v=fzNmVdZaf0E ). Este mercado está criando outros serviços, como por exemplo, pagar para as pessoas recarregarem as baterias dos patinetes em suas casas.

Além dos patinetes e bicicletas elétricas para uso compartilhado, me chamou a atenção a velocidade dos skates elétricos. Seguidamente minha bike é ultrapassada por algum skatista que não encosta o pé no chão. O skate elétrico entra junto na sala de aula e fica estacionado em baixo da cadeira do aluno, enquanto o patinete e a bike elétrica ficam do lado de fora. Existem ainda outras geringonças elétricas tipo Segway que andam pelas ruas, facilitando o deslocamento das pessoas. Parece que tanto as empresas dos e-patinetes de uso compartilhado, quanto os seus usuários, não são muito cumpridores das leis. Vejo muita moçada usando patinete sem capacete e com uma carinha de quem não tem carteira de motorista. Uma lei que não pegou?

Será que esta moda vai pegar no Brasil? Vai funcionar em cidades como Porto Alegre e São Paulo? Por que não! Além do serviço de uso compartilhado, existe também a possibilidade das pessoas fazerem parte do seu trajeto com o seu próprio patinete elétrico, que custam cerca de 100 dólares, ou adquirir os e-patinetes dobráveis, bem mais caros, mas que facilitam para levar no porta-malas do carro ou ser carregado no ônibus ou no metrô. Veja neste vídeo: https://ecorecoscooter.com/?gclid=CjwKCAjwvNXeBRAjEiwAjqYhFv8vvPGTp62Quvg-QuBT-BPrHKQctXvYQjwcPb7TmULoJO49V_Gv7RoCfd0QAvD_BwE

No futuro, talvez o custo do uso das bikes/patinetes/geringonças elétricas esteja incluído no preço da passagem do ônibus. Tá certo que em Santa Bárbara quase não chove e que Porto Alegre chove muito, mas quem sabe teremos uma nova geração de patinetes com guarda-chuvas? Ah, um dos meus orientandos disse: “Andar de bicicleta, tudo bem, mas patinete não, né Felipe?!”. Ele teme que a sua reputação seja afetada se aparecer fotos do orientador andando de patinete! (risos). Portanto, não vou mostrar fotos minhas, mas posso garantir que é uma delícia andar num patinete elétrico!!! Perdoem-me, eu nunca tinha andado num patinete, que dirá elétrico! Deixei a criança que existe em mim, se divertir…

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(*) Luis Felipe Nascimento é “aluno titular” na Universidade da Califórnia em Santa Bárbara

Contato: nascimentolf@gmail.com

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