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29May
Coluna Dominical

Isto realmente aconteceu em 2030!

– 27 de maio de 2018

Luis Felipe Nascimento (*)

Depois de muito tempo, dois grandes amigos se reencontram e, enquanto tomam um café, lembram dos velhos tempos.

– Estou vendo, pelo seu pensamento, que você está recuperando as imagens da nossa festa de formatura!

– Tempos bons aqueles… Mas que tal a gente desligar os microchips, retirar estes óculos que nos permitem ler o pensamento alheio e termos uma conversa à moda antiga?   

– Boa! Estava mesmo com saudade de conversar sem saber o que o outro está pensando.

– Não estou bem lembrado se foi no ano de 2025, 2026, que se popularizou a tecnologia desses óculos…

– Acho que foi em 2025! Alguns anos antes, lá por 2018, já existiam aqueles óculos de realidade virtual, que pareciam um tijolo, mas só alguns anos depois é que vieram esses de leitura de pensamentos…

– Então… naquela época eu pensava que isto iria reduzir os conflitos, que acabaria com as fofocas e de que não haveria mais aquelas conversas do tipo: “não é o que você está pensando”, “não foi isto que eu quis dizer”, “você deve estar pensando tal coisa”, etc. 

– É, e eu pensava que as pessoas estariam curiosas para saber o que os líderes mundiais pensariam, o que se passava na cabeça dos cientistas, mas que nada! O pessoal só queria saber o que o seu/sua parceiro/a estava pensando ou o que o seu chefe estava pensando, fiquei frustrado!

 – Você percebeu que depois que começamos a usar esses óculos, a gente quase não conversa mais? Basta olhar para os olhos do outro para saber o que ele está pensando. É tudo rápido, fácil e prático e não precisamos mais fazer esforço para entender como que ele construiu aquele pensamento. A resposta é com o título de uma manchete de jornal: curta e direta!

– Como era bom ficar fazendo cara de paisagem, pensando longe e o outro imaginando que a gente estava atento! Eu fazia isto nas aulas chatas da faculdade.

– Na real, mesmo antes destes óculos, a gente já conseguia saber alguma coisa do que o outro estava pensando. Lembra das ciganas que fingiam ler a nossa mão, mas na verdade elas liam eram os nossos micro movimentos faciais e descobriam se estavam no caminho certo ou não, nas suas adivinhações? Isso já era uma forma primitiva de leitura de pensamentos.

 – Verdade, mas só em não saber em detalhes o que você está pensando agora, já me deixa curioso e cheio de questionamentos. Você acredita que as pessoas são mais felizes hoje, podendo acessar os pensamentos dos outros?

– De jeito nenhum! Antigamente não precisava ser cigana para perceber que os nossos pensamentos impactavam outras pessoas assim como éramos impactados pelos pensamentos dos outros, mas isto ocorria de uma forma completamente diferente de hoje! Com esta tecnologia acabou o segredo, a magia dos nossos pensamentos. Antes, a gente conseguia viajar nos pensamentos, fazer tudo o que era proibido e saboreávamos tudo o que conseguíamos imaginar. Aquele mundo era só nosso! Agora ele é compartilhado e perdeu o encanto!

 – Sabes que eu concordo contigo? Ler pensamentos ficou monótono, enquanto que conversar com alguém, implica em dar atenção ao outro. Eu sempre ouvia minha mãe falar sobre o “poder da escuta”: que quanto melhor fosse a qualidade da escuta, melhor seria o diálogo!

– A tecnologia nos trouxe para um mundo em que a gente escuta pouco e fala menos ainda. Nas décadas passadas, paramos de encontrar as pessoas, para falar com elas por telefone. Depois, paramos de falar pelo celular, para mandar mensagens. Os vídeos falados em outras línguas, vinham com legenda. E assim fomos desaprendendo escutar, só ouvimos. A consequência foi que com menos escuta e menos diálogos, reduzimos também a atenção aos pensamentos dos outros. Então, de que adianta ter acesso se não valorizamos o que o outro pensa?

– Cara, mas como foi bom te reencontrar e termos esta conversa sem óculos, com os microchips desligados. Percebeu que nós tiramos os óculos, mas falamos todo o tempo deles? kkkk…

– Pois é! Agora me diz, você consegue imaginar como será o mundo dos nossos filhos e como serão as relações lá pelos idos de 2050? Será que eles vão seguir esta tendência de ler pouco e pensar menos ainda?

– Tomara que não! Sempre lembro do que o Buda dizia: “Tudo o que somos, é o resultado do que pensamos”. E se pensarmos pouco, seremos o quê? Bueno, espero que nossos filhos e netos recuperem o hábito da leitura, de contar e escutar histórias, como faziam nossos avós!

 

(*) Luis Felipe Nascimento é Professor na Escola de Administração da UFRGS

Contato: nascimentolf@gmail.com

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