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25Mar
Coluna Dominical

Quem vai cuidar de nós? 

– 25 de março de 2018

Luis Felipe Nascimento (*)

Durante uma conversa com amigos, surgiram algumas dúvidas: “Será que os nossos filhos vão cuidar de nós, quando precisarmos? E se eles estiverem lá do outro lado do mundo? Seremos mais uma mala para eles carregarem?” A conversa continuou e a primeira resposta que me veio à mente foi a de que, provavelmente, eles irão cuidar da gente da mesma forma que cuidamos dos nossos pais. E logo surgiu mais um questionamento: “será que já fiz ou estou fazendo, tudo o que posso pelos meus pais?” 

Nossos antepassados costumavam ter muitos filhos e, independentemente de terem ou não posses, na velhice, viviam com eles. Esta realidade mudou e o papel de cuidar dos velhos foi delegado ao Estado, já que pagamos impostos a vida toda e descontamos parte do nosso salário para garantirmos o sustento na velhice, com a aposentadoria. Acontece que, nos dias de hoje, ninguém mais confia que o Estado irá cuidar de nós. Portanto, quem puder, que faça o seu pé-de-meia para garantir uma velhice com plano de saúde, remédios e, talvez, uma boa casa de repouso. 

Muitos de nós pagam uma previdência privada, fazem uma poupança pensando em poder aproveitar a aposentadoria com uma renda melhor. Sem dúvida que isso é importante e necessário, mas o que geralmente esquecemos é que estes são alguns dos investimentos que precisamos fazer. Investir em relações qualificadas, em dedicar tempo para seus familiares e amigos, é o investimento mais seguro e que rende mais dividendos. Veja que os idosos mais felizes não são os que estão nas melhores casas de repouso, mas sim os que vivem mais tempo com boa qualidade de vida. Se num certo período, qualidade de vida é ter boa saúde, comprar muitas coisas, viajar, entre outros, no outro período a qualidade de vida está associada a ter independência, ter pessoas com quem conversar, com quem tomar um café e jogar conversa fora, e mais do que isto, ter quem goste de desfrutar da sua presença. 

O melhor de tudo, é que tais investimentos geram retorno imediato, já que não precisamos esperar até a velhice chegar para podermos usufruir dos seus benefícios. O que se planta hoje, pode-se colher hoje, amanhã e até o fim da nossa vida. Sempre buscamos ser independentes, mas na verdade somos interdependentes, já que sempre precisamos um do outro. Nesta semana, recebi o telefonema de um amigo perguntando se eu podia lhe fazer um favor. De imediato nossa mente divaga em várias possibilidades, mas não imaginei que o favor era para providenciar a sua internação hospitalar, pois após se sentir mal, ele tinha ido sozinho para o hospital. Em pouco tempo já tinha sido tudo resolvido e os familiares localizados. 

Essa conversa sobre quem vai cuidar de nós e o telefonema do amigo do hospital me trouxe uma série de questionamentos sobre o “cuidar” e sobre como estamos cuidando dos nossos filhos, dos nossos pais, da nossa saúde, das nossas relações, dos nossos sentimentos… entendendo que cuidar do outro não é apenas protegê-lo, mas se fazer presente na sua vida. Enfim… quem vai cuidar de nós, amanhã? Ainda não sei, acho apenas que serão aqueles a quem dedicamos nosso amor, hoje.

(*) Luis Felipe Nascimento é Professor na Escola de Administração da UFRGS.

Contato: nascimentolf@gmail.com

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