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25Jun
Coluna Dominical

Festa de  São João – qual a origem desta festa e o que significam os seus ritos?

– 26 de junho de 2016

Luis Felipe Nascimento (*)

São João é a segunda maior festa no Brasil e muito forte no Nordeste, onde as festas se estendem ao longo de junho. As cidades de Campina Grande na Paraíba e Caruaru em Pernambuco, disputam o título de “maior São João do Mundo” e recebem cerca de 1,5 milhão de pessoas por ano. O São João do Nordeste se diferencia em alguns aspectos do São João do Sul e Sudeste, onde a festa se reduz a uma “quermesse” realizada principalmente em escolas e igrejas.

As Festas Juninas são para homenagear Santo Antônio, São João e São Pedro. Embora Santo Antônio seja o famoso santo casamenteiro e o São Pedro o escolhido por Jesus para chefe da Igreja (o primeiro Papa), São João é o que recebe a maior festa. Recém agora descobri que São João era primo de Jesus e logo pensei que tinha rolado um nepotismo nesta história. Só que não, as festas de São João começaram a partir do Concílio de Trento que ocorreu entre 1545 e 1563. A Igreja Católica usou a estratégia do “se não podemos derrotá-los, vamos nos unir a eles”, ou seja, por muitos anos combateu os ritos e festas pagãs dos europeus, que acendiam fogueiras e dançavam ao redor do fogo para espantar os demônios do frio e da fome e para celebrar a colheita, que ocorria no dia 21 de junho, o solstício de verão – dia mais longo do ano na Europa (Midsummer). Não conseguindo acabar com esta tradição, uniu-se a ela e resolveu “cristianizar” esta festa, que passou a ser realizada em 24 de junho, para festejar o nascimento de São João. A fogueira virou o símbolo da purificação. Os portugueses trouxeram para o Brasil a tradição do São João, e quando os Jesuítas perceberam que os índios gostavam de dançar ao redor do fogo, não perderam tempo, apresentaram logo a festa de São João para os índios, que ficaram encantados com os fogos de artifício.

Mas de onde vem as tradições de soltar fogos de artifício, soltar balões, pendurar bandeirinhas, dançar a quadrilha, casamento caipira, a música, as simpatias, comer pinhão e alimentos com farinha de milho? Segundo os historiadores, a tradição dos fogos de artifício veio da China, trazida pelos navegadores e tem por objetivo acordar São João. Lembram da cantiga Capelinha de Melão: “São João está dormindo, não acorda não, acordai, acordai, acordai João”. Já a tradição de soltar balões, que hoje é proibida no Brasil para evitar incêndios quando o balão cai, era para o balão levar os pedidos e graças alcançada pela intercessão de São João. Outra tradição muito conhecida são as “simpatias”, utilizadas para advinhar ou arranjar casamento. Santo Antônio é o mais forte neste quesito, mas São João também recebe muitos pedidos. Vocês sabiam que para cada Santo há um tipo de fogueira? Pois então, a fogueira de São João tem a base arredondada, a de Santo Antônio é quadrada e a de São Pedro é triangular (não me pergunte por quê!).

A dança da quadrilha, ao contrário do que muitos pensam, não teve origem no Congresso Nacional. Ela vem da tradição francesa de danças de salão – “quadrille” (pelotão), dançada com quatro pares. Esta tradição chegou ao Brasil com a Corte Portuguesa em 1808. Com a queda da monarquia no Brasil, a tradição deixou os salões das cidades, dos elegantes nobres e se deslocou para o interior, fundindo-se com danças e ritmos brasileiros. A quadrilha  tradicional das festas juninas tem 16 pares e é constituída de 30 passos, misturando expressões francesas como o “anarriê”( “an arrière” = para trás),  “Balancê”, com expressões bem brasileiras como “caminho da roça”e “olha a cobra”.  O povo simples do interior dançava com as roupas que tinha, daí vem a tradição das roupas com remendos e chapéu de palha. O esteriótipo do caipira foi reforçado na literatura com figuras como Jeca Tatu de Monteiro Lobato e por Chico Bento, nos desenhos de Maurício de Souza.

O casamento na roça é uma encenação que representa a época em que, pela falta de padres no interior, o casamento era feito pela comunidade. Para tornar mais engraçada a cena, foi incrementado com a noiva grávida, o noivo que não quer casar, a presença do delegado, etc. A tradição das bandeirinhas vem da época em que se colocava bandeiras nas janelas com os santos Antônio, João e Pedro.

A comida típica do São João no Nordeste é derivada do milho, pois a festa coincide com a colheita do milho. São preparadas pamonha, curau, canjica e o próprio milho verde. No Sul e Sudeste se tem o hábito de comer pinhão, pois é o período que caem as pinhas das araucárias.

A música é um componente importante nas festas e também varia de região para região. No Nordeste o ritmo preferido é o forró. Se Pernambuco tem Luiz Gonzaga, a Paraíba tem o Sivuca e a rivalidade continua. Destaco a seguir as músicas de São João e os forrós de minha preferência. Deixo também o link das músicas “Cai, cai, balão”e “Capelinha de Melão”, que você ouvia quando criança. Por tudo isto é que se pode dizer que a Festa de São João é a mais popular das festas. Além disto as melhores festas estão nas cidades do interior e valorizam as tradições locais. Então… Viva São João!

Canções da sua infância:

Canção de São João da Região Sul:

Forrós:

(*) Luis Felipe Nascimento é Professor na Escola de Administração da UFRGS.

Contato: nascimentolf@gmail.com

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