Archives post

23Apr
Coluna Dominical

O Congresso é mais conservador que o povo?

– 24 de abril de 2016

Luis Felipe Nascimento

Os debates e a votação Impeachment nos permitiram melhor conhecer o nosso Congresso. Além das declarações de voto, que decepcionaram muita gente, preocupam também as bancadas que defendem interesses de setores da sociedade.

A Folha de São Paulo publicou dados sobre a chamada Bancada “BBB – Boi, Bíblia e da Bala”. Segundo a Folha, a Bancada da Bíblia, da qual faz parte Eduardo Cunha e que tem como seu principal expoente o pastor Marco Feliciano, possui 199 deputados. A Bancada do Boi – que tem como expoente Ronaldo Caiado, possui 215 deputados. Já a Bancada da Bala – que tem como exponte Jair Bolsonaro – possui 294 deputados. Dos parlamentares da bancada BBB, 53 são membros das três bancadas http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/04/1762237-bancada-bbb-do-boi-bilbia-e-bala-engrossa-derrota-de-dilma-na-camara.shtml

Estes números variam conforme a fonte, mas mesmo assim me surpreendi com o tamanho destas bancadas e me questionei se o congresso é mais ou menos conservador do que o povo brasileiro? Será que na hora do voto o eleitorado prefere um candidato conservador a um progressista? Será que o Congresso bem representa a composição do povo brasileiro? Foi então que encontrei a figura em anexo, que mostra que as mulheres representam 51% da população, mas no Congresso são apenas 9%, já os empresários que representam 3% da população, ocupam 50% das cadeiras no Congresso – http://www.carosamigos.com.br/index.php/revista/189-edicao-220/5199-stedile-o-congresso-representa-a-quem-mesmo

Tem ainda a desproporção na representação entre os maiores e menores estados. Em São Paulo, cada 457 mil eleitores elegem um deputado, enquanto que no Acre bastam 62 mil. Independente da sua população, todos estados possuem 3 senadores no Congresso. Como corrigir estas distorções? As distorções começam no sistema eleitoral, que permite que o eleitor vote num candidato conhecido de um partido desconhecido. Dizem que a gente sabe em quem vota, mas não sabe quem elege, pois 93% se elege com os votos dos colegas. E o pior, o eleitor nem lembra em que votou na última eleição. Dos 28 partidos representados no Congresso, poucos possuem coerência política, o restante negocia seus votos em troca de favores.

Há quem diga que “o Congresso é o espelho do povo” ou, “que isto só vai mudar quando os eleitores se conscientizarem”. Outros dizem que “o povo é influenciado pelo Congresso, pela mídia, etc, e estes não estão interessados em mudanças”. Assim, ficamos como um cachorro correndo atrás do rabo. Penso que uma forma de romper com este círculo, seria com a implantação do voto distrital e do Parlamentarismo. Se hoje no Brasil, o sistema fosse parlamentarista, não teria toda esta crise. No Parlamentarismo, quando quem governa perde a confiança, troca-se o primeiro ministro. Se os parlamentares não se entendem, ou quando ocorre sucessão de governos instáveis, dissolve-se o parlamento, convoca-se novas eleições e segue a vida. Portanto, pode sim ser diferente! Podemos ter um Congresso que melhor represente nosso eleitorado.

Sugestão de leitura: Perry Anderson faz uma análise do que aconteceu nas últimas décadas no Brasil. Leia em https://blogdaboitempo.com.br/2016/04/21/perry-anderson-a-crise-no-brasil/

(*) Luis Felipe Nascimento é Professor da Escola de Administração da UFRGS.

Contato: nascimentolf@gmail.com

16Apr
Coluna Dominical

Por que sempre batemos o dedo machucado?

– 17 de abril 2016 Luis Felipe Nascimento (*) Sempre que estou com uma lesão no corpo, agravo ainda mais esta lesão com batidas acidentais. Se a lesão for no terceiro dedo do pé, aquele bem do...

10Apr
Coluna Dominical

Hoje é meu aniversário de 57 anos !

-10 de abril 2016 Luis Felipe Nascimento (*) Hoje é meu aniversário de 57 anos. Por alguns anos pensava que este era apenas mais um dia. Pode parecer um clichê, mas agora eu realmente acredito que cada...