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28Mar
Coluna Dominical

Qual o seu estágio de consciência?

– 28 de março de 2015

Luis Felipe Nascimento (*)

Frequentemente discutimos se somos ou não conscientes e criticamos a falta de consciência dos brasileiros. Geralmente nos referimos a nós mesmos, ou aos outros, considerando que existam apenas dois estágios: “é” ou “não é” consciente. Fulano é consciente porque compra produtos ecológicos. Beltrano não é consciente porque votou em tal candidato. Nestas discussões, não levamos em conta que existem diversos estágios de consciência, e que podemos estar mais avançados numa área e menos em outras. 

O psicólogo Lawrence Kohlberg estabeleceu seis estágios do desenvolvimento moral de uma pessoa. Nos primeiros estágios a pessoa está preocupada apenas com a sua sobrevivência, enquanto que nos estágios mais avançados, a pessoa se preocupa com os destinos da humanidade. Nos estágios intermediários, a pessoa se preocupa com a sua família, com o emprego e com as questões do cotidiano. Ao longo da vida as pessoas podem passar de um estágio para outro, ou até mesmo regredir, mas elas não pulam estágios.

Considerando “consciência” como “estar ciente de” ou “ter conhecimento sobre alguma coisa”, como você classificaria a sua consciência política? E a sua consciência como cidadão? E a sua consciência como consumidor? Em que estágio você estaria em cada uma delas: iniciais, intermediário ou avançado?

Agora analise os seus chefes e governantes, em que estágio você os colocaria? Se você teve oportunidade de influenciar na escolha destas pessoas, você considerou o nível de consciência delas?

Achei interessante o post que li sobre as “pequenas corrupções”:

“Diga não as pequenas corrupções”:

  • falsificar a carteirinha de estudante

  • roubar TV a cabo

  • comprar produtos falsificados

  • furar fila

  • tentar subornar o guarda para evitar a multa

  • colar na prova

  • bater ponto pelo colega de trabalho

  • apresentar atestado médico falso

Algumas vêzes nos apoiamos na lei, ou nas brechas da lei, para justificar algumas ações, nossas ou de outros. Nos estágios mais avançados de Kohlberg, valores como “vida” e “liberdade”, precisam ser defendidos, independentemente da opinião da maioria. E, se as leis não estiverem de acordo com estes princípios, segue-se os princípios, e a lei deve ser alterada. As pessoas fazem o que é correto, não porque é o que a lei manda, mas porque foi previamente acordado.

Difícil né! Fica aqui o convite para uma reflexão.

(*) Luis Felipe Nascimento é Professor na Escola de Administração da UFRGS

Contato: nascimentolf@gmail.com

Obs: Agradeço ao meu amigo Prof. Alfredo Culleton (Filosofia/UNISINOS), inspirador deste texto.

Estágios de Desenvolvimento Moral de Kohlberg

Nível 1

É típico de crianças.

Estágio 1

Não existe o certo e o errado, o indivíduo obedece as regras para evitar punições. Prevalece o castigo e a obediência.

Estágio 2

Deve obedecer as regras, somente quando interessa ao indivíduo.

Nível 2

É típico de adolescentes e de alguns adultos.

Estágio 3

Obedece as normas sociais e valoriza o respeito e a gratidão. A justificativa para isto é a necessidade de, aos olhos dos outros, ser uma boa pessoa.

Estágio 4

é correto cumprir as obrigações assumidas. As leis precisam ser respeitadas, exceto quando elas entram em conflito com outras normas sociais.

Nível 3

O indivíduo define seus valores segundo princípios universais.

Estágio 5

As leis são consideradas contratos sociais e, se não promoverem o bem máximo para o maior número de pessoas, devem ser modificadas.

Estágio 6

Se as leis não estiverem de acordo com os princípios universais, segue-se os princípios,  e a lei deve ser alterada. As pessoas fazem o que é correto, não porque é o que a lei manda, mas porque foi previamente acordado.

Fonte: Adaptado de http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822011000200003