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29Dec
Coluna Dominical

Ano Novo – Lentilha e roupa branca?

 

– 29 de dezembro 2013

Luis Felipe Nascimento (*)

Feliz Ano Novo! Mas por que fazemos isto no dia primeiro de janeiro? Ora, porque o ano começa no primeiro dia de janeiro! Parece óbvio, mas não é! Vocês já se perguntaram por que o ano não começa em 26 de dezembro? Acompanhem o raciocínio: Nós consideramos o nascimento de Jesus Cristo como marco zero da era cristã. Assim como nós contamos os nossos anos de vida a partir do dia do nosso nascimento, deveríamos contar os anos da era cristã a partir do nascimento de Cristo (DC), concordam? Então, por que iniciar a contagem uma semana depois da data do nascimento de Cristo?

Bem, este é só mais uma dos fatos históricos que não fazem muito sentido. Vejam por exemplo o calendário Gregoriano, que nós utilizamos hoje. Este calendário foi instituído pelo Papa Gregório XIII em 1582, em substituição ao calendário instituído por Júlio César, 46 anos antes de Cristo. No calendário Gregoriano o ano é composto por sete meses com 31 dias, 5 meses com 30 dias, fevereiro com 28 dias e, quando bissexto, com 29 dias. A “segunda”-feira é o “primeiro” dia útil da semana. Vejam só que confusão!

O calendário Gregoriano foi sendo implantado nos diferentes países ao longo dos séculos, mas ainda hoje existem povos que se orientam por outros calendários, como o calendário Budista que está no ano 2557, o hebreu entre 5773-5774, o Islâmico entre 1434-1435, entre outros.

Tudo seria mais simples se utilizássemos o calendário lunar dos Maias e dos Egípcios. Durante uma volta da Terra ao Sol, se passam 13 luas. Logo, basta dividir o ano em 13 meses iguais, todos de 28 dias, totalizando 364 dias. Sobra um dia. No calendário Maia, o ano inicia em 26 de julho e termina em 24 de julho do ano seguinte, sobrando o dia 25 de julho, como o “dia fora do tempo”, um dia para libertar-se da prisão do tempo. Os egípcios celebravam na data de 26 de julho o início do ano novo e o princípio das cheias do Rio Nilo, que traria abundância.

Em 1849 o filósofo positivista Auguste Comte propôs um calendário que também dividia o ano em 13 meses de 28 dias. Recentemente o arqueólogo americano José Arguelles conseguiu o apoio do Secretário Geral da ONU e está liderando um movimento pela reforma do nosso calendário, passando a utilizar um calendário de 13 meses. Arguelles diz que a nossa civilização esqueceu que o tempo está relacionado com os ciclos naturais e que monetizou o tempo: “tempo é dinheiro”. Se o movimento pela reforma do calendário ganhar força, é possível que os nossos netos comemorem a entrada do ano no dia 26 de julho.

Na nossa cultura, a virada de ano também é um momento de renovar esperanças. Nós incorporamos alguns rituais que visam dar sorte no ano que se inicia. Algumas pessoas utilizam roupa nova no réveillon e peças de roupas com cores relacionadas a determinados significados: branco (paz e harmonia), vermelho (força e paixão), amarelo (dinheiro e prosperidade), laranja (sucesso), azul (harmonia e paz) e verde (saúde, esperança e equilíbrio). Existe também a crença de que comer determinados alimentos trará alguns benefícios, como por exemplo: lentilha (sorte financeira); romã (fertilidade e prosperidade); uvas (prosperidade); carnes de boi, porco e cordeiro (o porco fuça para frente, o que simboliza prosperidade. Mas cuidado, aves são contraindicadas, pois elas ciscam para trás); frutas cristalizadas e secas (pêssego, figo, amêndoas, nozes, avelãs e tâmaras significam sorte e fartura). Obviamente não pode faltar a Champanhe, símbolo da comemoração, da alegria e da abundância.

Para conseguir seus desejos, há quem acredite e pratique coisas estranhas como: a meia noite do dia 31 de dezembro, colocar uma folha de louro na carteira; dar três pulos com o pé direito e beber três goles de champanhe; comer sementes de uva e romã; ou para quem quer viajar, arrastar uma mala até a porta da casa.

A virada do ano faz muitas pessoas refletirem sobre a vida. Alguns são otimistas e dizem que será “mais um ano de vida”. Já os pessimistas dizem que será “menos um ano de vida”, como se tivessem uma data estabelecida para morrer. Poucas são as pessoas que consideram que o “ano novo” será a colheita do que foi plantado no “ano velho”.

Assim como o Natal, o Ano Novo tem um significado especial, é o início de um novo ciclo. A vida funciona em ciclos. Depois do dia vem a noite; depois do inverno vem o verão; depois da juventude vem a velhice… e o tempo não pára, mas a nossa relação com ele pode ser diferente no próximo ano. A cada ciclo que se completa, podemos aprimorar as nossas vidas, sermos pessoas melhores e mais felizes. Que as crenças populares da folha de loro na carteira, de usar roupa branca e comer lentilha, não sejam mais do que brincadeiras. Que as nossas verdadeiras crenças e nossas energias sejam para encher de sentido as palavras que mencionaremos na virada: “paz”, “harmonia”, “saúde”, “felicidade”!

Um feliz Ano Novo para TODOS nós.

(*) Luis Felipe Nascimento é professor na Escola de Administração da UFRGS.

Contato: nascimentolf@gmail.com

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22Dec
Coluna Dominical

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