14Oct
Coluna Dominical

Insubstituível Professor

Obs: Assista o clipe deste poema neste blog ou em https://youtu.be/AJpJ9TrZ9zc

– 15 de outubro de 2017

Luis Felipe Nascimento (*)

Quem é este tal de professor?

Aquele que controla o projetor?

Alguém que fala como doutor?

Não! É aquele que ensina com amor!

No passado o professor

Era o mestre inspirador

De um discípulo ou tutor

Que lhe chamava de Senhor

No presente o professor

Tem conteúdos para expor

Numa sala cheia e com calor

É chamado de “sôr”

Veio a EAD e repaginou o professor

Trocando a sala pelo computador

Fala para centenas e só aparece no visor

Tirando as dúvidas do aluno, é tutor

E no futuro, o que será do professor?

Mesmo com todo o conhecimento ao dispor

E a rede mundial atingindo à todo o navegador

O antigo professor sempre será o conector

Nenhuma máquina substituirá o professor

Porque só ele pode ser inspirador

Só ele reconhece em cada estudante o seu valor

Só ele se orgulha quando o aluno atinge o seu esplendor 

(*) Luis Felipe Nascimento é Professor na Escola de Administração da UFRGS

Contato: nascimentolf@gmail.com

08Oct
Coluna Dominical

Lucrando com os medos

– 8 de outubro de 2017

Luis Felipe Nascimento (*)

Na semana passada, na coluna “Em que mundo você vive? ”, falei que a mídia seleciona as más notícias e que elas impactam negativamente a nossa saúde. Os sete conglomerados de mídia existentes em nosso país seguem as pautas das duas maiores empresas de comunicação. Estas empresas também atuam na área de entretenimento, têm ligação com igrejas, políticos, são proprietárias de outras empresas e vivem dos anúncios de produtos e serviços, não importando se eles fazem bem ou não, para os cidadãos. Os maiores anunciantes são os fabricantes de remédios, cosméticos, produtos de limpeza, bebidas, de bancos, montadoras, empresas de telefonia e lojas de varejo. Trocando em miúdos, eles dizem o que a sociedade deve comprar, com o que deve se preocupar e o que deve discutir. E mais do que isto, do que e de quem devemos ter medo. Mas por que eles colocariam medo nas pessoas? Bem, vejamos…

Quanto mais notícias sobre assaltos recebemos, mais investimos em sistemas de segurança, quanto mais estivermos atualizados sobre os alarmantes índices de roubos de veículos e de assaltos, certamente não nos descuidaremos de renovar o seguro do nosso carro e também o residencial. Esses são alguns dos gastos (ou investimentos) que temos que fazer para nos sentirmos seguros, se bem que não existe local seguro, mas nós pagamos para ter a sensação de estarmos seguros. Enquanto eles movimentam o mercado, aumentam seus lucros e movimentando milhares de dólares pelo mundo afora, nossos medos também aumentam vertiginosamente. 

O medo de ficarmos doentes e de precisarmos recorrer ao setor público para atendimento, nos impulsiona a pagar um plano privado de assistência médica. E se o médico nos receitar algum remédio, nos dirigimos até a farmácia já pedindo a Deus que que não seja dos mais caros! Mas dentre todos esses medos, poderíamos dizer que o pior de todos é o de ficar velho e feio. Nos vendem a ilusão de que podemos evitar a velhice se tomarmos tal medicamento, aquele outro complemento vitamínico, se fizermos tais e tais procedimentos estéticos, mas… como pagar por esses tratamentos ou por cirurgias rejuvenescedoras? Trabalhando mais ainda e, paralelamente, poupando agora para termos essas coisas depois.

Imagine nossa sociedade num futuro longínquo, na qual as pessoas passassem a ter uma alimentação saudável. Meu Deus! Isto causaria enormes prejuízos para a indústrias farmacêuticas, para os planos de saúde e para a indústria dos tratamentos estéticos. Em crise, eles reduziriam os seus enormes investimentos em mídia. Imagine agora se estas pessoas fossem felizes e usassem o seu tempo livre para se exercitar em locais públicos, em contato com a natureza. Isto reduziria a sua ansiedade e a fatídica doença do consumismo, a oneomania, estaria erradicada. Seria uma catástrofe! As vendas cairiam e a economia poderia até entrar em colapso e, por isso, as pessoas felizes se tornam um alto risco para o nosso atual sistema!

Diante de tudo isso, é preciso garantir de que este modelo de sociedade não seja implantado nos dias de hoje. Como evitar que as pessoas sejam saudáveis e felizes? Simples, semeando o medo! O oposto do medo não é a coragem, mas sim a fé. Por que será que Jesus Cristo repetiu centenas de vezes a expressão “não temas, tenha fé”? Por que as pessoas de sucesso são exatamente as que superaram seus medos? Porque o medo é uma forma de dominação! Medrosos não se arriscam e, por isso, acabam tentando minimizar o mal em vez do maximizar o bem.

Se tomarmos a vida nas nossas mãos e enfrentarmos os medos da insegurança, de ficar doente, de ficar velho, de ficar desempregado, de ficar sozinho, de morrer e de tantas coisas que podem nos acontecer e que nos assustam, teremos grande chance de sermos mais felizes do que somos hoje. Mas, cuidado! Se você decidir ser saudável e feliz, saiba que isto vai dar prejuízo para muita gente e vão tentar te convencer que isto não vai dar certo… afinal, por que você fica inventando moda? Por que não vive como a maioria das outras pessoas, numa harmoniosa convivência com os seus medos? 

 

Como diz Gonzaguinha em “Nunca pare de sonhar”( https://www.youtube.com/watch?time_continue=2&v=IHpuJ0ulvkM)

Fé na vida, fé no homem, fé no que virá

Nós podemos tudo, nós podemos mais,

Vamos lá fazer o que será

Luis Felipe Nascimento é Professor na Escola de Administração da UFRGS

Contato: nascimentolf@gmail.com

01Oct
Coluna Dominical

Em que mundo você vive? 

– 01 de outubro de 2017

Luis Felipe Nascimento (*)

Os noticiários, diariamente, mostram o que de mais importante aconteceu no mundo, certo? Errado! Os conglomerados de comunicação no Brasil e no mundo, ultimamente, pautam o que a sociedade deve discutir, formando opinião. Imagine que no dia de hoje foi realizado um mutirão envolvendo 500 voluntários na construção de uma sede para um projeto inovador que mudará a vida de 5.000 crianças de uma comunidade da periferia de uma metrópole e noutro lugar houve um atentado em que uma bomba matou 5 adultos. Agora me diga, qual a notícia que vai chegar até você? Provavelmente a mídia vai dedicar horas de transmissões para o atentado e nenhum espaço para o mutirão. E se amanhã houvesse uma tragédia ambiental causada por uma grande empresa patrocinadora de um grande canal mundial de mídia, qual seria a repercussão? Através desses exemplos, notamos que tudo o que nos chega, foi filtrado para que atendesse aos interesses econômicos e políticos de alguns.

Recentemente viajei para o exterior e, ao retornar, fui assistir aos telejornais que deixei programado para gravar em minha ausência, mas fiquei surpreso ao me dar conta de que as notícias eram as mesmas de antes da minha viagem, como se o tempo tivesse parado naqueles acontecimentos. Além disso, notei que eu estava sendo impelido a assistir somente notícias trágicas e que isso me causava, além de um mal-estar, uma grande sensação de impotência, ou seja, o que acontecia lá do outro do mundo causava impacto à eles e afetava a minha saúde. Refletindo sobre tudo isto, resolvi cancelar a assinatura dos jornais, parar de assistir aos telejornais e não mais repassar mensagens negativas. O impacto foi imediato, pois me senti mais tranquilo, em paz. Ao repassar mensagens positivas, passei a receber muitas notícias boas e a gratidão dos amigos. 

Em outro dia, um amigo comentou comigo sobre um atentado que recém tinha sido noticiado e eu respondi que não sabia de nada. Depois ele falou sobre a prisão de um determinado político e, novamente, eu não estava a par daquela informação. Foi então que ele perguntou: “Mas, em que mundo você vive? ” Nesse momento me dei conta que eu estava em outra!

Afinal, viver alienado resolve alguma coisa? Claro que não! A questão é “Será que o mundo é, verdadeiramente, o que a mídia nos mostra?” Isto fica claro na entrevista de Paulo Herrmann, presidente da John Deere Brasil (uma dos maiores fabricantes de tratores do mundo), durante na qual ele aconselha aos produtores brasileiros: “…olhar menos televisão, ler menos jornal e acreditar muito mais na nossa vocação, competência, capacidade, honestidade, para fazer as coisas acontecerem. Este país que está na televisão 24 horas por dia não nos pertence, não somos nós, não nos representa. Nós somos farinha de outro saco, nós somos gente de outra estirpe … nós temos que tomar conta de novo das nossas cooperativas, tomar conta de novo das nossas prefeituras, nós temos que ter uma marcação serrada sobre os políticos que vamos eleger nas próximas eleições…” ( https://www.youtube.com/watch?v=wGIJGTO_jto ). Herrmann, não fala em nos desligarmos do mundo, mas em nos desligarmos de todo o pessimismo que querem nos fazer acreditar, nos desligarmos de todas as informações manipuladas para podermos mudar tudo o que estiver ao nosso alcance.

Percebi que, assim como o Herrmann, muitas outras pessoas estão se afastando das grandes mídias e procurando se atualizar por meio dos podcasts e outros canais da internet. A dificuldade é identificar em que mundo a gente quer viver e o que podemos fazer para melhorar este mundo? Ultimamente tenho acreditado mais nas micro revoluções e nas revoluções internas. A revolução interna exige assumirmos as nossas verdades. Se não formos honestos conosco mesmo, não seremos com os outros. Isto pode ser resumido na expressão:  “Tudo melhora por fora para quem se ilumina por dentro”. (To be continued)

(*) Luis Felipe Nascimento é Professor da Escola de Administração da UFRGS

Contato: nascimentolf@gmail.com