17Jun
Coluna Dominical

Onze homens e uma Paixão

17 de junho de 2018

Luis Felipe Nascimento (*)

Onze homens e uma Paixão conta como o futebol se tornou o esporte mais popular do mundo e diz que, a cada dia, está mais difícil de continuar apaixonado pelo futebol. Esta história foi transformado num clipe com a locução de Lauro André Ribeiro. Confira o clipe de 5 minutos em  https://youtu.be/YK4IE8Q9aHc

(*) Luis Felipe Nascimento é Professor na Escola de Administração da UFRGS

Contato: nascimentolf@gmail.com 

17Jun
Coluna Dominical

As tiranias do Tempo I: Eu quero uma casa no Campo

-17 de junho de 2018

Isabel Cristina de Moura Carvalho (*)

Porque sofremos com o tempo? Não o passar do tempo, que é da inelutável condição humana, mas o arrastão do tempo que leva nossas horas sem que a lista infindável de coisas a fazer esteja pacificada, quitada, serena. Por que o final do dia, às vezes, mais parece um locaute? Por não terminamos o dia sentindo que fizemos o melhor daquele tempo que nos foi dado viver?  Seria este um drama particular de mulheres intelectuais, imersas em rotinas profissionais exigentes, expostas à mais valia do trabalho feminino?

Afinal, quando vendemos nossa expertise para uma universidade ⎯sobretudo nas modalidades de tempo integral, dedicação exclusiva e outros pactos de união supostamente estável ⎯estamos dizendo “sim”.  Do outro lado, uma entidade possessiva, assume imediatamente as coordenadas de nosso espaço e tempo, até que a morte, a doença, a demissão ou a aposentadoria nos separe. Isto faz nossas vidas pulsarem no ritmo da produtividade esperada, impondo rotinas, compromissos e urgências. A vida pessoal é imediatamente arremessada para o segundo plano, e deve se acomodar naquele porão empoeirado e mal arrumado das chamadas “horas livres”, cada vez menos disponíveis.

Além do trabalho instituído, há uma outra esfera de tarefas e expectativas. Eu me refiro àquela gerada por uma espécie de mais valia difusa. Um efeito do mundo do trabalho que o velho Marx não previu, duzentos anos atrás. Quem imaginaria, no século XIX, que à relação vertical patrão-empregado, um dia, não seria mais a via da exploração do tempo do trabalhador. Outras relações surgiram e se sobreporiam à primeira, sem eliminá-la. Eu me refiro aos fluxos de trabalho em linhas horizontais de reciprocidade, exponencialmente multiplicado pelas tecnologias e redes sociais. Mesmo para quem não deve mais exclusividade a uma possessiva consorte institucional, as demandas continuam chegando através de múltiplas mídias, e a qualquer momento. Vêm de variadas instituições, em direção aos membros de várias comunidades e, destes, partem outras demandas em várias direções, criando uma teia sobrecarregada de comunicações que tende à saturação, dificultando mais do que promovendo trocas realmente significativas. Sobre o caráter invasivo do turbilhão comunicativo, uma amiga se referiu ao whatsapp como “aquilo que, a cada minuto, nos tira do aqui e agora e nos lança para um ali e agora”, de modo que concluir uma ação, por simples que seja, se torna uma verdadeira batalha. Uma das ansiedades do momento tem sido denominada como medo de estar perdendo algo (Fear of Missing Out). Pessoalmente, sou mais acometida pela fobia inversa: medo de estar perdendo algo quando passo muito tempo conectada. O excesso e a dispersão são o espírito do tempo que vivemos e, parte de seus efeitos, é uma certa anestesia, um modo stand by de sobreviver no automático, sem maiores empenhos de energia criativa.

Em minhas nem sempre bem sucedidas formas de resiliência, flerto há tempos com a ideia de desacelerar como um ato político. Gosto do movimento Slow em várias de suas expressões, do prato (Slow Food) à ciência (Slow Science). Mas, haveria mesmo como frear o tempo veloz? É possível respirar? Pausar? Há o direito ao silêncio? Haveria como filtrar o ruído incessante, e elegantemente recusar, sem ferir os sentimentos estabelecidos? O que restaria fazer? sistemáticos nãos? voto de silêncio? Isso sem falar nas medidas práticas: cancelar a conta da internet, deletar o facebook e afins, desinstalar o whatsapp? morar numa casa de campo e compor rocks rurais, como Elis cantou nos anos 80?

Se assim fosse, o contraponto seria a recusa. Simples assim: a recusa dos outros e seu sucedâneo, a recusa do humano. E não seria esta a tendência que parece alimentar alguns traços contemporâneos, entre eles as idealizações de uma volta à natureza? Neste caso, a casa de campo, nos anos 2000, retorna atualizada por alguns dos movimentos ecológicos antissistêmicos. Propostas ao mesmo tempo retrô e futuristas como a dos “minimalistas” que conseguem transportar a vida numa mochila, ou das comunidades “off grid” que vivem nas florestas canadenses, como novos Thoureaus,  recusando a eletricidade e os produtos industrializados.

Apesar de tudo, não estou convencida de que a explicação esteja na máxima sartreana: “o inferno são os outros”. E, se me lembro bem, na casa de campo da Elis, havia os amigos, os livros, e nada mais. Não penso que o problema esteja nem nos amigos nem nos livros. Talvez esteja no nada mais. Se o “nada mais” é parte da felicidade, porque o fantasma de não estar fazendo tudo, de estar fazendo menos, pouco ou “nada mais” nos assombra? Suspeito que há muito trabalho invisível que parece nada, mas é mais.  Muito mais do que nada.

Uma primeira camada da dívida feminina com o tempo reside justamente nas invisibilidades, que, como alertaram as feministas há décadas, é parte da construção do gênero. O mundo dos cuidados, o trabalho das emoções, entre outras transparências, se colam ao feminino de tal modo que até nós deixamos de perceber esta segunda pele. Mas ela segue ali. Até as formigas dependem de nós, como narra Diana Corso, lembrando de sua infância, na crônica que dá nome ao seu último livro: “Eu tomo conta do mundo”.

E, se já não fosse bastante cuidar do mundo, há ainda outras batalhas. A luta por manter-se viva em sua própria pele, é uma delas. Estar desperta, pensar livremente, tomar seu tempo, participar do mundo público, com o devido protagonismo, recriando permanentemente o que faz sentido para si. Tudo isso implica uma sofisticada aprendizagem e uma correspondência profunda com o que muda e o que permanece, com os ambientes, as coisas e as pessoas que nos tornam potentes ou nos esgotam completamente, sem nos diluirmos na multidão dos outros nem na pacificação de um mundo sem gente dentro.

Talvez, devêssemos nos levar mais a sério antes de nos desculpar por não conseguir atender a nós mesmas, a tudo e a todos. Se a sensação de fazer menos, pouco ou nada mais,  não fizer vibrar o sentimento de liberdade da casa no campo da canção da Elis; mas, ao contrário, estiver associada a um viscoso mal estar, está na hora de respirar, tomar uma demorada xícara de chá, olhar cuidadosamente em volta e começar a imaginar uma rota de fuga.

(*) Isabel Cristina de Moura Carvalho é Pesquisadora UFRGS-PPGAS/CNPq

Contato: isacrismoura@gmail.com

11Jun
Coluna Dominical

Dia dos Namorados: fuja do tradicional!

– 10 de junho de 2018

Luis Felipe Nascimento (*)

Em boa parte do mundo, “Valentine’s Day” (14 de fevereiro) é considerado o dia mais romântico do ano. E por que no Brasil o Dia dos Namorados é celebrado no dia 12 de junho? A escolha desta data não tem nenhuma relação com o dia de Santo Antônio ou qualquer outro motivo religioso. O mês de junho foi escolhido porque este era o período mais fraco de vendas no comércio.

Mesmo que esta data tenha sido criada para estimular o consumo, não precisamos seguir a receita. Será que este dia não terá significado se não tiver presentes caros, jantares em restaurantes ou alguma outra atividade que exige grana? A previsão para este ano é que os namorados gastem, em média, R$ 165,00. Porém, a escolha pelo presente e o valor investido não são garantia de que você vai agradar o seu/sua namorado(a), basta lembrar daquele “lindo” presente (na sua opinião) que você deu e que nunca foi usado. Ou daquela saída para jantar em clima romântico que ao chegarem no restaurante ficaram sabendo que teriam que esperar duas horas pela mesa e que decidiram voltar para casa e tomar uma sopa… 

Fiquei imaginando como irão se sentir os que não tem esta grana ou que não querem ir para as filas dos restaurantes. Dei uma googliadae achei dicas curiosas. Encontrei sites de mulheres dando dicas de presentes tipo: uma almofada ou uma fronha com palavras de amor. Em outros sites, homens recomendando que as namoradas deem o que os homens gostam: uma caixa de cerveja, picanha, jogo de videogame, peças para a bike dele, enfim… me deu a sensação de que o dia deveria ser chamado de “Dia do Namorado”, pois a maioria esmagadora das dicas são de presentes para elas darem aos seus namorados.

Entre os namorados com relacionamentos de longo prazo, este dia perde mais ainda sua importância… Uma amiga perguntou ao marido se ele lembrava que aquele dia era 12 de junho. Ele ficou surpreso, percebeu que havia esquecido alguma coisa, mas não quis perguntar. Imaginou que havia esquecido de pagar o condomínio e disse, com todo o carinho: “meu bem, fica tranquila, amanhã eu acerto tudo”.

Selecionei algumas dicas para homens e mulheres que desejarem celebrar esta data de forma econômica e fugir do tradicional:

  1. Presentes: lembre-se que mulher gosta de coisas românticas e que homem gosta de coisas práticas. Uma frigideira pode ser uma ofensa para a namorada e um ótimo presente para o namorado que estava querendo uma destas bem modernas. Uma caneca com uma foto dos dois e escrita “eu te amo” pode ser um bom presente para a namorada. Para o namorado será mais apreciada se vier com cerveja gelada dentro.  Se for dar uma roupa, não compre aquela roupa que você acha que ficaria bem nele/nela. Dê um vale da loja que ele/ela compra suas roupas. Vários sites alertam: Os homens odeiam os presentes que as mulheres amam e vice-versa!

  2. Caça ao tesouro: desde a pré-história o homem gosta de caçar. A mulher também vai gostar. Prepare o ambiente com setas e dicas até achar uma caixa onde está o tesouro. O segredo está em oferecer algo que o outro goste muito. Nada de roupas ou de bilhetinhos com “amo você”. Seja criativo, se for um bilhetinho, que seja com algo do tipo: “vale uma noite de sexo selvagem”.

  3. Caixa de surpresas: na caixa cabem bilhetes e fotos com “você lembra quando…”, para relembrar dos bons momentos. Pode ter pequenos presentes. Coloque vales para um jantar num lugar alternativo, para uma massagem, um final de semana em tal lugar.

  4. Jantar romântico em casa: prepare a comida que ele/ela gosta, decore a casa para este momento e no final, dê um presente surpresa, do tipo: tem 10 estrelinhas coladas no meu corpo, se você der um beijinho em todas elas, serás recompensada(o)!!!!

  5. Baralho do Amor: em vez de escrever nas cartas as 52 razões para te amar, escreva: 52 coisas que quero fazer com você, 52 lugares que quero ir com você, ou coisa parecida.

Seguindo estas dicas, ou a forma tradicional, nesta data você vai querer dar um presente ou fazer algo legal com o seu namorado/sua namorada, mas lembre-se de que tirando o “AMOR” de nAMORada, fica apenas “n_____ada”. 

(*) Luis Felipe Nascimento é Professor na Escola de Administração da UFRGS

Contato: nascimentolf@gmail.com