21Apr
Coluna Dominical

Você viveria sem Google, Whatsapp, Facebook, Instagram, Gmail, Netflix…?

– 21 abril de 2019

Luis Felipe Nascimento (*)

Hoje, mesmo as pessoas que dizem não serem “viciadas em internet” acessam redes sociais, usam aplicativos, enviam e-mails, assistem vídeos no Youtube, filmes no Netflix ou buscam informações na internet. Observe que no ônibus, no metrô, no bar ou em qualquer lugar que as pessoas parem por alguns segundos, certamente mais da metade delas estará usando o celular. Parece que grande parte das pessoas não conseguiria passar uma semana sem acessar o WhatsApp, Google, Gmail, Google Maps, Facebook, Youtube, Yahoo, Wikipedia, Twitter, Netflix, Vimeo, Reddit, Instagram, Tumblr, Dropbox, BBC, New York Times, Times, Le Mond, Reuters, Blogspot, etc.? Pois eu fiquei sabendo que os chineses “conseguem”, pois tudo isto é proibido ou tem uso limitado na China! Estima-se que a China bloqueou cerca de 12 mil sites e plataformas. (https://www.instagram.com/p/Bt95M3TgKBd/). Quando soube disto pensei: pobres dos chineses, não podem acessar WhatsApp, Facebook, Netflix, … mas, na verdade, eles não acessam estes sites e plataformas, mas acessam os deles. Por falar nisto, você já ouviu falar em Baidu, Alibaba, Tencent, Xiaomi, Huawei, … ? Se você não é da área de tecnologia, provavelmente não saiba que estas são empresas chinesas que oferecem serviços semelhantes a Google, Facebook, PayPal, Netflix, Amazon, etc. Eu conheci um pessoal da área de tecnológica de informação e aprendi muitas coisas com eles. Compartilho aqui algumas informações sobre as empresas chinesas que competem com as americanas e sigo com minhas reflexões sobre o que consumimos hoje na nossa vida cibernética.  

– O Baidu é conhecido como o “Google Chinês”, atua de 2013 no Brasil (br.baidu.com). Na China, já colocou nas ruas carros sem motoristas e possui produtos que rivalizam com a Alexa da Amazon e com o assistente da Google. 

– O Alipay é uma plataforma de pagamentos pela internet do Alibaba que popularizou os pagamentos feitos pela internet na China. O QR Code é mais utilizado na China do que nos EUA. 

– O Wechat é um aplicativo do Tencent que combina os serviços similares aos oferecidos pelo WhatsApp, Facebook, iMessage, PayPal, UberEats, Instagram, Skype, entre outros. O aplicativo é gratuito e disponível para as versões IOS e Android e já está disponível em inglês e português.

Aprendemos que nos países em que existe livre mercado, os consumidores podem escolher o que comprar e buscam os melhores produtos que ofereçam o menor preço. Considerando que existem celulares melhores e mais baratos na China, a lógica seria de que nós iríamos preferir os produtos chineses.  Isto não ocorre porque a decisão de compra depende de vários outros fatores. A influência da cultura americana ainda é muito forte no ocidente. Você já se perguntou por que compra roupas e calçados da China e não celulares? Você lembra da última série ou filme que assistiu em que os atores usavam produtos chineses? 

Um fator importante na decisão de compra é a confiança. Você confiaria numa empresa americana que opera numa democracia e é conhecida por ser inovadora, ou numa empresa pouco conhecida de um país dito comunista? Provavelmente a maioria escolheria a empresa americana! Quando acessamos uma rede social ou compramos algo pela internet, queremos garantir nossa privacidade e ter certeza de que não irão roubar nossos dados. Confiamos mais no Google do que no Baidu. Quem já usou o Alibaba para fazer um pagamento? Mas, segundo a galera da tecnologia, “nem aqui e nem na China” estamos seguros. Existe uma tal de “porta dos fundos”, pela qual as empresas que nos “dão de graça” e-mail, ligações telefônicas, buscas na internet, redes sociais, podem acessar tudo o que fizermos. Os órgãos de inteligência (FBI, CIA, polícias) acessam dados privados para identificar criminosos, etc. O governo americano é um dos principais clientes do Facebook, Google, entre outros. Portanto, o argumento de que as empresas americanas são seguras já caiu por terra. 

O Vale do Silício, uma pequena região nas proximidades de San Francisco – Califórnia, concentra a maior parte das empresas que nos oferecem serviços gratuitos (Google, WhatsApp, Facebook, …). Será que o resto do mundo não tem nada para nos oferecer? Por que só conhecemos e utilizamos os serviços destas empresas?

Os chineses são proibidos de acessar as empresas ocidentais. Nós temos liberdade para escolher as mesmas marcas. Parece que existe uma espécie de “muralha” que nos impede de enxergar o que o existe de equipamentos e tecnologias em outras partes do mundo. Acredito que nos próximos 10 à 20 anos seremos cada vez mais dependentes da tecnologia e não vamos passar um dia sem nos conectarmos, mas eu gostaria de ver cair esta muralha. Imagino que possa haver uma maior “diversidade tecnológica” e que o conhecimento e a tecnologia não se concentrem em poucos Vales. E você, na hora de comprar um novo celular ou usar um serviço na internet, considera a possibilidade de recorrer as empresas chinesas ou de algum outro país? 

(*) Luis Felipe Nascimento é “aluno titular” na Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara

Contato: nascimentolf@gmail.com

14Apr
Coluna Dominical

Aos 60 anos a vida pode ser maravilhosa

07Apr
Coluna Dominical

Um olhar sobre a vida nos EUA

– 7 de abril de 2019

Luis Felipe Nascimento (*)

 

Recentemente escrevi sobre a vida da classe média americana. Houve concordâncias e discordâncias, o que é muito bom. Alguns leitores me pediram para contar mais da vida nos EUA. Embora meu olhar seja da realidade da Califórnia, alguns aspectos da cultura e do estilo de vida são comuns a outros estados. 

A relação dos pais e filhos é bem diferente da nossa. Soube da história de um menino que pediu um novo videogame para o pai, e ele disse ao filho para vender o que ele tinha e, se conseguisse a metade da grana que faltava, ele completaria o restante. Resultado, o menino passou um verão vendendo suco para a vizinhança e conseguiu a grana que precisava. Desde de criança são estimulados a trabalhar e ganhar seu próprio dinheiro. 

A diferença tecnológica entre o que existe aqui e o que a classe média brasileira consome é pequena, pois em poucos meses os lançamentos chegam ao Brasil. Mas acredito que algumas boas ideias ainda não chegaram ao Brasil. Ao lado do meu prédio existe uma lavandeira coletiva em que basta registrar o número do celular para que as máquinas de lavar e de secar roupas avisem quando terminaram o seu trabalho. Gostei do que vi numa praia em que é permitido soltar os cães para eles correrem e tomarem banho de mar. No estacionamento existe um “lava-jato para cães”, onde o próprio dono pode dar banho no seu cão e colocá-lo limpinho no carro.

Os serviços estão cada vez mais automatizados e quase não necessitando de contato pessoal. Aluguei um quarto pelo Airbnb em que me foi fornecido a senha do portão de entrada e da porta do apartamento. Num dos quartos vivem os donos e o outro é disponibilizado para hóspedes do Airbnb. Entrei no apartamento e encontrei um manual informando o que poderia fazer e o que poderia consumir da geladeira e da prateleira onde estavam os alimentos. No banheiro estava especificado qual o shampoo era dos donos e qual era dos visitantes. Os donos estavam lá, mas não os encontrei, nem foi necessário, pois tudo funcionou perfeitamente. Em algumas locadoras não se escolhe mais o carro, pode pegar qualquer um que estiver na faixa do preço pago. Ao devolver o carro, basta colocar a chave numa caixa e está tudo certo. 

Agora falando especificamente da Califórnia, eu diria que alguns estereótipos que temos sobre o comportamento dos americanos não se confirmam neste Estado. Vale lembrar que muitos movimentos internacionais de preservação da natureza e que lutam por um mundo mais justo, nasceram na Califórnia. Em Santa Bárbara o estrangeiro é bem recebido. Os brasileiros são bem quistos. Conheci pessoas amáveis. Viver na Califórnia é uma delícia, em Santa Bárbara é um privilégio, mas existem algumas contradições. A maconha é proibida nos EUA, liberada para uso medicinal na Califórnia, mas pode ser adquirida facilmente para qualquer fim. Teoricamente, a polícia pode prender quem for pego fumando maconha, mas nunca o faz. É preciso se adaptar as regras: não se pode fumar ou beber em locais públicos. 

A vida em Santa Bárbara é muito tranquila e segura, mas eu sinto saudades do Brasil. Algumas coisas me parecem estranhas, como por exemplo: Você consegue imaginar ir numa praia onde a água é gelada e que não tem barraca e nem vendedor de água de coco, milho, sorvete ou qualquer outro produto? Chego até sentir falta de alguém com o som alto tocando aquelas músicas que eu não gosto! Ou seja, ou você leva a sua cesta de pic-nic ou vais passar sede e fome. Você curtiria uma praia assim? Teria dificuldades para se adaptar a vida na Califórnia? Diga aí! 

(*) Luis Felipe Nascimento é “aluno titular” na Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara

Contato: nascimentolf@gmail.com

P.S.: Se você ainda tem aquela pochete antiga, guarde. A moda voltou, a moçada aqui tá usando pochete!