16Dec
Coluna Dominical

Take your life in your hands

09Dec
Coluna Dominical

Solitude em Santa Bárbara

– 9 de dezembro de 2018

Luis Felipe Nascimento (*)

O ser humano vive em bando, pois nos faz bem estar junto com a família e com os amigos. Esta “dependência” é o que nos salva do completo isolamento.  Mas, o estar junto e o ocupar todo o nosso tempo com atividades, se tornou um vício, fomos esquecendo que a nossa melhor companhia, somos nós mesmos. O precisar ficar com alguém por medo de ficar só é um sinal de insegurança. Portanto, ao mesmo tempo que vivemos em sociedade, que somos interdependentes, faz muito bem termos momentos de solitude. Importante ressaltar que solitude é o ato voluntário de ficar só por algum tempo, enquanto a solidão é o desejo não atendido de companhia. A solitude seria o lado bom da solidão. Eu nunca havia ficado tanto tempo sozinho, está sendo um período difícil, mas estou aprendendo a gostar da minha companhia. Acho que vivo mais solitude do que solidão. Quando estamos bem com a gente mesmo, as relações com os outros fluem de forma muito mais leve. Não precisamos da atenção o tempo todo e nem fazemos cobranças aos outros. Nos tornamos pessoas melhores para nós e para os outros, pois na solitude nos abastecemos de nós mesmos.

Minhas melhores companhias neste período foram a “música”, o “sol” e o “afeto” da família e dos amigos. Aprendi que dá para induzir os sentimentos escolhendo as músicas adequadas. Antes de dormir e ao levantar, gosto de ouvir música clássica. Deixo aqui o link de uma das minhas preferidas (Beethoven – https://music.youtube.com/watch?v=bNsfqumtc9A). Se quero me alegrar, escolho Rita Lee, um forró pé de serra, ou outras canções com ritmos vibrantes. O sol é também um grande companheiro! Quem poderia se entristecer em baixo de tanta luz e energia? Talvez por isto que a ensolarada Califórnia faça este povo ser mais feliz do que populações que vivem em regiões com pouco sol.

Por fim, o afeto é o que conforta o coração, não importa a distância de onde ele venha. Como diz o Amyr Klink: “Quem tem um amigo, mesmo que um só, não importa onde se encontre, jamais sofrerá de solidão; poderá morrer de saudades, mas não estará só”. Meu amigo Senna resolveu fazer selfiescom outros amigos queridos e me enviar as fotos. Fui assim colecionando estas relíquias que me fizeram tanto bem. Uma gravação de áudio ou uma conversa pelo WhatsApp é um afago na alma. Já o Sr.Peixoto, quando me vê online no WhatsApp me liga e já diz: “se não pode falar, desliga. Só passei aqui para bater um papinho com o amigo”. Vários outros amigos têm me dado um suporte, que tem sido fundamental. Tudo isto tem um valor enorme, são carinhos e lembranças que levarei comigo para o resto da vida.

A diferença de fuso horário me fez conhecer detalhes da vida de vários amigos. Descobri que a melhor hora para falar com a Angela é por volta das 02:00 h da madrugada do Brasil, 20h em Santa Bárbara, hora que ela está trabalhando e que a família já foi dormir. A Lisi, que está com gêmeos recém-nascidos, lê e responde as minhas mensagens na madrugada, pois sempre tem um deles acordado nestas horas. Outro amigo me confessou que dorme 3 a 4 horas por noite, e responder mensagens na madrugada faz parte da sua rotina. Entre outras curiosidades: uma amiga me passou os horários que ela dorme e pediu para não enviar mensagens durante suas horas de sono. Agora estamos com uma diferença de fuso de 6 horas. Quando estou indo dormir, já tem gente levantando aí no Brasil e já começo a receber mensagens. Tem ainda os amigos que estão no exterior, com fusos maiores ainda. Algumas vezes tomo café as 7 horas da manhã com o meu amigo Alfredo, antes dele deixar a universidade na Itália, pois está 9 horas na minha frente.

Compartilho tudo isto para dizer que, na próxima semana, estou indo ao Brasil, com autorização da CAPES, e pretendo curtir muito a família e os amigos, poder dar e receber os abraços que são tão difíceis aqui. Retorno no início de janeiro para completar minha pesquisa até agosto de 2019. Estou com baixo nível de oxitocina, o hormônio que é ativado pelos abraços afetuosos. Certamente não poderei encontrar com todos como eu desejaria, mas fico feliz em continuarmos conectados de uma forma ou de outra. Beijos a todos.

(*) Luis Felipe Nascimento é “aluno titular” na Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara

Contato: nascimentolf@gmail.com

02Dec
Coluna Dominical

O que se fala no Congresso Internacional de Felicidade?

– 2 de dezembro de 2018

Luis Felipe Nascimento (*)

Em 2017 eu participei do II Congresso da Felicidade em Curitiba e escrevi uma coluna sobre o que aconteceu neste evento. Em 2018 eu assisti os vídeos das palestras e elas me fizeram muito bem. Quando algo me faz bem, tenho a tentação em compartilhar com quem eu gosto, por isto escrevo novamente uma Coluna sobre alguns pontos que me encantaram neste III Congresso. Não tenho a intenção de resumir dois dias de palestras em uma página, mas destacarei pontos para reflexão, deixando o link para os que desejarem assistir a palestra inteira. Não vou comentar as falas dos palestrantes mais conhecidos como Leandro Karnal, Monja Coen e Bruna Lombardi, mas sim de outros dois palestrantes que me tocaram bastante.

Eu adorei a palestra do Prof. Tal Bem Shahar (https://youtu.be/7obVccYpVSk), um pesquisador de Harvard que trabalha com psicologia positiva e com a ciência da felicidade. Ele destacou que ninguém é feliz o tempo todo e que precisamos nos permitir sermos humanos e deixarmos nossas emoções fluírem. Em algum momento vamos sentir raiva, inveja, ciúmes, ter frustrações, etc. Somente os psicopatas não possuem estes sentimentos. Disse que, quando evitamos estes sentimentos, eles se fortalecem em nós, mas quando admitimos estes sentimentos ruins, eles se vão e nos sentimos aliviados. Algo semelhante ocorre quando uma pessoa está nervosa e tenta se convencer que não está, isto a faz ficar ainda mais nervosa. Por outro lado, se assumir que está nervosa, poderá encontrar uma forma de controlar o seu nervosismo. Em outras palavras, é recomendável experimentar a infelicidade para poder ser feliz. Destacou a frase de Anne Harbison: “Nunca deixe uma boa crise ir para o lixo”, pois as crises são oportunidades de aprendizagem. Todas as pessoas que se destacaram na história, erraram muito, mas se destacaram porque aprenderam com os erros. Gostei de ouvir ele dizer que “as coisas na vida não ocorrem necessariamente da melhor maneira, mas que a gente pode tirar o melhor de cada coisa que acontece!”.  Neste semestre, eu sou a comprovação da afirmação feita por ele de que “quanto mais tempo você gasta em mídias sociais, mais sozinho você está!”.   Falou também da importância de fazermos exercícios físicos, de simplificarmos a vida e dos nossos relacionamentos. Mostrou dados de pesquisas que comprovam que a qualidade dos relacionamentos é o “termômetro” de quão felizes e saudáveis são as pessoas. Os resultados de outra pesquisa mostram que as pessoas que, antes de dormir, escrevem 3 ou 5 coisas pelas quais são gratas, se tornam mais alegres, otimistas, bem-humoradas e fisicamente mais saudáveis. Se você não acreditou nisto, faça o teste, vai lhe tomar apenas de 1 a 2 minutos do seu dia. 

O Jorge Trevisol fez sua palestra cantando e fazendo poesia(https://youtu.be/5CgFfhax_WQ). Disse: quando uma pessoa que nos ama, nos olha no fundo dos olhos, ela nos traz para fora, nos coloca na frente de nós mesmos para que vejamos quem somos e assim retomamos o que tem de melhor em nós. Diante de quem nos ama, podemos ser quem somos, podemos nos expressar como desejarmos e não existe dor. Fez um exercício solicitando para as pessoas buscarem nas suas memórias um momento feliz da sua infância, e perguntou: Quem estava olhando para você neste momento? Quem te olhou, ou te fez crescer ou te abafou. Olhares dolorosos sobre uma criança são aprisionantes. Já os olhares amorosos são verdadeiros mantos sagrados jogados sobre esta criança. Quando duas pessoas olham o sol nascendo, uma poderá dizer “que lindo dia teremos hoje”. A outra talvez diga “vai ser um calor de matar”. Cada uma vê o sol, com o sol que tem dentro de si. Quando a pessoa acredita que a sua alma é triste, ela está usando a tristeza para se esconder. Da mesma forma, as pessoas que passam a imagem de duronas, se escondem atrás do medo. Estas são barreiras que as pessoas colocam na sua frente e que escondem o que elas têm de melhor. Interessante a afirmação de que “a dor nunca consegue ser tirada, ela precisa ser abraçada, olhada, então será transformada. Nada que não for assumido, será redimido … Uma lágrima derramada é uma dor transformada”.

Por fim, como disse o Trevisol, pode parecer estranho alguém viajar para ser feliz num congresso, mas na verdade o que ocorre é que, pessoas felizes que vão a um congresso para estarem juntas com quem é feliz, para aprender com pessoas que pesquisam, praticam e levam a vida valorizando tudo o que vida nos dá de bom. O Prof. Tal Bem Shahar fala usando dados de pesquisas científicas, enquanto que o Jorge Trevisol se inspira na fé, nas relações entre o humano e o divino. Ao final, os dois convergem para a conclusão de que a felicidade ocorre quando a pessoa encontra a si mesmo. O caminho para isto é aprender com as adversidades, abraçá-las para transformá-las, e fundamentalmente, a qualidade dos relacionamentos. Simples assim!  E por falar nisto, que tal fazermos um check-upna qualidade das nossas relações com as pessoas que amamos?

(*) Luis Felipe Nascimento é “aluno titular” na Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara.

Contato: nascimentolf@gmail.com