14Apr
Coluna Dominical

Aos 60 anos a vida pode ser maravilhosa

07Apr
Coluna Dominical

Um olhar sobre a vida nos EUA

– 7 de abril de 2019

Luis Felipe Nascimento (*)

 

Recentemente escrevi sobre a vida da classe média americana. Houve concordâncias e discordâncias, o que é muito bom. Alguns leitores me pediram para contar mais da vida nos EUA. Embora meu olhar seja da realidade da Califórnia, alguns aspectos da cultura e do estilo de vida são comuns a outros estados. 

A relação dos pais e filhos é bem diferente da nossa. Soube da história de um menino que pediu um novo videogame para o pai, e ele disse ao filho para vender o que ele tinha e, se conseguisse a metade da grana que faltava, ele completaria o restante. Resultado, o menino passou um verão vendendo suco para a vizinhança e conseguiu a grana que precisava. Desde de criança são estimulados a trabalhar e ganhar seu próprio dinheiro. 

A diferença tecnológica entre o que existe aqui e o que a classe média brasileira consome é pequena, pois em poucos meses os lançamentos chegam ao Brasil. Mas acredito que algumas boas ideias ainda não chegaram ao Brasil. Ao lado do meu prédio existe uma lavandeira coletiva em que basta registrar o número do celular para que as máquinas de lavar e de secar roupas avisem quando terminaram o seu trabalho. Gostei do que vi numa praia em que é permitido soltar os cães para eles correrem e tomarem banho de mar. No estacionamento existe um “lava-jato para cães”, onde o próprio dono pode dar banho no seu cão e colocá-lo limpinho no carro.

Os serviços estão cada vez mais automatizados e quase não necessitando de contato pessoal. Aluguei um quarto pelo Airbnb em que me foi fornecido a senha do portão de entrada e da porta do apartamento. Num dos quartos vivem os donos e o outro é disponibilizado para hóspedes do Airbnb. Entrei no apartamento e encontrei um manual informando o que poderia fazer e o que poderia consumir da geladeira e da prateleira onde estavam os alimentos. No banheiro estava especificado qual o shampoo era dos donos e qual era dos visitantes. Os donos estavam lá, mas não os encontrei, nem foi necessário, pois tudo funcionou perfeitamente. Em algumas locadoras não se escolhe mais o carro, pode pegar qualquer um que estiver na faixa do preço pago. Ao devolver o carro, basta colocar a chave numa caixa e está tudo certo. 

Agora falando especificamente da Califórnia, eu diria que alguns estereótipos que temos sobre o comportamento dos americanos não se confirmam neste Estado. Vale lembrar que muitos movimentos internacionais de preservação da natureza e que lutam por um mundo mais justo, nasceram na Califórnia. Em Santa Bárbara o estrangeiro é bem recebido. Os brasileiros são bem quistos. Conheci pessoas amáveis. Viver na Califórnia é uma delícia, em Santa Bárbara é um privilégio, mas existem algumas contradições. A maconha é proibida nos EUA, liberada para uso medicinal na Califórnia, mas pode ser adquirida facilmente para qualquer fim. Teoricamente, a polícia pode prender quem for pego fumando maconha, mas nunca o faz. É preciso se adaptar as regras: não se pode fumar ou beber em locais públicos. 

A vida em Santa Bárbara é muito tranquila e segura, mas eu sinto saudades do Brasil. Algumas coisas me parecem estranhas, como por exemplo: Você consegue imaginar ir numa praia onde a água é gelada e que não tem barraca e nem vendedor de água de coco, milho, sorvete ou qualquer outro produto? Chego até sentir falta de alguém com o som alto tocando aquelas músicas que eu não gosto! Ou seja, ou você leva a sua cesta de pic-nic ou vais passar sede e fome. Você curtiria uma praia assim? Teria dificuldades para se adaptar a vida na Califórnia? Diga aí! 

(*) Luis Felipe Nascimento é “aluno titular” na Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara

Contato: nascimentolf@gmail.com

P.S.: Se você ainda tem aquela pochete antiga, guarde. A moda voltou, a moçada aqui tá usando pochete!

30Mar
Coluna Dominical

Qualidade de Vida Fora do Trabalho

– 31 de março de 2019

Luis Felipe Nascimento (*)

Hoje se fala muito em “Qualidade de Vida”, mas o que isto significa para você? O que está ao seu alcance e o que depende de fatores externos? Quais são as condições necessárias para você ter a qualidade de vida desejada? Quando li o texto da Jaqueline Lessa sobre Qualidade de Vida no Trabalho, me veio o questionamento sobre a qualidade de vida “fora do trabalho”. Pesquisei a respeito e compartilho com você algumas reflexões.

A “gestão da qualidade” surgiu para corrigir os erros que eram cometidos nos processos produtivos e foi definida como o “grau no qual um conjunto de características inerentes satisfaz a requisitos” (ISO 9000). Portanto, ter qualidade é ter controles, se o fabricante informar que 10% dos seus produtos poderá apresentar falhas e 9% deles realmente falharem, pode-se dizer que este produto possui qualidade. Fazendo uma analogia, poderíamos dizer que a “qualidade de vida” depende dos nossos controles e do que é importante para nós. Geralmente associamos a qualidade de vida a qualidade da nossa saúde, ao bem estar físico, mental e espiritual, ao poder de compra, as relações sociais que desfrutamos, etc.

Sabemos que o trabalho é uma fonte de estresse e que repercute na nossa vida privada. Existem ainda outros fatores externos que também nos afetam, mas tem várias coisas que dependem de nós para elevarmos a nossa qualidade de vida. Que coisas seriam estas? Eu diria que num extremo existem correntes de pensamento como a “Feng Shui” que associa qualidade de vida com as energias que circulam numa casa. Acredite ou não, trata-se de um conhecimento chinês empregado há mais de 4000 anos. No outro extremo, temos a corrente de pensamento capitalista que relaciona qualidade de vida ao “ter mais” dinheiro, uma casa maior e mais confortável, um carro melhor, mais eletrônicos, mais viagens, etc.

Imagine que você tenha conseguido tudo o que desejava na vida e que ainda não tenha a qualidade de vida desejada, o que você faria? Nesta situação, muitas pessoas mudam os seus hábitos alimentares e fazem exercícios físicos regulares. Elas estão “gerenciando” melhor as suas vidas, independente dos fatores externos. Algumas estão indo além destas ações e investindo em mudanças mais desafiadoras, mas que estão ao alcance de todos, tais como o investimento no seu autoconhecimento, na forma de ver o mundo e de se relacionar com as pessoas.

Numa aula do Prof. DeRose (https://www.youtube.com/watch?v=Tobk68JnTZ0) ele cita: Vive melhor quem consegue descomplicar a sua existência e fazer o que lhe dá prazer. Estas pessoas estão percebendo que a sua qualidade de vida está relacionada com agregar carinho e respeito nas relações, em compartilhar o seu tempo com quem elas gostam, em extrair satisfação de todas as coisas, em manter um padrão de gastos dois degraus abaixo do que ganhar, em não se deixar abalar pelos percalços da vida e, principalmente, amar com franqueza e perdoar com sinceridade.

A pergunta que não quer calar: Se temos a possibilidade de gerenciar boa parte da nossa qualidade de vida, por que não fazemos isto? Falta de conhecimento, de capacidade de sair da rotina ou por que não acreditamos que isto é possível? Bora pessoal! Vamos fazer o que está ao nosso alcance e viver melhor!

(*) Luis Felipe Nascimento é “aluno titular” na Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara

Contato: nascimentolf@gmail.com