31Jul
Coluna Dominical

Paixão, Amor ou Amizade? (clipe)

30Jul
Coluna Dominical

Paixão, Amor ou Amizade?

– 30 de julho de 2017

Luis Felipe Nascimento (*)

Obs: Se preferir, assista o clipe logo acima.

Amor ou amizade? Esta pergunta sempre é feita quando queremos saber qual o sentimento que predomina entre duas pessoas, no início de um relacionamento. E conversando sobre sentimentos, percebi que algumas pessoas nunca tiveram a oportunidade de viver uma paixão ou um grande amor, só relações de amizade, respeito e companheirismo com seus parceiros. Alguém comentou comigo que imagina a paixão como o andar numa montanha russa: um sentimento muito intenso, mas que é rápido e passageiro. Fiquei curioso em saber por qual porta entramos nos relacionamentos e resolvi pesquisar a opinião das pessoas a respeito do tema. Descobri que antes de Rousseau, o amor, o sexo, a felicidade e o casamento eram coisas independentes, mas, e hoje, quais as diferenças entre paixão, amor e amizade? Me parece que esses sentimentos assumiram determinados comportamentos… 

– A Paixão é egoísta – pois o apaixonado quer o seu próprio bem. A paixão seria uma projeção, uma fantasia, uma ilusão. As características físicas são as que mais atraem os apaixonados: os olhos, o sorriso ou outras aparências. Quando alguém está apaixonado, sente-se leve, livre e solto, e o que se dane o mundo lá fora. Quanto mais impossível for, maior será a intensidade da paixão. Depois de semanas ou meses, as individualidades afloram e os apaixonados descem das nuvens. 

– O Amor é solidário – pois alegra-se com a alegria do outro. Os que amam, enxergam além das características físicas e valorizam a autenticidade, o caráter, a personalidade do outro e conseguem ver e conviver com as suas qualidades e com os seus defeitos. 

– A Amizade é altruísta – pois sempre pensa em primeiro lugar no bem-estar do seu amigo, em cuidar do outro, independente das condições e do momento. 

Se a paixão é uma volta numa montanha russa, o amor seria uma volta no pedalinho no lago e a amizade, o sentar no banco da praça com a outra pessoa para ver a vida passar. Todos esses sentimentos são lindos, mas possuem níveis diferentes de envolvimento e possuem diferentes tipos de intensidade. Enfim, me parece que o ato de se apaixonar é involuntário e sem a exigência de esforço, enquanto que o amor é uma escolha e exige muita tolerância. Já a amizade, é construída sobre mútua admiração e companheirismo, pois é o amigo do peito que vai nos emprestar o ombro, que vai saber escutar o nosso silêncio e é com ele que podemos confidenciar os segredos mais secretos do nosso coração. 

(*) Luis Felipe Nascimento é Professor da Escola de Administração da UFRGS.

Contato: nascimentolf@gmail.com

24Jul
Coluna Dominical

(re)Aprendendo a falar e a ouvir, pela CNV

– 23 de julho de 2017

Luis Felipe Nascimento (*)

Entre 17 e 23 de julho de 2017 fiz uma imersão na UniLuz, em Nazaré Paulista, um lugar lindo e de muita paz, para fazer o curso de Comunicação Não-Violenta (CNV). Quando comentei com amigos que iria fazer este curso, alguns disseram que eu não precisaria, mas ao longo do curso, quando entendi o significado da CNV, percebi que a minha comunicação era violenta, sim. 

Mas, afinal, o que é CNV? Podemos dizer que esse tipo de comunicação não é nenhuma novidade no mercado, é apenas o resgate de uma forma de falar e de ouvir, que já conhecemos e que não usamos. As redes sociais nos permitem a conexão com milhares de pessoas, mas geralmente esta comunicação se resume a enviar e receber mensagens. A conexão na CNV ocorre quando escutamos o outro, sem julgamentos e quando falamos, sem acusá-lo. Aparentemente todos nós fazemos isto, só que não! 

Marshall Rosenberg, o criador da CNV, fala dos seus quatro componentes, para os quais posso exemplificar com fatos corriqueiros da vida de quem tem filho adolescente: 1º. OBSERVAÇÃO: filho deixa as meias sujas no sofá da sala; 2º. SENTIMENTO da mãe: raiva, pois isto se repete todos os dias; 3º. NECESSIDADE da mãe: ter a sala em ordem para ela se sentir bem; 4º. PEDIDO da mãe para o filho: para que ele não faça mais isto. Na comunicação tradicional, provavelmente isto ocorreria, em voz alta, com expressão de irritação e da seguinte forma: “Filho, já te pedi 500 vezes para você não deixar suas meias sujas na sala e você não aprende! Custa muito colocar suas meias no local da roupa suja?” Esta mesma conversa, usando CNV seria feita com o tom de voz sereno, dizendo: “Filho, quando você deixa suas meias sujas na sala eu fico irritada, porque a sala é um espaço de uso comum e eu não gosto de ver tuas meias aqui. Você poderia colocar as meias no local da roupa suja?” As palavras possuem cargas emocionais diferentes. Ao ouvir: “será que você não aprende?” o filho interpreta que a mãe está lhe chamando de “burro”. E, quanto mais alto ela falar e mais agressiva for, menor será a escuta e a conexão com o filho. E sem conexão, não haverá como resolver o problema. 

Além de mudar a forma de falar, é importante aprender a escutar. Quando estamos ouvindo outra pessoa, ouvimos duas vozes, a de fora e outra de dentro. A de dentro são os nossos julgamentos e a preparação da nossa próxima fala, que queremos fazer o mais breve possível. Na verdade, não estamos interessados em ouvir o que outro está dizendo, queremos logo dar um conselho, solidarizarmos com o outro, fazer algumas perguntas ou até mesmo competir, dizendo que já vivemos coisas piores ou melhores do que está nos sendo dito. A CNV propõe a escuta empática, aquela que ouve sem julgamentos, que mostra atenção e interesse no que está sendo dito. Hoje em dia não percebemos que o maior presente que podemos dar a alguém é o tempo, a escuta. A comunicação empática deveria ser ensinada nas escolas, pois tão importante quanto aprender a ler, é aprender a ouvir. A raiva vem dos meus pensamentos, e geralmente surge quando eu acho que o outro não vai me ouvir. 

Rosenberg diz que 90% dos nossos sofrimentos acontecem devido às interpretações que realizamos, ou seja, nós causamos nossos próprios sofrimentos, pois eles resultam da avaliação que fazemos dos fatos. Diz ainda que os sentimentos são mensageiros de necessidades. Em vez de nos culparmos ou de culpar o outro, é melhor perguntar o que podemos fazer para atender aquela necessidade. Quando eu digo “não” para alguém, esta pessoa se fecha. Quando eu compreendo a sua necessidade, ela se abre, mas compreender não significa concordar. 

Tudo o que fazemos é comunicação, sendo que 80% dela é não verbal e apenas 20% é conteúdo. O tom de voz, os gestos, a postura do corpo, tudo transmite alguma coisa. E sempre que falamos, revelamos alguma coisa sobre nós. 

É muito difícil resumir a vivência de uma semana intensa em uma página. O que eu posso dizer é que este curso foi muito impactante na minha vida e que escrevo para compartilhar este aprendizado, que me trouxe muita paz. Se você quiser saber mais, leia o livro “Comunicação Não-Violenta” de Marshall Rosenberg ou faça um curso de CNV e descubra que seus relacionamentos pessoais e profissionais podem ser bem melhores.

(*) Luis Felipe Nascimento é Professor na Escola de Administração da UFRGS

Contato: nascimentolf@gmail.com